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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 97 - 22 a 28 de novembro de 2009

Fonte: Revista Super Vitória 76

:: Tu Tens Grande História ::

"El Lobo" no Vitória de 1976

Atacante fez 31 gols em temporada marcada por marketing e jogo inesquecível

Luciano Santos

O Vitória faz sua penúltima apresentação no Brasileirão 2010 diante do Fluminense, no Maracanã. O confronto, que acontece no próximo domingo, teve início em 1923, num amistoso em Salvador, que terminou empatado em 1x1, com Popó marcando para o Rubro-Negro.

O primeiro Vitória x Fluminense no "maior do mundo" foi vencido pelo Leão da Barra. Aconteceu há 33 anos, no dia 26/09, tendo o atacante Fischer (na foto acima, ao lado de Andrada e Osni)marcado o gol do triunfo aos 35 minutos do segundo tempo.

Foi uma temporada marcada por contrastes. O Vitória montou uma equipe forte, mesclada por experientes jogadores como os argentinos Andrada e Fischer, os zagueiros Joãozinho e Altivo, o meia Léo Oliveira e os atacantes Osni, Afrânio e Ferreti, e jovens promessas como Zé Júlio, da base rubro-negra, Silvinho, Geraldinho, Geraldão, Léo Sales e Paulo Roberto, que chegaram dos juvenis de Flamengo e Fluminense. Apesar do bom elenco, o Leão foi apenas o 26º colocado do Campeonato Brasileiro, perdendo a decisão do Baianão para o Bahia. Título apenas da Copa Norte/Nordeste, com vitória no jogo final diante do América-RN, gols de Zé Júlio (2) e Geraldão.

Em 1976, o Vitória buscava sua consolidação como grande clube do futebol brasileiro a partir do aumento de seu número de sócios, sob o comando do presidente Alexi Pelágio Portela, pai do atual presidente rubro-negro Alexi Portela Jr. "Não adianta ter um bom patrimônio ou ganhar títulos, sem que haja o respaldo de um grande quadro associativo", opinava o comandante do Leão.

Foi o ano em que o Rubro-Negro baiano se lançava no marketing, com o carnê "Super Vitória 76", com sorteios, prêmios, revistas com conteúdo histórico, e que teve grande apelo midiático.

Também, ano do inesquecível jogo amistoso Vitória 3x1 Combinado Estrangeiro, quando jogadores da "máquina tricolor" Fluminense, como Rivelino, Rodrigues Neto, Paulo César Caju, Dirceu, Carlos Alberto Torres e Carlos Alberto Pintinho, vestiram a camisa do Leão ao lado de Andrada, Fischer, Joãozinho, Altivo e Osni.

Voltando ao 1x0 em cima do Fluminense, no Maracanã, o autor do gol ficou pouco tempo na Toca do Leão - uma temporada -, mas marcou sua passagem com outros trinta tentos em quarenta e um jogos disputados.

Gols de Fischer no Vitória

Vitória

3

X

1

Atlético BA

1

Vitória

2

X

1

Jequié

1

Bahia

0

X

1

Vitória

1

Vitória

4

X

0

Jequié

2

Flu BA

0

X

4

Vitória

1

Vitória

4

X

0

Redenção

1

Vitória

5

X

2

Atlético BA

1

Vitória

4

X

1

Atlético BA

2

Humaitá

0

X

3

Vitória

2

Vitória

4

X

3

Atlético BA

1

Vitória

2

X

1

Flu BA

1

Vitória

3

X

0

Flu BA

2

Vitória

2

X

0

Leônico

2

Vitória

3

X

1

Atlético BA

2

Vitória

3

X

0

Ypiranga

1

Treze PB

0

X

2

Vitória

2

Vitória

3

X

1

CSA

2

Flu RJ

0

X

1

Vitória

1

Vitória

1

X

1

Botafogo RJ

1

Vitória

2

X

4

São Paulo

1

Vitória

3

X

1

Flu BA

3

Os argentinos Andrada e Fischer chegaram na mesma época. Contratações de peso, assim explicadas pela diretoria do Vitória na Revista Super Vitória 76 - "Quando o Vitória decidiu trazê-los, houve um descrédito muito grande: "como contratar dois dos melhores profissionais do futebol sul-americano? Não vacilamos. Compreendíamos a necessidade de injetar experiência no nosso time. Os garotos que vieram do sul do País estavam aprovando ao lado de craques como Osni, Valença, Válter, Washington e outros. Já estavam também contratados valores como Joãozinho e Afrânio, mas o time carecia de dois jogadores veteranos, ainda com muito vigor, de vivência internacional".

Rudolf Fischer surgiu no San Lorenzo, da Argentina, consagrando-se imediatamente, numa linha formada por Doval, Veira, ele e Gonzalito. Foi campeão invicto em 1971, comandado por Tim, seu técnico no Vitória em 1976.

Na Mini-Copa, jogou aqui na Bahia, em 1972, pela seleção argentina, sendo o seu grande astro. Atuou mais de 40 vezes na seleção e marcou muitos gols. A imprensa o apelidou de "El Lobo" pela gana e talento do seu futebol. Ainda em 1972, foi contratado pelo Botafogo(RJ), por Cr$ 1 milhão, indicado por Tim.

Chegou à Toca do Leão em 1976, com 31 anos de idade, também por importância mais ou menos em torno de Cr$ 1 milhão.

Estreou na partida amistosa diante do Botafogo carioca (Botafogo 1x0 Vitória, em 07/03/76) na Fonte Nova, e marcou seu primeiro gol contra o Atlético de Alagoinhas, pelo Campeonato Baiano, em 14/03/76.

Foi o autor do gol do triunfo no primeiro clássico Ba-Vi do Baianão 1976 e se despediu no triunfo por 3x1 contra o Fluminense de Feira, no primeiro jogo da Copa Norte/Nordeste, marcando três vezes.

De Salvador, Fischer voltou para o seu país natal, onde ainda jogou no Sarmiento e no Belgrano, encerrando sua carreira. Aposentado, passou a residir em uma fazenda no interior da Argentina.

Luciano Santos

Economista, pós-graduado em Comunicação e editor da Revista Eletrônica Barradão On Line.

Pesquisa: Revista Super Vitória 76 - Fascículos 2 e 3, livro Barradão - alegria, emoção e Vitória, com dados estatísticos de Alexandro Ribeiro.

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