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Tu Tens Grande História ::
"El Lobo" no Vitória de 1976
Atacante fez 31 gols em temporada marcada
por marketing e jogo inesquecível
Luciano
Santos
O Vitória faz sua penúltima
apresentação no Brasileirão 2010 diante do Fluminense, no
Maracanã. O confronto, que acontece no próximo domingo, teve
início em 1923, num amistoso em Salvador, que terminou empatado
em 1x1, com Popó marcando para o Rubro-Negro.
O primeiro Vitória x Fluminense no
"maior do mundo" foi vencido pelo Leão da Barra.
Aconteceu há 33 anos, no
dia 26/09, tendo o atacante Fischer (na foto acima, ao lado de
Andrada e Osni)marcado o gol do triunfo aos 35 minutos do
segundo tempo.
Foi uma temporada marcada por
contrastes. O Vitória montou uma equipe forte, mesclada por
experientes jogadores como os argentinos Andrada e Fischer, os
zagueiros Joãozinho e Altivo, o meia Léo Oliveira e os atacantes
Osni, Afrânio e Ferreti, e jovens promessas como Zé Júlio, da
base rubro-negra, Silvinho, Geraldinho, Geraldão, Léo Sales e
Paulo Roberto, que chegaram dos juvenis de Flamengo e Fluminense.
Apesar do bom elenco, o Leão foi apenas o 26º colocado do
Campeonato Brasileiro, perdendo a decisão do Baianão para o
Bahia. Título apenas da Copa Norte/Nordeste, com vitória no jogo
final diante do América-RN, gols de Zé Júlio (2) e Geraldão.
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Em 1976, o Vitória buscava
sua consolidação como grande clube do futebol brasileiro
a partir do aumento de seu número de sócios, sob o
comando do presidente Alexi Pelágio Portela, pai do
atual presidente rubro-negro Alexi Portela Jr. "Não
adianta ter um bom patrimônio ou ganhar títulos, sem que
haja o respaldo de um grande quadro associativo",
opinava o comandante do Leão.
Foi o ano em que o
Rubro-Negro baiano se lançava no marketing, com o carnê
"Super Vitória 76", com sorteios, prêmios, revistas com
conteúdo histórico, e que teve grande apelo midiático.
Também, ano do
inesquecível jogo amistoso Vitória 3x1 Combinado
Estrangeiro, quando jogadores da "máquina tricolor"
Fluminense, como Rivelino, Rodrigues Neto, Paulo César
Caju, Dirceu, Carlos Alberto Torres e Carlos Alberto
Pintinho, vestiram a camisa do Leão ao lado de Andrada,
Fischer, Joãozinho, Altivo e Osni.
Voltando ao 1x0 em cima do
Fluminense, no Maracanã, o autor do gol ficou pouco
tempo na Toca do Leão - uma temporada -, mas marcou sua
passagem com outros trinta tentos em quarenta e um jogos
disputados. |
Gols de Fischer no Vitória

|
Vitória |
3 |
X |
1 |
Atlético BA |
1 |
|
Vitória |
2 |
X |
1 |
Jequié |
1 |
|
Bahia |
0 |
X |
1 |
Vitória |
1 |
|
Vitória |
4 |
X |
0 |
Jequié |
2 |
|
Flu BA |
0 |
X |
4 |
Vitória |
1 |
|
Vitória |
4 |
X |
0 |
Redenção |
1 |
|
Vitória |
5 |
X |
2 |
Atlético BA |
1 |
|
Vitória |
4 |
X |
1 |
Atlético BA |
2 |
|
Humaitá |
0 |
X |
3 |
Vitória |
2 |
|
Vitória |
4 |
X |
3 |
Atlético BA |
1 |
|
Vitória |
2 |
X |
1 |
Flu BA |
1 |
|
Vitória |
3 |
X |
0 |
Flu BA |
2 |
|
Vitória |
2 |
X |
0 |
Leônico |
2 |
|
Vitória |
3 |
X |
1 |
Atlético BA |
2 |
|
Vitória |
3 |
X |
0 |
Ypiranga |
1 |
|
Treze PB |
0 |
X |
2 |
Vitória |
2 |
|
Vitória |
3 |
X |
1 |
CSA |
2 |
|
Flu RJ |
0 |
X |
1 |
Vitória |
1 |
|
Vitória |
1 |
X |
1 |
Botafogo RJ |
1 |
|
Vitória |
2 |
X |
4 |
São Paulo |
1 |
|
Vitória |
3 |
X |
1 |
Flu BA |
3 |
|
Os argentinos Andrada e Fischer
chegaram na mesma época. Contratações de peso, assim explicadas
pela diretoria do Vitória na Revista Super Vitória 76 - "Quando
o Vitória decidiu trazê-los, houve um descrédito muito grande:
"como contratar dois dos melhores profissionais do futebol
sul-americano? Não vacilamos. Compreendíamos a necessidade de
injetar experiência no nosso time. Os garotos que vieram do sul
do País estavam aprovando ao lado de craques como Osni, Valença,
Válter, Washington e outros. Já estavam também contratados
valores como Joãozinho e Afrânio, mas o time carecia de dois
jogadores veteranos, ainda com muito vigor, de vivência
internacional".
Rudolf Fischer surgiu no San
Lorenzo, da Argentina, consagrando-se imediatamente, numa linha
formada por Doval, Veira, ele e Gonzalito. Foi campeão invicto
em 1971, comandado por Tim, seu técnico no Vitória em 1976.
Na Mini-Copa, jogou aqui na Bahia,
em 1972, pela seleção argentina, sendo o seu grande astro. Atuou
mais de 40 vezes na seleção e marcou muitos gols. A imprensa o
apelidou de "El Lobo" pela gana e talento do seu futebol. Ainda
em 1972, foi contratado pelo Botafogo(RJ), por Cr$ 1 milhão,
indicado por Tim.
Chegou à Toca do Leão em 1976, com
31 anos de idade, também por importância mais ou menos em torno
de Cr$ 1 milhão.
Estreou na partida amistosa diante
do Botafogo carioca (Botafogo 1x0 Vitória, em 07/03/76) na Fonte
Nova, e marcou seu primeiro gol contra o Atlético de Alagoinhas,
pelo Campeonato Baiano, em 14/03/76.
Foi o autor do gol do triunfo no
primeiro clássico Ba-Vi do Baianão 1976 e se despediu no triunfo
por 3x1 contra o Fluminense de Feira, no primeiro jogo da Copa
Norte/Nordeste, marcando três vezes.
De Salvador, Fischer voltou para o
seu país natal, onde ainda jogou no Sarmiento e no Belgrano,
encerrando sua carreira. Aposentado, passou a residir em uma
fazenda no interior da Argentina.
Luciano
Santos
Economista,
pós-graduado em Comunicação e editor da Revista Eletrônica
Barradão On Line.
Pesquisa: Revista Super
Vitória 76 - Fascículos 2 e 3, livro Barradão - alegria, emoção
e Vitória, com dados estatísticos de Alexandro Ribeiro.
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