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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 38 - 28 de setembro a 4 de outubro de 2008

Foto: Vitória S/A

:: Tu Tens Grande História ::

Sirí estabeleceu recorde rubro-negro em 1943

Atleta desbancou o Galícia tricampeão, marcando sete gols em uma partida

 

"A Praia de Santana, no Rio Vermelho, foi durante os anos de 37 até mais ou menos 1946 um dos locais onde mais foram descobertos craques para o futebol baiano. Ali foram dados os primeiros passos de algumas dezenas de jogadores que brilharam nos diversos clubes que integravam a Divisão de Profissionais. Prevalecia contudo, em muitos deles o espírito amadorista como era o caso Cyridião de Araújo Viana, ou melhor Sirí, centroavante descendente de uma família onde todos os seus irmãos também eram bons atletas e todos eles envergavam a camisa rubro-negra, como Bengalinha, Bode, que anos depois se transferiu para o Corinthians de São Paulo e Luiz; Sirí foi um dos maiores ídolos da torcida do Vitória quando os jogos eram disputados no Campo da Graça. Malicioso, exímio driblador e artilheiro nato. Perigo constante para as retaguardas adversárias. Se levava um pontapé, retribuía na primeira oportunidade, xingava, e não tinha medo de cara feia. Foi o atleta que marcou o maior número de gols em uma só partida, recorde este que somente foi quebrado depois pelo Rei Pelé. Foi numa partida Vitória x Galícia quando o rubro-negro marcou 9x1. Exatamente numa época que o Galícia estava embalado sendo cognominado de "Demolidor de Campeões".

Sirí era acadêmico de Direito e tratado pelos colegas de time por Tenente em vista de haver concluído o Curso do Centro de Preparação para Oficiais da Reserva do Exército. Integrou em várias oportunidades a seleção da Bahia em certames nacionais e titular absoluto da representação da Fube durante anos, inclusive campeão brasileiro. Pertenceu à famosa batucada rubro-negra que comparecia em todas as competições que o Vitória disputava. Remo, basquete ou natação.

Siri entre Carmine e Durval (Foto: Revista Histórica Um Menino de 84 anos)

Sirí, o maior fura redes em um só jogo

...O centroavante Sirí, artilheiro do Vitória formava também entre aqueles que acreditavam na história de Nova, "filho de santo". Todas as vezes que o Galícia entrava em campo, o seu goleiro seguia na frente dos companheiros rodando com a bola sobre o seu dedo indicador, até a meia lua do campo e só entregava ao juíz. O espetáculo era realmente bonito e todos aplaudiam.

Vitória e Galícia estavam em igualdade de pontos no campeonato de 43. No dia do jogo entre estes dois clubes, Sirí foi o primeiro a chegar no vestiário e enquanto a preliminar estava sendo disputada, ficou conversando com o roupeiro Zeca, aguardando a chegada do diretor de futebol. Quando o Sr. Manoel Barradas entrou no vestiário para escalar o time e deitar falação aos atletas, foi chamado ao lado por Sirí, que lhe pediu fosse o rubro-negro aquele dia, o primeiro clube a entrar em campo, mas revelou qual o motivo daquela solicitação apesar de insistentemente indagado pelo referido diretor como também pelos demais companheiros.

Foi atendido. O Vitória apareceu na cancha antes do seu adversário, cumprimentou a massa e seus jogadores ficaram batendo bola no gol que dava o fundo para a Padaria Rio Branco, na Av. Euclides da Cunha, esperando o time granadeiro. Sem que qualquer pessoa percebesse, Sirí ficou escondido atrás da jaula (sim, no campo da Graça havia uma jaula onde os atletas assinavam a súmula e servia de passagem para o campo, utilizada apenas pelos atletas, juiz e bandeirinhas).

O Galícia demorou muito para aparecer. Quando isto aconteceu, no momento que o goleiro Nova jogou a bola ao alto para repetir a tradicional cena, Sirí saiu do esconderijo deu um pulo arrebatando a mesma antes que esta chegasse aos dedos do guardião alvi azul, e correu para o meio de campo entregando-a minutos depois ao Sr. Antonio Bernardo, árbitro da partida. Aquele gesto do arisco jogador do Vitória irritou o grande goleiro que tomando de surpresa não pôde esboçar qualquer reação mas percebia-se o seu nervosismo chegando ao ponto de correr em perseguição ao jogador adversário, sem porém alcançar o seu objetivo.

9x1 

Superstição ou não o certo é que o Galícia sofreu a sua mais humilhante derrota, baqueando por 9x1 e para completar aquela tarde, Sirí marcou 7 gols, ganhando o título de maior artilheiro do Brasil em uma só partida. Este recorde que permaneceu em seu poder durante 17 anos, foi quebrado pelo inconfundível Pelé."

Pesquisa: Revista histórica "Um Menino de 84 Anos" (transcrição do texto original). 

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