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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 20 - 25 a 31 de maio de 2008

Fonte: Jornal A Tarde

:: Tu Tens Grande História ::

Organizadas brilham no Vitória desde os anos 40

Da Batucada à Camisa 12, passando pela Dragões da Fiel, torcidas sempre estiveram ao lado do Leão

Luciano Santos

A torcida do Vitória pode ser considerada umas das precursoras do movimento de torcidas organizadas no Brasil. O jornalista Fernando Protazio, autor da revista histórica "Um Menino de 84 Anos", conta que "... muito antes do aparecimento da Charanga do Flamengo, sob a batuta de Jaime Carvalho, o Esporte Clube Vitória já animava as competições que participava com a sua famosa Batucada, entoando músicas próprias do clube ...". A Charanga flamenguista data de 1942 e é considerada uma das primeiras torcidas do futebol brasileiro.

Depois da Batucada, no início dos anos 40, o Leão passou a contar com a orquestra de Britinho e Seus Stukas na animação da torcida. Chegaram lideranças individuais como Osvaldo Hugo Sacramento, o Barão de Mococoff, que foi sucedido por Natal Silvani. Da década de 70 para cá, Alvinho Barriga Mole e Rosicleide Aquino se alternaram no "comando" da galera rubro-negra.

Em 1976, o Vitória contava com a torcida Vanguarda Rubro-Negra, liderada por José Manta, e que tinha em Dona Carolina a líder da Ala Feminina. A Vanguarda foi a primeira a encarnar o espírito atual das organizadas. Acompanhava o clube no interior e tinha bandeiras e faixas alusivas ao amor pelo Leão da Barra: "Com o Vitória onde ele estiver", "Até que a morte nos separe".

A Vanguarda levava suas bandeiras com frases de apoio ao Vitória  (Fonte: História do Ba-Vi)

Nos anos 70, os torcedores do Vitória ainda lançaram mais algumas torcidas uniformizadas, casos da Dragões da Fiel, do líder Valmiro, a Império Rubro-Negro, que tinha Maneca Reis como presidente, a Leões da Fiel em sua primeira formação, a Vibrotas, Vitoraça, entre outras.

A Dragões era formada por rubro-negros de meia-idade e tinha as bandeiras mais bonitas da Fonte Nova. Era um show à parte a entrada da torcida no anel superior do Octávio Mangabeira e, principalmente em dias de clássico, era alvo dos aplausos da torcida rubro-negra não uniformizada.

A Império tinha em sua formação jovens de classe média-alta da Pituba, muitos instrumentos de percussão. Alternava sua localização, ficando no centro das arquibancadas, em frente à tribuna de honra, em jogos decisivos que não fossem contra o maior rival, ou na arquibancada inferior, atrás do alambrado no fundo do gol "da ladeira".

A Torcida Leões da Fiel, oriunda do Rio Vermelho em sua primeira formação, tinha Cláudio Mattos, colunista da Revista do BOL, como um dos seus líderes. Era uma das maiores torcidas e uma das mais animadas. Também alternava sua localização na Fonte Nova, mas ficava mais na parte superior.

A Vitoraça, até a chegada da Torcida Os Imbatíveis, pode ser considerada a mais animada uniformizada do clube. Era composta por pessoas de todos os bairros e classes sociais, e responsável pela "muvuca" e incentivo que saiam das arquibancadas inferiores, ao lado das cadeiras. Era a Vitoraça que organizava protestos no estádio, pedia a saída de um ou outro jogador de campo, e, principalmente, incentivava o clube. Foi da torcida que surgiu o grito "Neeegooo", até hoje utilizado pela massa rubro-negra.

Anos 80 com Falange e Leões da Fiel

Na década de 80, surgiram a Vitochopp, Vitomassa, Viscão, Garra de Leão, Falange Rubro-Negra, Barradão e a Leões da Fiel, recriada por Carlinhos da Fiel. As últimas três surgiram na Fonte Nova e estavam vivas na inauguração do Estádio Manoel Barradas.

A Falange Rubro-Negra, criada por Guga, Niltinho e Luciano (os dois últimos da Revista do BOL), brilhou nas arquibancadas entre 1984 e 1988. Dividiu, em 1985, o prêmio de melhor torcida do Estado com a Bamor, do rival Bahia, numa premiação oferecida pela Federação Bahiana de Futebol. Os laços de cordialidade existentes à época permitiram, inclusive, que Falange e Bamor fizessem a preliminar de

Aniversário da Fúria Rubro-Negra em 2002 (Foto: Luciano Santos)

um Ba-Vi na Fonte Nova. O resultado não poderia ser outro: Falange Rubro-Negra 3x0.

 

A Leões da Fiel foi, sem dúvidas, a maior torcida rubro-negra nas décadas de 80 e 90. O líder Carlinhos, incansável na direção da Torcida, deu projeção internacional à Leões, estando presente

em duas Copas do Mundo com faixa e bandeiras.

Surge a Torcida Os Imbatíveis

Em 1992, a Torcida Jovem foi fundada e, um ano depois, foi destaque na campanha do Vitória no Campeonato Brasileiro. Já na fase de utilização plena do Barradão, ganhou companhia das organizadas Xavante, Mancha Rubro-Negra, Viloucura, União Rubro-Negra, Rei Leão, 12° Comando, Fúria, Leão de Raça, Máfia e Comando Vermelho e Preto.

No ano de 1997, surgiu a Torcida Uniformizada Os Imbatíveis, oriunda da Torcida Jovem. A TUI, como passou a ser conhecida, se tornou a maior torcida organizada de todos os tempos, tanto em tamanho, quanto em vibração e organização.

A diretoria do Vitória restringiu, em 2003, o

Torcida Os Imbatíveis no Barradão (Foto: Luciano Santos)

apoio, com ingressos subsidiados, a apenas quatro torcidas: TUI, Leões da Fiel, Comando Vermelho e Preto e a Jovem Rubro-Negro, dissidência da Viloucura que se uniu à Mancha Rubro-Negra. A Viloucura, assim como os Grupos de Elite e Amigos do Leão, permaneceram atuantes e independentes dos subsídios.

Após cinco anos sem movimentações, as torcidas do Vitória voltam a agitar o Barradão. Neste sábado, 24/5, foi lançada a mais nova torcida do Leão, a Camisa 12, que une a Jovem Rubro-Negro e a lendária Leões da Fiel. A nova torcida ocupará o local antes destinado à Leões da Fiel, no fundo do gol da concentração. A TUI continuará no fundo do gol da ladeira, enquanto Comando e Viloucura ficam à esquerda e direita das cadeiras cativas, respectivamente.

Fonte: livro Barradão: alegria, emoção e Vitória.

 

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