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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 14 - 13 a 19 de abril de 2008

Fonte: A Tarde

:: Índio Maravilha ::

A Toca do Leão vira oca de Índio

Com 24 anos, Índio chega ao clube onde se consagraria como grande jogador

Tiago Ferreira Bittencourt

A chegada ao Leão foi em 22 de outubro de 2005, mais de um mês depois do clube ter sido rebaixado para a 3ª Divisão do Campeonato Brasileiro. O Vitória firmou contrato de três anos com ele e pagou metade dos direitos federativos junto ao Ipitanga. Dezenove dias antes, a primeira leva de jogadores do Tucano desembarcava na Toca: Marquinhos (meia), Garrinchinha (meia), Davi (atacante) e Bida (então atacante). 

Para ele, a carreira no Vitória começou de verdade em 2006, no Campeonato Baiano. Índio marcou 13 gols, número, aliás, que para ele não trouxe azar. Na Série C, 13 também foi o número de gols marcados. 

Não foi neste ano que ele caiu completamente nas graças da torcida. Já era considerado um jogador importante, mas quem se destacou foi Leandro Domingues, que resolveu acordar e tomar para si a responsabilidade de liderar o Vitória de volta à Segundona. 

Chegou 2007 e o estouro. Foram 26 gols no Baianão, oito em apenas três BAVIs. O primeiro foi em um empate no Barradão, em 11 de fevereiro. Outros três vieram um mês depois, na vitória por 4 a 2 na Fonte Nova. No primeiro confronto do quadrangular final, ele fez nada menos do que quatro gols em uma partida que terminou em um espetacular placar de 6x5, em 22 de abril. Em uma destas brincadeiras da vida, o “Índio” foi o destaque no dia do descobrimento do Brasil. 

Depois disso, todos os meios de comunicação queriam ter a sua voz, a sua imagem, um simples comentário que fosse. O Brasil acordou para Índio e já imaginavam sua convocação para a Seleção Brasileira e venda para algum grande clube europeu. Como precaução, o Vitória renovou seu contrato por mais um ano, até o fim de 2009. Surgia o “Cacique”, o “Índio Maravilha”. 

As especulações começaram a aparecer com freqüência. Repórteres cariocas procuraram a direção para comentar um suposto interesse do Flamengo. O Vasco chegou a propor que Índio fosse liberado gratuitamente para jogar a Série A e o clube receberia uma parte do dinheiro de uma possível transferência para o exterior, o que foi recebido no Vitória como “piada”.

 

Edinho Nazareth, então diretor de futebol, chegou a dizer que recebeu uma proposta de US$2 milhões de um clube japonês e que não haveria negociação por menos de US$4 milhões, cerca de R$8 milhões na época. 

Porém, depois do alto, veio o baixo. Começou a 2ª Divisão e Índio caiu de produção. A marcação mais forte dos adversários que já estavam cientes da sua habilidade foi a justificativa. Enquanto ele descia na cotação da torcida, o atacante Joãozinho, tão criticado durante o Baianão, vinha sendo o destaque rubro-negro na Série B. Os cinco gols do cacique foram até a 12ª rodada.

Índio escreveu seu nome na história do Vitória (Fotos: Francisco Ribeiro)

Em seguida, as flechadas cessaram. 

Virou o ano e em 2008 ele queria recuperar sua imagem junto a torcida. Mas problemas com lesões o impediram de estrear junto com o time no Campeonato Baiano. Somente na 12ª rodada ele pisou o gramado, e marcou o gol de honra na derrota por 2 a 1 para o Itabuna. 

Índio até que começou bem, marcando mais cinco gols nas seis partidas seguintes. Aí, a história chegou ao fim. O Gyeongnam, da Coréia do Sul, acertou o empréstimo do atacante até 31 de dezembro de 2009. Pela negociação, o Vitória ficou de receber US$500 mil. No caso dos orientais quererem adquirir os direitos federativos do atleta, terão de pagar mais US$1,5 milhão. 

Para a transferência se concretizar, no dia 21 de março Índio renovou contrato com o Vitória até 31 de dezembro de 2011. O empréstimo foi consumado em 25 de março, mesmo dia em que Vágner Mancini foi anunciado como novo treinador.  

A divulgação só aconteceu dois dias depois. Quando Índio entrou em campo no dia 26, o torcedor ainda não sabia que ele já estava de malas prontas para o continente asiático, onde viria a receber do clube um apartamento, um carro 0 km, e a cada gol que fizer engordará a conta bancária em US$6 mil. 

Coincidentemente, a última partida dele com a camisa rubro-negra foi contra seu ex-clube. Na Toca do Guaimum, em Porto Seguro, o Vitória venceu o Ipitanga por 3 a 2. O desempate veio aos 46 minutos do segundo tempo. Rodrigão completou para o gol livre. Adivinha de quem foi o cruzamento?

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