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Índio Maravilha ::
A Toca do Leão vira oca de Índio
Com 24 anos, Índio chega ao clube onde se
consagraria como grande jogador
Tiago Ferreira Bittencourt
A chegada
ao Leão foi em 22 de outubro de 2005, mais de um mês depois do
clube ter sido rebaixado para a 3ª Divisão do Campeonato
Brasileiro. O Vitória firmou contrato de três anos com ele e
pagou metade dos direitos federativos junto ao Ipitanga.
Dezenove dias antes, a primeira leva de jogadores do Tucano
desembarcava na Toca: Marquinhos (meia), Garrinchinha (meia),
Davi (atacante) e Bida (então atacante).
Para ele,
a carreira no Vitória começou de verdade em 2006, no Campeonato
Baiano. Índio marcou 13 gols, número, aliás, que para ele não
trouxe azar. Na Série C, 13 também foi o número de gols
marcados.
Não foi
neste ano que ele caiu completamente nas graças da torcida. Já
era considerado um jogador importante, mas quem se destacou foi
Leandro Domingues, que resolveu acordar e tomar para si a
responsabilidade de liderar o Vitória de volta à Segundona.
Chegou
2007 e o estouro. Foram 26 gols no Baianão, oito em apenas três
BAVIs. O primeiro foi em um empate no Barradão, em 11 de
fevereiro. Outros três vieram um mês depois, na vitória por
4 a 2 na Fonte Nova. No
primeiro confronto do quadrangular final, ele fez nada menos do
que quatro gols em uma partida que terminou em um espetacular
placar de 6x5, em 22 de
abril. Em uma destas brincadeiras da vida, o “Índio” foi o
destaque no dia do descobrimento do Brasil.
Depois
disso, todos os meios de comunicação queriam ter a sua voz, a
sua imagem, um simples comentário que fosse. O Brasil acordou
para Índio e já imaginavam sua convocação para a Seleção
Brasileira e venda para algum grande clube europeu. Como
precaução, o Vitória renovou seu contrato por mais um ano, até o
fim de 2009. Surgia o “Cacique”, o “Índio Maravilha”.
As
especulações começaram a aparecer com freqüência. Repórteres
cariocas procuraram a direção para comentar um suposto interesse
do Flamengo. O Vasco chegou a propor que Índio fosse liberado
gratuitamente para jogar a Série A e o clube receberia uma parte
do dinheiro de uma possível transferência para o exterior, o que
foi recebido no Vitória como “piada”.
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Edinho
Nazareth, então diretor de futebol, chegou a dizer que recebeu
uma proposta de US$2 milhões de um clube japonês e que não
haveria negociação por menos de US$4 milhões, cerca de R$8
milhões na época.
Porém,
depois do alto, veio o baixo. Começou a 2ª Divisão e Índio caiu
de produção. A marcação mais forte dos adversários que já
estavam cientes da sua habilidade foi a justificativa. Enquanto
ele descia na cotação da torcida, o atacante Joãozinho, tão
criticado durante o Baianão, vinha sendo o destaque rubro-negro
na Série B. Os cinco gols do cacique foram até a 12ª rodada.
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Índio
escreveu seu nome na história do Vitória
(Fotos: Francisco Ribeiro) |
Em
seguida, as flechadas cessaram.
Virou o
ano e em 2008 ele queria recuperar sua imagem junto a torcida.
Mas problemas com lesões o impediram de estrear junto com o time
no Campeonato Baiano. Somente na 12ª rodada ele pisou o gramado,
e marcou o gol de honra na derrota por 2 a 1 para o Itabuna.
Índio até
que começou bem, marcando mais cinco gols nas seis partidas
seguintes. Aí, a história chegou ao fim. O Gyeongnam, da Coréia
do Sul, acertou o empréstimo do atacante até 31 de dezembro de
2009. Pela negociação, o Vitória ficou de receber US$500 mil. No
caso dos orientais quererem adquirir os direitos federativos do
atleta, terão de pagar mais US$1,5 milhão.
Para a
transferência se concretizar, no dia 21 de março Índio renovou
contrato com o Vitória até 31 de dezembro de 2011. O empréstimo
foi consumado em 25 de março, mesmo dia em que Vágner Mancini
foi anunciado como novo treinador.
A
divulgação só aconteceu dois dias depois. Quando Índio entrou em
campo no dia 26, o torcedor ainda não sabia que ele já estava de
malas prontas para o continente asiático, onde viria a receber
do clube um apartamento, um carro 0 km, e a cada gol que fizer
engordará a conta bancária em US$6 mil.
Coincidentemente, a última partida dele com a camisa rubro-negra
foi contra seu ex-clube. Na Toca do Guaimum, em Porto Seguro, o
Vitória venceu o Ipitanga por 3 a 2. O desempate veio aos 46
minutos do segundo tempo. Rodrigão completou para o gol livre.
Adivinha de quem foi o cruzamento?
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Índio acabou com o rival
pela primeira vez
A flechada que entrou para a
história
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