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Mulheres e rubro-negras ::
Nada
de repouso, eu quero ver o Leão!
“Eu,
super nova, saía com um primo um ano mais novo. Íamos juntos
pra Fonte Nova”.
Tiago
Ferreira Bittencourt
Era
Vitória x Ferroviário,
antepenúltima rodada da fase final da Série C 2006. Uma vitória
no Barradão asseguraria a vaga rubro-negra na Série B 2007. E
o Vitória vinha embalado por quatro
vitórias consecutivas.
Impossível
perder, não é? Foi o que pensou Chenia Dantas Lara. A moça,
hoje com 26 anos, havia feito uma operação de apendicite há
15 dias e estava de licença, por mais uma semana, do hospital São
Rafael, onde atuava como fisioterapeuta.
Mas, isso não foi
empecilho para que ela saísse de casa, com uma amiga, rumo ao
estádio Manoel Barradas. Diga-se de passagem, escondida dos
pais, que só agora ficarão sabendo desta estripulia.
As
recomendações eram bem claras: Não pegar peso, não fazer
atividade física, não pular. “Foi só o que eu fiz: pular.
Um ponto (da operação) soltou neste jogo. Mas já estava
cicatrizado”, ri.
Atos
heróicos
A
história de grandes feitos como torcedora rubro-negra não começou
a menos de dois anos. As fugas de casa para ver jogos do Vitória
iniciaram-se cedo: “Eu, super nova, saía com um primo um ano
mais novo que eu, ele torcedor do Bahia. Íamos juntos pra Fonte
Nova e ficávamos cada um em seu canto. Eu ficava na Leões (da
Fiel)”.
Vale
ressaltar que os pais delas não eram muito afeitos à idéia da
garota ir ao clássico BAVI. Muito menos com um primo mais novo.
As chamadas “mentiras saudáveis” eram o jeito para Chenia
Lara curtir o time do coração.
Quando
não tinha o primo, os amigos eram as companhias. E quando nada
disso dava certo, o jeito era apelar para o bom e velho radinho.
É assim até hoje.
Chatos
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Em
1993, o Vitória encantava o Brasil com a geração de Alex
Alves, Paulo Isidoro, Dida, dentre outros. No Brasileirão, o
time só foi parado na final, pela máquina de craques do
Palmeiras. Nesta época, Chenia morava no interior baiano, e
começou a torcer pelo Leão.
Ela
veio para Salvador no fim de 93, com 12 anos. Quando o ano
letivo começou, ela se viu estudando em uma turma com vários
garotos que torciam pelo maior rival. “Acho que eles carregam
uma herança genética. Eles são chatos de natureza”.
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A
“chatice” tricolor foi até um fator positivo para aumentar
a paixão de Chenia pelo Vitória: “Depois que comecei a
conviver com eles, passei a me interessar mais pelo meu time,
para discutir com eles”.
Hoje,
a família Lara, que só gostava de futebol em tempos de Copa do
Mundo, está um pouco mudada. Por causa de Chenia, a mãe, Dona
Conceição, e a irmã, Neila, já podem ser consideradas
rubro-negras. Mas, a mais fiel e dedicada continua sendo a própria.
Emoção
é na arquibancada!
Pergunte
qual o jogo da vida de Chenia, que ela tem a resposta na ponta
da língua. É o mesmo de milhares de rubro-negros: Bahia 5x6
Vitória, na primeira rodada da fase final do Baianão 2007. Um
jogo impróprio para cardíacos, que ela tenta descrever a emoção:
“Eu não acreditava que o time do Itinga tinha conseguido
empatar. Já me encontrava sem voz naquela altura do jogo,
mas sempre que Índio pegava na bola a esperança ressurgia",
lembra.
"E
quando ele deu aquele chute de fora da área, o percurso que a
bola fez parecia ser eterno. Não acreditei quando entrou. Eu
chorava e abraçava os desconhecidos”, sorri a rubro-negra.
Bom
mesmo é ir para o estádio. Só que ela não está podendo
fazer o que gosta. “Isso é o que mais me incomoda. Não vou
ao Barradão sozinha, e para ir com meu namorado (Alan) é
complicado demais. Ele não torce pra time nenhum e não gosta
que eu vá com amigos. A gente quase termina por isso”.
O
casal vai ter que conversar muito para resolver o problema. “Não
sei como é que vai ficar a nossa vida quando o Brasileirão
começar. Eu estou tentando melhorar essa situação ainda, mas
vai ser aos poucos”.
Colabora
aí, Alan!
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