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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 10 - 9 a 15 de março de 2008

Arquivo pessoal

:: Mulheres e rubro-negras ::

Nada de repouso, eu quero ver o Leão!

“Eu, super nova, saía com um primo um ano mais novo. Íamos juntos pra Fonte Nova”.

Tiago Ferreira Bittencourt

Era Vitória x Ferroviário, antepenúltima rodada da fase final da Série C 2006. Uma vitória no Barradão asseguraria a vaga rubro-negra na Série B 2007. E o Vitória vinha embalado por quatro vitórias consecutivas.

Impossível perder, não é? Foi o que pensou Chenia Dantas Lara. A moça, hoje com 26 anos, havia feito uma operação de apendicite há 15 dias e estava de licença, por mais uma semana, do hospital São Rafael, onde atuava como fisioterapeuta. 

Mas, isso não foi empecilho para que ela saísse de casa, com uma amiga, rumo ao estádio Manoel Barradas. Diga-se de passagem, escondida dos pais, que só agora ficarão sabendo desta estripulia.

As recomendações eram bem claras: Não pegar peso, não fazer atividade física, não pular. “Foi só o que eu fiz: pular. Um ponto (da operação) soltou neste jogo. Mas já estava cicatrizado”, ri.

Atos heróicos

A história de grandes feitos como torcedora rubro-negra não começou a menos de dois anos. As fugas de casa para ver jogos do Vitória iniciaram-se cedo: “Eu, super nova, saía com um primo um ano mais novo que eu, ele torcedor do Bahia. Íamos juntos pra Fonte Nova e ficávamos cada um em seu canto. Eu ficava na Leões (da Fiel)”.

Vale ressaltar que os pais delas não eram muito afeitos à idéia da garota ir ao clássico BAVI. Muito menos com um primo mais novo. As chamadas “mentiras saudáveis” eram o jeito para Chenia Lara curtir o time do coração.

Quando não tinha o primo, os amigos eram as companhias. E quando nada disso dava certo, o jeito era apelar para o bom e velho radinho. É assim até hoje.

Chatos

Arquivo pessoal

Em 1993, o Vitória encantava o Brasil com a geração de Alex Alves, Paulo Isidoro, Dida, dentre outros. No Brasileirão, o time só foi parado na final, pela máquina de craques do Palmeiras. Nesta época, Chenia morava no interior baiano, e começou a torcer pelo Leão.

Ela veio para Salvador no fim de 93, com 12 anos. Quando o ano letivo começou, ela se viu estudando em uma turma com vários garotos que torciam pelo maior rival. “Acho que eles carregam uma herança genética. Eles são chatos de natureza”.

A “chatice” tricolor foi até um fator positivo para aumentar a paixão de Chenia pelo Vitória: “Depois que comecei a conviver com eles, passei a me interessar mais pelo meu time, para discutir com eles”.

Hoje, a família Lara, que só gostava de futebol em tempos de Copa do Mundo, está um pouco mudada. Por causa de Chenia, a mãe, Dona Conceição, e a irmã, Neila, já podem ser consideradas rubro-negras. Mas, a mais fiel e dedicada continua sendo a própria.

Emoção é na arquibancada!

Pergunte qual o jogo da vida de Chenia, que ela tem a resposta na ponta da língua. É o mesmo de milhares de rubro-negros: Bahia 5x6 Vitória, na primeira rodada da fase final do Baianão 2007. Um jogo impróprio para cardíacos, que ela tenta descrever a emoção: “Eu não acreditava que o time do Itinga tinha conseguido empatar. Já me encontrava sem voz naquela altura do jogo, mas sempre que Índio pegava na bola a esperança ressurgia", lembra. 

"E quando ele deu aquele chute de fora da área, o percurso que a bola fez parecia ser eterno. Não acreditei quando entrou. Eu chorava e abraçava os desconhecidos”, sorri a rubro-negra.

Bom mesmo é ir para o estádio. Só que ela não está podendo fazer o que gosta. “Isso é o que mais me incomoda. Não vou ao Barradão sozinha, e para ir com meu namorado (Alan) é complicado demais. Ele não torce pra time nenhum e não gosta que eu vá com amigos. A gente quase termina por isso”.

O casal vai ter que conversar muito para resolver o problema. “Não sei como é que vai ficar a nossa vida quando o Brasileirão começar. Eu estou tentando melhorar essa situação ainda, mas vai ser aos poucos”.

Colabora aí, Alan!

Confira:

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