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Entrevista ::
Carlos Augusto - Grupo de Aracaju
"Hoje, fico orgulhoso, pois
muitos não sabem nem o meu nome e me chamam de VITÓRIA!"
Tiago
Ferreira Bittencourt
Pela
proximidade com Salvador, pouco mais de 300 quilômetros de
distância, Aracaju reúne um grande número de baianos e
torcedores do Vitória. Foi percebendo isso que Carlos Augusto de
Santana e mais um grupo de amigos criaram o Grupo de Aracaju,
denominação que terminou ganhando a trupe rubro-negra.
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Carlos Augusto |
Mesmo morando há 22 anos na
capital sergipana, Carlos Augusto e os outros integrantes mantêm as raízes
baianas. Os parentes em Salvador são sempre visitados, tendo como estímulo os
jogos do Leão. É quando a paixão pela família e pelo clube do coração se divide
e a galera vem assistir aos jogos no Barradão.
Carlos Augusto, que também
cônsul do Vitória em Aracaju, conversou com o Barradão On Line. Confira: |
Barradão On Line: Quanto tempo você mora em Aracaju?
Carlos Augusto: Há 22 anos.
BOL: Quando e como surgiu o Grupo de Aracaju?
Carlos Augusto: Começou com um grupo de amigos num
bar chamado Última Sessão. Nos reuníamos em todos os jogos. Inclusive, compramos
a Brasil Sat 3 para assistirmos aos jogos do Baianão. Do ano passado pra cá,
começamos a nos afastar do estabelecimento devido ao fraco atendimento e de
alguns desentendimentos com nossos torcedores. Graças a Deus, nada grave, mas
vocês sabem, né? Cerveja, alegria, tristeza, amor ao clube, e foram acontecendo
fatos que nos afastaram. Mas, estamos de olho em outro espaço que o dono é
Vitória.
BOL: Quais as maiores dificuldades de reunir torcedores
do Vitória na capital sergipana?
Carlos Augusto: Exatamente esse acima. Os donos de
bares aqui, pelo menos na sua maioria, são fracos administradores e não sabem
atender clientes e ver suas necessidades. Falta também alguém de visão que
entenda que Sergipe, hoje, é uma extensão da Bahia, pois vivem milhares de
baianos que, como eu, só torcem pelo time de sua terra. Aliado a isso, ainda tem
o fator bairrismo, que aqui é ridículo. Para se ter uma ideia, a imprensa daqui
as vezes nem os resultados dos nossos jogos dá.
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BOL: Em média, quantas pessoas se reúnem para assistir
aos jogos?
Carlos Augusto: Como não nos definimos como torcida
organizada, e sim como grupo, não fazemos esses levantamentos. Mas, como me
elegeram presidente honorário do Grupo, tenho cadastrado pelo menos umas 30
pessoas. E outros que vejo às vezes. |
BOL: O Grupo tem uma diretoria definida?
Carlos Augusto: Não. Como falei, não somos uma
organizada, porém temos membros fundadores: Eu, Théo, Bruno Botelho, Marivaldo,
Raquel, Charles, Geovane, Poliana, Luiz (Índio) e esposa, Luís (Lula), Robson,
Ulisses. Mas, temos ainda o Denilson, Júnior, Edvan, Vinícius, Luís Joacy,
Marcão, André, Augusto, Fernandez e esposa, Roque, Rogério, Rinaldo, Ricardo I e
II, Raimundo, Paulinho, Almir I e II, padre (não é apelido, não), Nilson Braz
(ex-jogador, tio do atacante Marcelo Ramos), Newton Acarajé, Marcelo, Manuela,
Malva, Gabriel, Fernando. Bom, esses são alguns dos que lembro. No entanto,
temos milhares de leoninos e leoninas aqui.
BOL: Vocês possuem materiais como faixas, bandeiras e
camisas?
Carlos Augusto: Na verdade, fizemos uma camisa
simples. Com os nomes, o escudo e um verso do hino antigo: “Procura mostrar todo
seu poder”. Temos bandeiras do clube sem nenhuma referência a nosso Grupo. E
faixas. Uma com dois escudos e escrito: “Grupo de Aracaju, a verdadeira
identidade. Tem uma que tremula sempre no Barradas, que é levada por meus
irmãos. Fica n’Os Imbatíveis. Uma branca com os dizeres: “Orgulho do Nordeste”.
É fácil identificar.
BOL: Saberia dizer em quantos os jogos o Grupo de
Aracaju marcou presença no estádio?
Carlos Augusto: Como temos parentes em Salvador e
redondezas, nem sempre descemos em caravana. Todos querem ver seus parentes. Aí
fica difícil irmos juntos e nos encontrarmos no Barradas. Geralmente, o campo
está cheio e nos reunimos em Grupos. Tipo quatro a cinco em cada lugar
diferente. Na última final (Vitória 2x2 Bahia, 2009), estávamos eu, Robson,
Edvan e Théo em um canto. Tomando aquele aguaceiro que, confesso, lavou minha
alma! E tinham outros em outros pontos. Fomos a Coruripe com três carros, a
Recife. E aí no Barradas é difícil contar. Eu, particularmente, vou no Baiano
umas duas a três vezes. No Brasileiro, eu costumo ir entre quatro e cinco.
Depende da situação. Vi o time ser rebaixado pra 2ª e 3ª Divisão e fiz questão
de vê-lo subir. Fui contra Ferroviário (para a 2ª), CRB e Remo (para a 1ª). Fora
aos grandes jogos que presenciei.
BOL: Qual o jogo mais marcante para a torcida?
Carlos Augusto: É unanimidade que foi aquele 5x4
contra o Vasco. Além do VIba final do ano passado.
BOL: Vocês já passaram por algum problema como torcida
adversárias?
Carlos Augusto: Já, mas coisas bobas que resolvemos
com conversa.

Grupo de Aracaju reunido para
assistir mais um jogo do Leão.
BOL: Já conseguiram converter sergipanos como torcedores
do Vitória?
Carlos Augusto: Converter é uma palavra forte.
Conseguimos ter a simpatia de muitos. Até porque, não só eu pelos meus 22 anos e
por conhecer quase todo mundo, mas pelos outros membros (baianos que somos),
sabemos entrar e sair de qualquer lugar. Isso facilita muito. Conseguimos que
muitos sejam simpatizantes e até que torçam pelo Vitória, porém eles ainda têm
os times do Rio-São Paulo como parâmetro, até pela falta do nosso tão esperado
título nacional.
BOL: Quais os próximos jogos que vocês virão assistir no
Barradão?
Carlos Augusto: Pretendemos fazer dobradinha. Dia 2,
o TETRA contra o “finado”, e contra o “Flamídia”, dia 16 de maio.
BOL: O Grupo costuma se reunir em ocasiões fora dos dias
de jogos?
Carlos Augusto: De vez em quando. Inclusive
realizamos uma feijoada no ano passado.
BOL: Quais sugestões de ações que contemplem torcedores
rubro-negros fora de Salvador você pode dar?
Carlos Augusto: Que esse projeto do cônsul tenha uma
dinâmica maior, pois quem se propôs a fazer parte não está interessado em
dinheiro ou aparecer, apenas quer ajudar o clube do seu coração, clube que
aprendi a amar com meu saudoso pai, José Augusto, e que já consegui fazer meu
filho Vitor Cauê a amar também. Gostaria que nos fosse dada uma carteira para
identificação e que pudéssemos indicar meninos para testes, mesmo que os mesmos
não fossem aprovados, estaríamos projetando o nome do nosso Leão.
BOL: Quais os contatos para quem quer fazer parte do
Grupo de Aracaju?
Carlos Augusto: Carlos Augusto, 79 8812-8147; Théo,
79 99491485 e 99961829; Luís (Lula), 79 88311544 e 32595512; Luiz (Índio), 79 99789527 e
32437407; Geovane, 79 99961549 e 32232957; Fernandez, 79 88556437 e 81248792. Robson
está em Salvador, mas vai sempre fazer parte de nosso Grupo (91461870). Agradeço
a atenção e quero fazer uma breve observação: quando aqui cheguei, ninguém sabia
distinguir o nosso manto do do “Flamídia”. Hoje, fico orgulhoso, pois muitos não
sabem nem o meu nome e me chamam de VITÓRIA! Isso me dá mais força pra estar
sempre levando o nome do nosso Leão aonde quer que esteja. Tenho 15 camisas do
Vitória e só não as visto quando não é apropriado. No mais, estou sempre com uma
camisa, short ou algo que me identifique.
“E SOLTA O LEÃO, PESSOAL DO BARRADÃO!”.
Por
Tiago Ferreira Bittencourt, em 23/04/10.
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