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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 109 - 7 a 13 de março de 2010

Fotos: Acervo pessoal Márcio Xavier

:: Entrevista ::

Márcio Xavier – diretor de vôlei do Vitória

“Precisamos da torcida nos ginásios, gerando mídia espontânea e despertando atenção dos patrocinadores”

Tiago Ferreira Bittencourt

Pioneiro em tantos esportes na Bahia, o Vitória também foi precursor do vôlei no estado. Nos últimos anos, não lembra o clube que disputava tantas competições do esporte no início dos anos 2000.

Márcio Xavier

Desde julho de 2009, Márcio Xavier, dono da Loja do Leão e ex-diretor da torcida Os Imbatíveis, está a frente da diretoria do voleibol e pretende mudar esse quadro. O clube já disputou e ganhou três competições, mas necessita de muito investimento para alçar voos mais altos e jornadas acima das estrelas.

Nessa conversa com o Barradão On Line, Márcio Xavier fala da situação dos esportes olímpicos no clube e na Bahia, estado que não tem participantes na Superliga (o Brasileirão do vôlei), ao contrário de outros menos representativos no cenário nacional. E ao final, deixa os contatos para quem quiser colaborar. 

Confira: 

Barradão On Line: Conte a sua história no vôlei. 

Márcio Xavier: Desde 1991, faço parte da APCEF - equipe dos funcionários da Caixa Econômica Federal. A partir de 2008, passei a jogar pelo time máster do Vitória (atletas acima de 39 anos).  

BOL: O que faltou ao Vitória para retornar antes a disputar torneios de vôlei? 

Márcio Xavier: Com a queda do time de futebol para a 2ª e depois 3ª Divisão, as equipes dos esportes olímpicos, à exceção do remo, foram desfeitas. As dificuldades financeiras fizeram com que somente no ano passado tivéssemos a oportunidade de montar uma equipe adulta masculina para retomar a história do clube no voleibol. 

Equipe adulta masculina, campeã da Copa Estado da Bahia em 2009.

BOL: Como foi o processo de montagem da equipe? Ocorreu em tempo adequado? 

Márcio Xavier: A ideia da volta ao voleibol surgiu quando participamos, em 2008, do Brasileiro Máster de Voleibol, em Saquarema/RJ. Observamos que havia vários atletas remanescentes da equipe campeã baiana de 2002 que ainda estavam em plena atividade, aptos a formar a base de uma nova equipe, que tomou corpo com os atletas mais jovens trazidos pelo professor Sandro Ricardo, a quem convidei para ser o nosso treinador. Naquele primeiro momento não houve planejamento, mas soubemos aproveitar a oportunidade de participar das três competições do segundo semestre, contando com a dedicação do nosso treinador e com a vontade dos atletas em fazer parte de um grupo que ama o voleibol e que estava carente de um clube de nome como o Vitória, com uma história vitoriosa no voleibol baiano. 

BOL: Quais são as categorias em que o clube atua? Há perspectiva de montar equipes em outras categorias? 

Márcio Xavier: No momento, estamos com as categorias masculinas adulto e máster, existindo boas perspectivas de formação da equipe feminina e também das equipes de base, caso consigamos fechar parcerias e captar patrocínios.   

BOL: Quais torneios foram disputados e em quais posições o time terminou? 

Márcio Xavier: Disputamos a Liga Baiana de Voleibol, o Torneio Aberto do SESC e a Copa Estado da Bahia, sendo campeões das três competições (todos na categoria adulto).   

BOL: Hoje, quais as dificuldades enfrentadas pelo departamento? 

Márcio Xavier: São muitas, começando pela falta de um ginásio para os treinos e jogos, passando pela falta de patrocínio e de um orçamento próprio para custear as nossas despesas. 

Márcio como jogador: equipe que ficou em quarto lugar no Brasileiro Máster em Saquarema (RJ), 2008.

BOL: É possível que aconteça uma parceria com alguma instituição, como temos vários exemplos? 

Márcio Xavier: Sim, existe essa possibilidade, que é hoje uma tendência no voleibol, fazendo com que o investimento seja dividido com o parceiro, que pode ser, por exemplo, uma faculdade que ceda o seu ginásio e bolsas de estudos para os atletas e, em contrapartida, tenha o seu nome agregado ao do Vitória, além de poder utilizar a sua logomarca nos uniformes.      

BOL: Atualmente, na Superliga Masculina, há equipes de estados menos representativos do que a Bahia no cenário nacional, como Álvares/Vitória (ES), Cimed (SC) e Funvic/Uptime Cuiabá (MT). O que falta para a Bahia ter representantes? 

Márcio Xavier: Primeiramente, falta o interesse dos governos estadual e municipal, que não criaram a estrutura de base necessária ao desenvolvimento do esporte. Hoje não temos, por exemplo, nenhum ginásio em condição de sediar um jogo da Seleção Brasileira de Voleibol, cuja última apresentação aqui ocorreu no distante ano de 1992. Essa falta de estrutura provoca a migração dos atletas mais talentosos para o vôlei de praia e para outros centros mais desenvolvidos, onde o voleibol é uma modalidade bastante atrativa para os patrocinadores. No caso do Cuiabá, por exemplo, a Prefeitura é um dos cinco patrocinadores e, além da equipe de competição, o município passou a contar com escolinhas de voleibol nas comunidades carentes, contribuindo para a formação de cidadãos através do esporte.  

BOL: O torcedor do Vitória pode sonhar em ver o clube na Superliga? Qual o prazo para isso? 

Márcio Xavier: Esse é o nosso sonho, hoje um tanto quanto distante, mas possível de ser alcançado. Para isso precisamos da presença da nossa torcida nos ginásios, gerando com isso mídia espontânea e despertando a atenção dos patrocinadores. Paralelamente, pensamos em apresentar à direção do clube um projeto adequado à Lei de Incentivo ao Esporte, que permite às pessoas jurídicas deduzirem até 6% do Imposto de Renda e as pessoas físicas até 1% do imposto devido, para ações de patrocínio ou até mesmo doações, constituindo-se em um excelente instrumento de captação de recursos. Além disso, estamos começando a desenvolver uma linha de produtos exclusiva do voleibol, como adesivos, chaveiros e camisas, para que tenhamos uma fonte de receita a mais, possibilitando ao torcedor contribuir para a manutenção da nossa equipe.    

Márcio Xavier e o técnico Sandro Ricardo: orgulho do troféu do Torneio Aberto do SESC, 2009.

BOL: De maneira geral, como andam os esportes olímpicos no clube? Quais os projetos e pretensões da diretoria? 

Márcio Xavier: O remo vai muito bem, tem uma tradição de vitórias e é hoje o esporte olímpico mais conhecido do clube; o futsal e o futebol feminino, assim como o vôlei, voltaram no ano passado, ainda carecem de uma melhor estrutura. Acreditamos que, com a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil, os esportes olímpicos no clube sejam mais valorizados e possam, com isso, atrair patrocinadores, contribuindo para - quem sabe? - formar atletas para representar o nosso país nas mais diversas modalidades.      

BOL: O que deve fazer quem quiser patrocinar a equipe, realizar parcerias ou colaborar de outra forma? 

Márcio Xavier: O empresário que quiser nos apoiar conta com várias opções para divulgar a sua marca: o nome da empresa formando o nome da equipe, espaço nos uniformes e ainda placas estáticas nos ginásios. Temos cotas a partir de R$1 mil, possibilitando a empresas de todos os portes aliarem-se a uma marca de vitoriosa e de tradição como a nossa. Instituições de ensino que queiram formar equipes de base e de competição também podem nos procurar. Nossos contatos: 9956-0900 e marcioxavierx@hotmail.com. 

BOL: Deixe seu recado final. 

Márcio Xavier: Agradeço a vocês do BOL, principalmente Renato Ribeiro (colunista), torcedor fanático e que vibra com o time, e aproveito para convocar a torcida a nos apoiar. 

BOL: Quais são os próximos desafios? 

Márcio Xavier: Copa Cidade de Salvador, em abril, Campeonato Baiano, de maio a setembro, e Brasileiro Máster-Fortaleza/CE, em junho. Ainda não tem datas e locais exatos. Informaremos no site oficial do clube.

Por Tiago Ferreira Bittencourt, em 04/03/10.

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