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Entrevista ::
Márcio Xavier – diretor de vôlei do
Vitória
“Precisamos da torcida nos
ginásios, gerando mídia espontânea e despertando atenção dos
patrocinadores”
Tiago
Ferreira Bittencourt
Pioneiro em
tantos esportes na Bahia, o Vitória também foi precursor do
vôlei no estado. Nos últimos anos, não lembra o clube que
disputava tantas competições do esporte no
início dos anos 2000.
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Márcio Xavier |
Desde
julho de 2009, Márcio Xavier, dono da
Loja do Leão e ex-diretor da torcida Os
Imbatíveis, está a frente da diretoria do voleibol e
pretende mudar esse quadro. O clube já disputou e ganhou
três competições, mas necessita de muito investimento
para alçar voos mais altos e jornadas acima das
estrelas.
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Nessa conversa
com o Barradão On Line, Márcio Xavier fala da situação dos
esportes olímpicos no clube e na Bahia, estado que não tem
participantes na Superliga (o Brasileirão do vôlei), ao
contrário de outros menos representativos no cenário nacional. E
ao final, deixa os contatos para quem quiser colaborar.
Confira:
Barradão On
Line: Conte a sua história no vôlei.
Márcio
Xavier: Desde 1991, faço parte da APCEF - equipe dos
funcionários da Caixa Econômica Federal. A partir de 2008,
passei a jogar pelo time máster do Vitória (atletas acima de 39
anos).
BOL: O que
faltou ao Vitória para retornar antes a disputar torneios de
vôlei?
Márcio
Xavier: Com a queda do time de futebol para a 2ª e depois 3ª
Divisão, as equipes dos esportes olímpicos, à exceção do remo,
foram desfeitas. As dificuldades financeiras fizeram com que
somente no ano passado tivéssemos a oportunidade de montar uma
equipe adulta masculina para retomar a história do clube no
voleibol.

Equipe adulta masculina, campeã da
Copa Estado da Bahia em 2009.
BOL: Como
foi o processo de montagem da equipe? Ocorreu em tempo adequado?
Márcio
Xavier: A ideia da volta ao voleibol surgiu quando
participamos, em 2008, do Brasileiro Máster de Voleibol, em
Saquarema/RJ. Observamos que havia vários atletas remanescentes
da equipe campeã baiana de 2002 que ainda estavam em plena
atividade, aptos a formar a base de uma nova equipe, que tomou
corpo com os atletas mais jovens trazidos pelo professor Sandro
Ricardo, a quem convidei para ser o nosso treinador. Naquele
primeiro momento não houve planejamento, mas soubemos aproveitar
a oportunidade de participar das três competições do segundo
semestre, contando com a dedicação do nosso treinador e com a
vontade dos atletas em fazer parte de um grupo que ama o
voleibol e que estava carente de um clube de nome como o
Vitória, com uma história vitoriosa no voleibol baiano.
BOL: Quais
são as categorias em que o clube atua? Há perspectiva de montar
equipes em outras categorias?
Márcio
Xavier: No momento, estamos com as categorias masculinas adulto
e máster, existindo boas perspectivas de formação da equipe
feminina e também das equipes de base, caso consigamos fechar
parcerias e captar patrocínios.
BOL: Quais
torneios foram disputados e em quais posições o time terminou?
Márcio
Xavier: Disputamos a Liga Baiana de Voleibol, o Torneio Aberto
do SESC e a Copa Estado da Bahia, sendo campeões das três
competições (todos na categoria adulto).
BOL: Hoje,
quais as dificuldades enfrentadas pelo departamento?
Márcio
Xavier: São muitas, começando pela falta de um ginásio para os
treinos e jogos, passando pela falta de patrocínio e de um
orçamento próprio para custear as nossas despesas.

Márcio como jogador: equipe que
ficou em quarto lugar no Brasileiro Máster em Saquarema (RJ),
2008.
BOL: É
possível que aconteça uma parceria com alguma instituição, como
temos vários exemplos?
Márcio
Xavier: Sim, existe essa possibilidade, que é hoje uma
tendência no voleibol, fazendo com que o investimento seja
dividido com o parceiro, que pode ser, por exemplo, uma
faculdade que ceda o seu ginásio e bolsas de estudos para os
atletas e, em contrapartida, tenha o seu nome agregado ao do
Vitória, além de poder utilizar a sua logomarca nos
uniformes.
BOL: Atualmente,
na Superliga Masculina, há equipes de estados menos
representativos do que a Bahia no cenário nacional, como
Álvares/Vitória (ES), Cimed (SC) e Funvic/Uptime Cuiabá (MT). O
que falta para a Bahia ter representantes?
Márcio
Xavier: Primeiramente, falta o interesse dos governos estadual
e municipal, que não criaram a estrutura de base necessária ao
desenvolvimento do esporte. Hoje não temos, por exemplo, nenhum
ginásio em condição de sediar um jogo da Seleção Brasileira de
Voleibol, cuja última apresentação aqui ocorreu no distante ano
de 1992. Essa falta de estrutura provoca a migração dos atletas
mais talentosos para o vôlei de praia e para outros centros mais
desenvolvidos, onde o voleibol é uma modalidade bastante
atrativa para os patrocinadores. No caso do Cuiabá, por exemplo,
a Prefeitura é um dos cinco patrocinadores e, além da equipe de
competição, o município passou a contar com escolinhas de
voleibol nas comunidades carentes, contribuindo para a formação
de cidadãos através do esporte.
BOL: O
torcedor do Vitória pode sonhar em ver o clube na Superliga?
Qual o prazo para isso?
Márcio
Xavier: Esse é o nosso sonho, hoje um tanto quanto distante,
mas possível de ser alcançado. Para isso precisamos da presença
da nossa torcida nos ginásios, gerando com isso mídia espontânea
e despertando a atenção dos patrocinadores. Paralelamente,
pensamos em apresentar à direção do clube um projeto adequado à
Lei de Incentivo ao Esporte, que permite às pessoas jurídicas
deduzirem até 6% do Imposto de Renda e as pessoas físicas até 1%
do imposto devido, para ações de patrocínio ou até mesmo
doações, constituindo-se em um excelente instrumento de captação
de recursos. Além disso, estamos começando a desenvolver uma
linha de produtos exclusiva do voleibol, como adesivos,
chaveiros e camisas, para que tenhamos uma fonte de receita a
mais, possibilitando ao torcedor contribuir para a manutenção da
nossa equipe.

Márcio Xavier e o técnico Sandro
Ricardo: orgulho do troféu do Torneio Aberto do SESC, 2009.
BOL: De
maneira geral, como andam os esportes olímpicos no clube? Quais
os projetos e pretensões da diretoria?
Márcio
Xavier: O remo vai muito bem, tem uma tradição de vitórias e é
hoje o esporte olímpico mais conhecido do clube; o futsal e o
futebol feminino, assim como o vôlei, voltaram no ano passado,
ainda carecem de uma melhor estrutura. Acreditamos que, com a
realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil, os esportes
olímpicos no clube sejam mais valorizados e possam, com isso,
atrair patrocinadores, contribuindo para - quem sabe? - formar
atletas para representar o nosso país nas mais diversas
modalidades.
BOL: O que
deve fazer quem quiser patrocinar a equipe, realizar parcerias
ou colaborar de outra forma?
Márcio
Xavier: O empresário que quiser nos apoiar conta com várias
opções para divulgar a sua marca: o nome da empresa formando o
nome da equipe, espaço nos uniformes e ainda placas estáticas
nos ginásios. Temos cotas a partir de R$1 mil, possibilitando a
empresas de todos os portes aliarem-se a uma marca de vitoriosa
e de tradição como a nossa. Instituições de ensino que queiram
formar equipes de base e de competição também podem nos
procurar. Nossos contatos: 9956-0900 e marcioxavierx@hotmail.com.
BOL: Deixe
seu recado final.
Márcio
Xavier: Agradeço
a vocês do BOL, principalmente Renato Ribeiro (colunista),
torcedor fanático e que vibra com o time, e aproveito para
convocar a torcida a nos apoiar.
BOL: Quais
são os próximos desafios?
Márcio
Xavier:
Copa Cidade de Salvador, em abril, Campeonato
Baiano, de maio a setembro, e Brasileiro Máster-Fortaleza/CE, em
junho. Ainda não tem datas e locais exatos. Informaremos no
site
oficial do clube.
Por
Tiago Ferreira Bittencourt, em 04/03/10.
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