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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 94 - 1 a 7 de novembro de 2009

Fonte: orkut

:: Entrevista ::

"Posso te garantir que não paramos por aqui"

A torcida do Vitória é grande, ama o seu time e sabe fazer a festa

A noite da última quarta-feira ficará guardada na história do Vitória, na mente e no coração do torcedor do Leão que compareceu ao Estádio Manoel Barradas para assistir o Rubro-Negro diante do Corinthians(SP).

Se o resultado em campo não agradou a 80% dos mais de 20.000 torcedores que estiveram no Barradão, o espetáculo dado pela torcida rubro-negra encantou a todos que estiveram no santuário do Leão da Barra.

O projeto "Barradão em Chamas", organizado por seis jovens rubro-negros, André, Bruno, Ivan, Kadu, Thiago Sonso e Wolton, com o auxílio direto de mais de uma dezena e a participação efetiva de três mil torcedores, que seguraram os fogos de artifício na entrada do Vitória em campo, foi um sucesso.

Em noite que a Torcida Os Imbatíveis apresentou nova faixa e novo bandeirão, as chamas dos piscas deixaram o Estádio Manoel Barradas com um brilho nunca visto em seus quase vinte e três anos de vida.

André Bonfim (Fonte: acervo pessoal)

O biólogo André Luís Ventin Bonfim, 33 anos, é um dos organizadores do "Barradão em Chamas". A sua vida rubro-negra começou aos 6 anos de idade, quando o primo Honorato Manoel Bonfim Oliveira, conselheiro e diretor do Vitória na década de 80, passou a levá-lo à Fonte Nova para os jogos do Leão. Entrava em campo com o time ao lado dos filhos do primo Honorato, que considera um pai, e depois assistia a partida nas cadeiras, bem próximo da Torcida Leões da Fiel.

O Barradão On Line conversou com André sobre o projeto "Barradão em Chamas" e a torcida do Vitória. Confira:

Barradão On Line: Como surgiu a idéia do Barradão em Chamas? Foi o mesmo grupo que organizou a fumaça vermelha e preta em outro jogo do Brasileirão?

André: A idéia foi trazida à comunidade oficial do Vitoria no Orkut, logo após o jogo Coritiba x Corinthians, quando a torcida do Coxa executou um evento chamado “Green Hell”. E onde é que nós entramos nisso? Nós fomos os organizadores do evento chamado “Neblina Rubro-Negra”, quando no jogo do Palmeiras nós levamos extintores de incêndio preenchidos com fumaças nas cores vermelha e preta.

"Neblina Rubro-Negra" na partida Vitória x Palmeiras (Fonte: orkut)

O evento foi muito bem aceito pela torcida, embora tenha melado muita gente (risos) e ai nós resolvemos manter o grupo unido para executar outra coisa. Quando surgiram os vídeos do “Green Hell” lá na comunidade, nós então tivemos a idéia de criar o “Barradão em Chamas”. 

BOL:  Quais os mecanismos que foram utilizados para divulgar e arrecadar fundos para o Barradão em Chamas? Você afirmaria que foi um projeto desenvolvido 100% a partir da web? 

André: Sim, este projeto nasceu e foi coordenado em grande parte pela Web. Quando nós criamos o projeto, a idéia que surgiu foi a de vender rifas com brindes oficiais do Vitoria, arrecadando assim os recursos necessários para compra dos piscas e montagem de toda a estratégia de marketing e comercialização das rifas. Para a comunicação interna dos organizadores, nós criamos uma comunidade fechada no Orkut e assim íamos coordenando as ações e fazendo o controle das vendas dos bilhetes. 

BOL:  Como a diretoria do Vitória recebeu a iniciativa? Ajudou em alguma coisa? 

André: Sem o apoio institucional, esse Projeto não teria acontecido. Primeiro, pela liberação da entrada de todo o material. São fogos inofensivos, mas foi preciso estabelecer uma relação de confiança entre nós e a Direção do Vitória para podermos viabilizar o Projeto. Para isso, nós colocamos as nossas idéias no papel de forma organizada, dimensionamos os custos, elaboramos as estratégias de segurança e solicitamos uma reunião com a direção do Clube. Essa reunião foi agendada por um torcedor chamado Marcus Laerte que, embora não seja um organizador, foi importante na criação do canal de comunicação.

Jorginho Sampaio no sorteio dos brindes do "Barradão em Chamas" (Fonte: acervo de André Bonfim)

A primeira pessoa lá dentro que abraçou o nosso Projeto foi o Bruno Carvalho, do Departamento de Marketing do time. Esse funcionário do Vitória foi extremamente solícito, competente e ativo durante todo o nosso Projeto. A segunda pessoa que nós não podemos deixar de citar é o diretor e vice-presidente Jorginho Sampaio, que durante a reunião se mostrou entusiasmado com a nossa iniciativa. Ele também

autorizou Bruno Carvalho a intermediar todas as negociações entre a gente e o clube, assim como viabilizar todos os brindes que nós solicitamos e dispor de espaço na mídia eletrônica oficial do time (site oficial e do marketing). 

Gostaria de citar também o Sr. Haroldo Tavares, que foi o funcionário responsável pela intermediação com o clube durante o evento dos extintores de fumaça. Sem a colaboração dele, aquilo não tinha acontecido, o que poderia até frustrar a realização do "Barradão em Chamas". 

BOL:  Qual a participação das torcidas organizadas no projeto? 

André: Foi necessário negociar com as torcidas organizadas e sincronizar as ações, pois é preciso valorizar e respeitar a importância que elas têm na história do clube. No caso, nós conversamos tanto com a direção da Camisa 12, como com a da Torcida Os Imbatíveis (TUI). Sérgio, presidente da Camisa 12, inclusive, emprestou a sua credibilidade junto ao fornecedor dos piscas para que nós pudéssemos fazer a encomenda do material. Não é fácil você fazer um pedido de 3.000 piscas com 40 dias de antecedência sem um tostão no bolso. Graças a Deus, nós conseguimos viabilizar todo o recurso para a compra dos piscas com 15 dias de antecedência e, como você mesmo viu, o material utilizado foi de boa qualidade e não causou nenhum incidente grave.  

Bandeirão da TUI na partida Vitória x Corinthians (Fonte: orkut)

Com a TUI houve uma preocupação especial, pois essa maravilhosa torcida organizada, da qual sou associado, estava comemorando 12 anos de existência no mesmo dia do nosso evento. Eles inclusive compraram, com recursos próprios, o maior bandeirão do Vitoria que eu já vi em minha vida. A preocupação toda era que, durante o nosso evento e a subida do Bandeirão, os piscas pudessem danificá-lo. Isso seria inaceitável. Então, houve uma reunião entre nós e a direção da TUI para sincronizar as ações e, graças a Deus, foi tudo como planejado. Agradeço ao Gabriel, presidente da TUI, e a Beira-Mar, puxador da torcida, pelo apoio e colaboração neste nosso evento. 

BOL:  Em tópico criado no orkut, você analisou a evolução da torcida do Vitória, com a criação de movimentos, associações e projetos como o Barradão em Chamas. O Barradão em Chamas pode evoluir para uma entidade organizada, abraçando outras ações que ultrapassem a fronteira do incentivo nas arquibancadas?  

André: Acho que não, pois o objetivo é exatamente criar uma mobilização coletiva da torcida do Vitoria. A grande mensagem que gostaríamos de passar foi exatamente aquela que você viu na última quarta-feira: a torcida do Vitória é grande, ama o seu time e sabe fazer a festa. O nosso foco é a postura do torcedor durante os jogos, é o incentivo à vibração, à execução dos cantos, à alegria de torcer pelo Vitória. É claro que eu, enquanto indivíduo, tenho preocupação com outros aspectos cuja origem está fora das arquibancadas, e nunca vou me furtar a dar a minha opinião e fazer a critica onde eu achar pertinente. Por outro lado, sempre levando em conta que o trabalho realizado nos últimos quatro anos pela atual direção do time tem mais acertos do que erros, e é preciso ter cuidado no que se diz em público, para não gerar intrigas desnecessárias ao clube. 

Como eu disse lá nesse mesmo tópico que você se refere, eu não almejo nada além da tentativa de mudar o perfil da torcida do Vitoria para melhor. Acredito que posso dar a minha colaboração como um torcedor comum. Aliás, qualquer um pode fazer isso. 

BOL:  O Movimento Sempre Vitória surgiu forte, a partir da tendência de torcidas da Argentina e do Rio Grande de Sul de torcer junto nas arquibancadas sem, no entanto, formar uma organizada. Muitos membros do MSV contribuíram com o Barradão em Chamas, se não estou enganado. O Barradão em Chamas pode fazer com que o MSV volte a se fortalecer ou são iniciativas distintas? 

André: O pessoal do MSV inclusive participou da comissão organizadora, na pessoa do Thiago Sonso. Kadu também foi do MSV. Alguns outros membros nos ajudaram a vender as rifas e distribuir os piscas. Assim como o pessoal das cadeiras cativas, na pessoa do Wolton, e da TUI, da qual eu, Kadu e Bruno somos associados. Então, como você pode ver, o Movimento "Barradão em Chamas" foi criado para que a torcida inteira do Vitoria se fortaleça. Para que torcedores passem a ir ao estádio com mais freqüência, se associem ao clube, comprem produtos oficiais, comprem pay-per-view, enfim, viva um pouco mais essa paixão pelo nosso Leão.  

BOL:  Para quando podemos esperar outro belo espetáculo como o que aconteceu na última quarta-feira no Barradão?  

André: Eu não sei, as coisas vão surgindo e ai gente vai conversando e tentando realizar, mas eu posso te garantir que não paramos por aqui. Certamente a gente deve preparar algo para o próximo Ba-Vi, inclusive, já estamos discutindo novos projetos lá na comunidade oficial do Vitoria no Orkut. 

BOL:  Deixa uma mensagem para a torcida do Vitória, André .... 

André: A nossa idéia é que toda a torcida crie esse espírito e comece a participar mais. Você que ama o seu time, lembre-se sempre de uma coisa: Não é o Vitoria que financia a torcida, mas sim a torcida que deve financiar o Vitoria.Saudações Rubro-Negras a todos.

 

    Vídeo: vinnytestify (youtube)

 

Por Luciano Santos em 31/10/09.

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