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Entrevista ::
"Posso te garantir que não
paramos por aqui"
A torcida do Vitória é grande, ama
o seu time e sabe fazer a festa
A noite da última quarta-feira
ficará guardada na história do Vitória, na mente e no coração do
torcedor do Leão que compareceu ao Estádio Manoel Barradas para
assistir o Rubro-Negro diante do Corinthians(SP).
Se o resultado em campo não
agradou a 80% dos mais de 20.000 torcedores que estiveram no
Barradão, o espetáculo dado pela torcida rubro-negra encantou a
todos que estiveram no santuário do Leão da Barra.
O projeto "Barradão em Chamas",
organizado por seis jovens rubro-negros,
André,
Bruno,
Ivan,
Kadu,
Thiago Sonso e
Wolton, com o auxílio direto de mais de uma dezena e a
participação efetiva de três mil torcedores, que seguraram os
fogos de artifício na entrada do Vitória em campo, foi um
sucesso.
Em noite que a Torcida Os
Imbatíveis apresentou nova faixa e novo bandeirão, as chamas dos
piscas deixaram o Estádio Manoel Barradas com um brilho nunca
visto em seus quase vinte e três anos de vida.
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André Bonfim (Fonte:
acervo pessoal) |
O biólogo André Luís Ventin
Bonfim, 33 anos, é um dos organizadores do "Barradão em
Chamas". A sua vida rubro-negra começou aos 6 anos de idade,
quando o primo Honorato Manoel Bonfim Oliveira, conselheiro e
diretor do Vitória na década de 80, passou a levá-lo à Fonte
Nova para os jogos do Leão. Entrava em campo com o time ao lado
dos filhos do primo Honorato, que considera um pai, e depois
assistia a partida nas cadeiras, bem próximo da Torcida Leões da
Fiel. |
O Barradão On Line
conversou com André sobre o projeto "Barradão em Chamas" e a
torcida do Vitória. Confira:
Barradão On Line:
Como surgiu a idéia do Barradão em Chamas? Foi o mesmo grupo que
organizou a fumaça vermelha e preta em outro jogo do
Brasileirão?
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André:
A idéia foi trazida à
comunidade oficial do Vitoria no Orkut, logo
após o jogo Coritiba x Corinthians, quando a torcida
do Coxa executou um evento chamado “Green Hell”. E
onde é que nós entramos nisso? Nós fomos os
organizadores do evento chamado “Neblina
Rubro-Negra”, quando no jogo do Palmeiras nós
levamos extintores de incêndio preenchidos com
fumaças nas cores vermelha e preta. |

"Neblina Rubro-Negra" na
partida Vitória x Palmeiras (Fonte: orkut) |
O evento foi muito bem aceito
pela torcida, embora tenha melado muita gente (risos) e ai
nós resolvemos manter o grupo unido para executar outra
coisa. Quando surgiram os vídeos do “Green Hell” lá na
comunidade, nós então tivemos a idéia de criar o “Barradão
em Chamas”.
BOL: Quais os
mecanismos que foram utilizados para divulgar e arrecadar fundos
para o Barradão em Chamas? Você afirmaria que foi um projeto
desenvolvido 100% a partir da web?
André:
Sim, este projeto nasceu e foi coordenado em grande parte pela
Web. Quando nós criamos o projeto, a idéia que surgiu foi a de
vender rifas com brindes oficiais do Vitoria, arrecadando assim
os recursos necessários para compra dos piscas e montagem de
toda a estratégia de marketing e comercialização das rifas. Para
a comunicação interna dos organizadores, nós criamos uma
comunidade fechada no Orkut e assim íamos coordenando as ações e
fazendo o controle das vendas dos bilhetes.
BOL: Como a
diretoria do Vitória recebeu a iniciativa? Ajudou em alguma
coisa?
André:
Sem o apoio institucional, esse Projeto não teria acontecido.
Primeiro, pela liberação da entrada de todo o material. São
fogos inofensivos, mas foi preciso estabelecer uma relação de
confiança entre nós e a Direção do Vitória para podermos
viabilizar o Projeto. Para isso, nós colocamos as nossas idéias
no papel de forma organizada, dimensionamos os custos,
elaboramos as estratégias de segurança e solicitamos uma reunião
com a direção do Clube. Essa reunião foi agendada por um
torcedor chamado Marcus Laerte que, embora não seja um
organizador, foi importante na criação do canal de comunicação.
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Jorginho Sampaio no
sorteio dos brindes do "Barradão em Chamas" (Fonte:
acervo de André Bonfim) |
A primeira pessoa lá
dentro que abraçou o nosso Projeto foi o Bruno
Carvalho, do Departamento de Marketing do time. Esse
funcionário do Vitória foi extremamente solícito,
competente e ativo durante todo o nosso Projeto. A
segunda pessoa que nós não podemos deixar de citar é
o diretor e vice-presidente Jorginho Sampaio, que
durante a reunião se mostrou entusiasmado com a
nossa iniciativa. Ele também |
autorizou Bruno Carvalho a
intermediar todas as negociações entre a gente e o clube,
assim como viabilizar todos os brindes que nós solicitamos e
dispor de espaço na mídia eletrônica oficial do time (site
oficial e do
marketing).
Gostaria de citar também o Sr.
Haroldo Tavares, que foi o funcionário responsável pela
intermediação com o clube durante o evento dos extintores de
fumaça. Sem a colaboração dele, aquilo não tinha acontecido, o
que poderia até frustrar a realização do "Barradão em Chamas".
BOL: Qual a
participação das torcidas organizadas no projeto?
André:
Foi necessário negociar com as torcidas organizadas e
sincronizar as ações, pois é preciso valorizar e respeitar a
importância que elas têm na história do clube. No caso, nós
conversamos tanto com a direção da
Camisa 12, como com a da
Torcida Os Imbatíveis
(TUI). Sérgio, presidente da Camisa 12, inclusive, emprestou
a sua credibilidade junto ao fornecedor dos piscas para que nós
pudéssemos fazer a encomenda do material. Não é fácil você fazer
um pedido de 3.000 piscas com 40 dias de antecedência sem um
tostão no bolso. Graças a Deus, nós conseguimos viabilizar todo
o recurso para a compra dos piscas com 15 dias de antecedência
e, como você mesmo viu, o material utilizado foi de boa
qualidade e não causou nenhum incidente grave.
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Bandeirão da TUI na
partida Vitória x Corinthians (Fonte: orkut) |
Com a TUI houve uma
preocupação especial, pois essa maravilhosa torcida
organizada, da qual sou associado, estava comemorando 12
anos de existência no mesmo dia do nosso evento. Eles
inclusive compraram, com recursos próprios, o maior
bandeirão do Vitoria que eu já vi em minha vida. A
preocupação toda era que, durante o nosso evento e a subida
do Bandeirão, os piscas pudessem danificá-lo. Isso seria
inaceitável. Então, houve uma reunião entre nós e a direção
da TUI para sincronizar as ações e, graças a Deus, foi tudo
como planejado. Agradeço ao Gabriel, presidente da TUI, e a
Beira-Mar, puxador da torcida, pelo apoio e colaboração
neste nosso evento.
BOL: Em
tópico criado no orkut, você analisou a evolução da torcida do
Vitória, com a criação de movimentos, associações e projetos
como o Barradão em Chamas. O Barradão em Chamas pode evoluir
para uma entidade organizada, abraçando outras ações que
ultrapassem a fronteira do incentivo nas arquibancadas?
André:
Acho que não, pois o objetivo é exatamente criar uma mobilização
coletiva da torcida do Vitoria. A grande mensagem que
gostaríamos de passar foi exatamente aquela que você viu na
última quarta-feira: a torcida do Vitória é grande, ama o seu
time e sabe fazer a festa. O nosso foco é a postura do
torcedor durante os jogos, é o incentivo à vibração, à execução
dos cantos, à alegria de torcer pelo Vitória. É claro que eu,
enquanto indivíduo, tenho preocupação com outros aspectos cuja
origem está fora das arquibancadas, e nunca vou me furtar a dar
a minha opinião e fazer a critica onde eu achar pertinente. Por
outro lado, sempre levando em conta que o trabalho realizado nos
últimos quatro anos pela atual direção do time tem mais acertos
do que erros, e é preciso ter cuidado no que se diz em público,
para não gerar intrigas desnecessárias ao clube.
Como eu disse lá nesse mesmo
tópico que você se refere, eu não almejo nada além da tentativa
de mudar o perfil da torcida do Vitoria para melhor. Acredito
que posso dar a minha colaboração como um torcedor comum. Aliás,
qualquer um pode fazer isso.
BOL: O
Movimento Sempre Vitória surgiu forte, a partir da tendência de
torcidas da Argentina e do Rio Grande de Sul de torcer junto nas
arquibancadas sem, no entanto, formar uma organizada. Muitos
membros do MSV contribuíram com o Barradão em Chamas, se não
estou enganado. O Barradão em Chamas pode fazer com que o MSV
volte a se fortalecer ou são iniciativas distintas?
André:
O pessoal do MSV inclusive participou da comissão organizadora,
na pessoa do Thiago Sonso. Kadu também foi do MSV. Alguns outros
membros nos ajudaram a vender as rifas e distribuir os piscas.
Assim como o pessoal das cadeiras cativas, na pessoa do Wolton,
e da TUI, da qual eu, Kadu e Bruno somos associados. Então, como
você pode ver, o Movimento "Barradão em Chamas" foi criado para
que a torcida inteira do Vitoria se fortaleça. Para que
torcedores passem a ir ao estádio com mais freqüência, se
associem ao clube, comprem produtos oficiais, comprem
pay-per-view, enfim, viva um pouco mais essa paixão pelo
nosso Leão.
BOL: Para
quando podemos esperar outro belo espetáculo como o que
aconteceu na última quarta-feira no Barradão?
André:
Eu não sei, as coisas vão surgindo e ai gente vai conversando e
tentando realizar, mas eu posso te garantir que não paramos por
aqui. Certamente a gente deve preparar algo para o próximo Ba-Vi,
inclusive, já estamos discutindo novos projetos lá na comunidade
oficial do Vitoria no Orkut.
BOL: Deixa
uma mensagem para a torcida do Vitória, André ....
André:
A nossa idéia é que toda a torcida crie esse espírito e comece a
participar mais. Você que ama o seu time, lembre-se sempre de
uma coisa: Não é o Vitoria que financia a torcida, mas sim a
torcida que deve financiar o Vitoria.Saudações Rubro-Negras a
todos.
Por
Luciano Santos em 31/10/09.
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