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Rumo à glória
José Raimundo Silveira
Chegou a hora de escrevermos a
história. Dezessete anos depois, o Vitória está de volta a uma
final de competição nacional de porte. Assim como em 1993,
quando encaramos o
Palmeiras na decisão do
Campeonato Brasileiro, enfrentaremos uma equipe
qualificada como favorita, recheada de craques e incensada pela
imprensa. Cabe à coletividade rubro-negra, aí incluídos
jogadores, comissão técnica, direção e torcida, mudar o final da
trajetória. Cada um de nós tem parcela de responsabilidade para
trazermos essa taça.
Os jogadores estão fazendo sua
parte. Em todas declarações que tenho ouvido desde a passagem
para a finalíssima da
Copa do Brasil, percebo que a turma que entrará em campo
nos dias 28 de julho e 4 de agosto tem a real dimensão do que
significa esse título para o Vitória. O espírito é de decisão,
encarando o compromisso com a seriedade necessária. O respeito
ao forte time do Santos é pregado, mas sem medo, submissão ou
conformismo de que já está de bom tamanho figurar na decisão.
A comissão técnica também tem
parcela de crédito. É esporte nacional sentar a madeira no
treinador quando a situação desanda. Com o Vitória não seria
diferente. Nos momentos em que patinamos na temporada, muitos
criticaram com veemência o técnico Ricardo Silva. Nem parecia
que tinha assumido o posto no início do ano ostentando índice de
popularidade talvez só comparável ao do nosso governante-mor.
Mas o bom Ricardo não perdeu a
linha, manteve a postura sutil que o caracteriza e colhe os
frutos: no momento certo, já se observa o chamado “dedo do
treinador” na equipe, que (enfim!!) tem um padrão de jogo e
ganhou confiança. Nos jogos pós-Mundial, o crescimento do time,
invicto nesse período, é notório. O que não me impede de
continuar discordando da escalação de apenas um atacante de
ofício.
Com todos os seus defeitos, já
conhecidos de todos, a direção merece sua referência positiva no
caminho que nos levou até a final. O ambiente interno do
Vitória, sereno e pacificado, foi construído por essa gestão. Se
pecou na política de contratações, a direção tem o louvável
mérito de haver eliminado as picuinhas e a atmosfera pesada que
rondavam a Toca em anos anteriores, facilitando o dia-a-dia de
todos os que fazem o futebol no Leão.
E a torcida... O que falar de meus
irmãos rubro-negros!!! Alegria, emoção e satisfação são
adjetivos que vem a minha cabeça ao perceber que sou também um
desses apaixonados pelo Vitória. Mas a qualificação que se
encaixa melhor no meu estado de espírito é orgulho. É com a alma
orgulhosa que vejo cada demonstração de carinho da massa pelo
centenário Leão. A histórica e arrepiante Carreata Rubro-Negra,
que conduziu nossos guerreiros para a partida na Vila Belmiro
foi um desses exemplos de amor à instituição.
Melhor que qualquer ação de
marketing já produzida pelo clube, o que a torcida protagonizou
na saída da concentração ao Aeroporto 2 de Julho foi de
emocionar até
Vicente Del Bosque. A mesma força da arquibancada, que
fez os jogadores superarem suas próprias limitações técnicas
para alcançar a decisão, estava presente no trajeto. Uma injeção
de ânimo e confiança para os homens que envergarão o manto
leonino em busca da glória.
Não tenho dúvidas de que os
guerreiros que pisarão o gramado da Vila Belmiro terão na
memória as imagens que presenciaram durante o embarque. Imagens
de torcedores apaixonados e que contam com eles: homens,
mulheres e crianças, muitas crianças rubro-negras, como a
maioria da juventude soteropolitana, que se acostumou a ver o
Vitória campeão. Que venha nossa coroa (o Nordestão e a
Sul-Americana estão aí...)!
José Raimundo
Silveira
Militar, jornalista e rubro-negro
desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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