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Parabéns, mas... podemos mais!
Francisco Ribeiro
Antes de
tudo, parabenizo nossos jogadores, nosso treinador e nossa
torcida pela classificação às semifinais da Copa do Brasil. É
muito difícil para um time “mutilado”, cansado com a sequência
de decisões, e naquela situação de pressão, segurar o resultado
diante de um Vasco ávido por apenas mais um gol, durante 17
intermináveis minutos, em São Januário.
Além
disso, chegar às fases finais da Copa do Brasil com um elenco
montado “pro gasto” neste primeiro semestre é algo que
surpreende. Lamento que sempre montemos um time pensando em não
fazer feio no Estadual e não valorizemos a única competição
nacional do início de ano. Agora fica aquela pulga atrás da
orelha: “poxa, se tivéssemos investido para ganhar essa Copa do
Brasil...”.
Mas é bom
chamar a atenção para pontos importantes ao considerar que,
mesmo vistos como azarões, temos mais uma vez, assim como em
2004, reais chances de beliscar esse título (e que seja
diferente de 2004).
Foi
impossível não soltar todos os palavrões do mundo ao assistir as
atuações de Marcos Pimentel e Egídio – este último pelo menos
sabe cruzar, e mais nada, diga-se de passagem. O Vitória não tem
atletas, ao menos medianos, para jogar em suas laterais. Tirando
desse bolo Nino Paraíba, que – mesmo num nível intermediário de
qualidade – não tem comprometido, não vejo o mínimo de condição
para que Egídio, Marcos Pimentel, Rafael e outros improvisados
vistam as camisas 2 e 6 de um clube que briga para ser campeão
do Brasil.
Nem no
baba
Egídio até
que empolga quando chega à linha de fundo. Na cobertura e no
combate é lamentável. Marcos Pimentel não joga nem em meu baba
de final de semana. Toma bola nas costas em qualquer lance,
parece perdido em campo, não cruza bem, bate mal na bola. Se é
verdade que vai embora, já vai tarde.
Rafael faz
o que pode e de quebra ainda se mostra inexperiente. E o nosso
Pitbull? Mesmo com grandes serviços prestados à nação
rubro-negra, Vanderson precisa melhorar o preparo físico ou
então ceder a vaga para outro melhor preparado e menos pregado
no chão.
Outro fato
que nos faz arrancar os cabelos é a insistência de nosso
treinador Ricardo Silva ao entender que recuar totalmente o time
é a melhor maneira de se defender. Ricardo fez isso contra o
rival e por pouco não perdeu o título Baiano no Barradão. Contra
o Vasco foi a mesmíssima coisa. Optou por três zagueiros quando
se sentiu ameaçado, sacou Junior e teve Schwenck expulso. Sem
qualquer referência no ataque, por um milagre – e pelas defesas
de São Viáfara – não fomos desclassificados.
Admiro
Ricardo Silva em suas entrevistas, quando sempre destaca a
necessidade de seus comandados mostrarem garra e coragem em
campo. Mas o discurso não tem feito parte de sua atuação na área
técnica. Ele está trabalhando na base do “faça o que digo, mas
não faça o que faço”. O Vitória fez, em São Januário, um dos
jogos mais covardes taticamente de sua história.
Digo
covarde porque o que vimos em São Januário foi um time fazendo
cera aos dois minutos do primeiro tempo. Percebemos o quanto
aquilo foi ridículo quando vimos o Vitória sair para o ataque,
após empatar o jogo, e o Vasco sentir o baque de nosso toque de
bola. Se tivéssemos um lateral direito de qualidade e não
sofrêssemos o segundo gol, mantendo aquela postura mais
corajosa, quem sabe venceríamos o jogo. Isso também se nosso
Rafael não tivesse sido expulso de maneira infantil, com um
carrinho no setor de ataque, e se nosso Schwenck tivesse o
mínimo de tranquilidade para driblar o goleiro Fernando Prass e
marcar o 2 a 2, enterrando de vez o Vasco. E, claro, se Ricardo
não tivesse convocado todo o Vasco, incluindo o goleiro, para
nossa área.
Primeira é fora de casa
E atenção:
ao contrário das fases anteriores dessa Copa do Brasil, faremos
o primeiro jogo da semifinal com o Atlético-GO fora de casa, no
dia 12 de maio. Ou seja, se tivermos a mesma postura covarde,
neste primeiro jogo no Serra Dourada, e sofrermos uma derrota
acachapante, será muito difícil reverter a situação no Barradão,
no dia 19 de maio.
Espero que
nosso treinador, nossos jogadores e nossa diretoria aproveitem
esses humildes conselhos. São de coração. São de um torcedor que
vive o Vitória dia a dia há mais de 30 anos. Que já viu muita
oportunidade desperdiçada por causa de falta de pulso no clube.
E acredito que esses não foram os únicos puxões de orelha que
receberam pelas mancadas de quarta-feira passada.
Pelo menos
esse grupo é unido, ao contrário do de 2004. Ou seja. É questão
de atitude. Sabemos da falta de qualidade de alguns atletas. Mas
lembrem que o esporte é sinônimo de superação, e, com mais
vontade e dedicação, poderemos fazer história. É preciso apenas
cair a ficha de que não estamos numa semifinal de “baianinho” e
sim da Copa do Brasil, caramba!
Respaldo e
apoio da torcida nessas decisões que teremos pela frente não vão
faltar, mas é preciso que vocês, dentro do campo, respondam a
tudo isso com atitudes de verdadeiros candidatos a campeões.
Tenham consciência do quão importante e histórico é esse momento
para uma nação de mais de dois milhões de torcedores.
Avante,
Vitória!
Francisco Ribeiro
Jornalista e editor da Revista Eletrônica Barradão On Line.
E-mail:
fanque@yahoo.com
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