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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 117 - 9 a 15 de maio de 2010

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

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Parabéns, mas... podemos mais!

Francisco Ribeiro

Antes de tudo, parabenizo nossos jogadores, nosso treinador e nossa torcida pela classificação às semifinais da Copa do Brasil. É muito difícil para um time “mutilado”, cansado com a sequência de decisões, e naquela situação de pressão, segurar o resultado diante de um Vasco ávido por apenas mais um gol, durante 17 intermináveis minutos, em São Januário.  

Além disso, chegar às fases finais da Copa do Brasil com um elenco montado “pro gasto” neste primeiro semestre é algo que surpreende. Lamento que sempre montemos um time pensando em não fazer feio no Estadual e não valorizemos a única competição nacional do início de ano. Agora fica aquela pulga atrás da orelha: “poxa, se tivéssemos investido para ganhar essa Copa do Brasil...”. 

Mas é bom chamar a atenção para pontos importantes ao considerar que, mesmo vistos como azarões, temos mais uma vez, assim como em 2004, reais chances de beliscar esse título (e que seja diferente de 2004).  

Foi impossível não soltar todos os palavrões do mundo ao assistir as atuações de Marcos Pimentel e Egídio – este último pelo menos sabe cruzar, e mais nada, diga-se de passagem. O Vitória não tem atletas, ao menos medianos, para jogar em suas laterais. Tirando desse bolo Nino Paraíba, que – mesmo num nível intermediário de qualidade – não tem comprometido, não vejo o mínimo de condição para que Egídio, Marcos Pimentel, Rafael e outros improvisados vistam as camisas 2 e 6 de um clube que briga para ser campeão do Brasil.  

Nem no baba  

Egídio até que empolga quando chega à linha de fundo. Na cobertura e no combate é lamentável. Marcos Pimentel não joga nem em meu baba de final de semana. Toma bola nas costas em qualquer lance, parece perdido em campo, não cruza bem, bate mal na bola. Se é verdade que vai embora, já vai tarde.  

Rafael faz o que pode e de quebra ainda se mostra inexperiente. E o nosso Pitbull? Mesmo com grandes serviços prestados à nação rubro-negra, Vanderson precisa melhorar o preparo físico ou então ceder a vaga para outro melhor preparado e menos pregado no chão.  

Outro fato que nos faz arrancar os cabelos é a insistência de nosso treinador Ricardo Silva ao entender que recuar totalmente o time é a melhor maneira de se defender. Ricardo fez isso contra o rival e por pouco não perdeu o título Baiano no Barradão. Contra o Vasco foi a mesmíssima coisa. Optou por três zagueiros quando se sentiu ameaçado, sacou Junior e teve Schwenck expulso. Sem qualquer referência no ataque, por um milagre – e pelas defesas de São Viáfara – não fomos desclassificados.  

Admiro Ricardo Silva em suas entrevistas, quando sempre destaca a necessidade de seus comandados mostrarem garra e coragem em campo. Mas o discurso não tem feito parte de sua atuação na área técnica. Ele está trabalhando na base do “faça o que digo, mas não faça o que faço”. O Vitória fez, em São Januário, um dos jogos mais covardes taticamente de sua história.  

Digo covarde porque o que vimos em São Januário foi um time fazendo cera aos dois minutos do primeiro tempo. Percebemos o quanto aquilo foi ridículo quando vimos o Vitória sair para o ataque, após empatar o jogo, e o Vasco sentir o baque de nosso toque de bola. Se tivéssemos um lateral direito de qualidade e não sofrêssemos o segundo gol, mantendo aquela postura mais corajosa, quem sabe venceríamos o jogo. Isso também se nosso Rafael não tivesse sido expulso de maneira infantil, com um carrinho no setor de ataque, e se nosso Schwenck tivesse o mínimo de tranquilidade para driblar o goleiro Fernando Prass e marcar o 2 a 2, enterrando de vez o Vasco. E, claro, se Ricardo não tivesse convocado todo o Vasco, incluindo o goleiro, para nossa área.  

Primeira é fora de casa  

E atenção: ao contrário das fases anteriores dessa Copa do Brasil, faremos o primeiro jogo da semifinal com o Atlético-GO fora de casa, no dia 12 de maio. Ou seja, se tivermos a mesma postura covarde, neste primeiro jogo no Serra Dourada, e sofrermos uma derrota acachapante, será muito difícil reverter a situação no Barradão, no dia 19 de maio.  

Espero que nosso treinador, nossos jogadores e nossa diretoria aproveitem esses humildes conselhos. São de coração. São de um torcedor que vive o Vitória dia a dia há mais de 30 anos. Que já viu muita oportunidade desperdiçada por causa de falta de pulso no clube. E acredito que esses não foram os únicos puxões de orelha que receberam pelas mancadas de quarta-feira passada. 

Pelo menos esse grupo é unido, ao contrário do de 2004. Ou seja. É questão de atitude. Sabemos da falta de qualidade de alguns atletas. Mas lembrem que o esporte é sinônimo de superação, e, com mais vontade e dedicação, poderemos fazer história. É preciso apenas cair a ficha de que não estamos numa semifinal de “baianinho” e sim da Copa do Brasil, caramba!  

Respaldo e apoio da torcida nessas decisões que teremos pela frente não vão faltar, mas é preciso que vocês, dentro do campo, respondam a tudo isso com atitudes de verdadeiros candidatos a campeões. Tenham consciência do quão importante e histórico é esse momento para uma nação de mais de dois milhões de torcedores.  

Avante, Vitória!

Francisco Ribeiro

Jornalista e editor da Revista Eletrônica Barradão On Line.

E-mail: fanque@yahoo.com

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