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Cavalo selado
José Raimundo Silveira
Uma oportunidade histórica se
coloca à frente do Vitória. Como em
1993, 1999 e 2004, o cavalo selado está passando pertinho, doido
para ser montado. O tão sonhado título nacional, obsessão da
fanática torcida rubro-negra, está há apenas quatro partidas de
nós. Todo esforço para a consecução desse objetivo deve ser
empreendido pela coletividade leonina para que conquistemos esse
que considero o decisivo impulso para nossa consolidação.
Como em toda decisão que se preze,
os detalhes nos atrapalharam nos três momentos cruciais citados
no início do texto. Na final do
Brasileirão de 93, o “detalhe” era que o Palmeiras tinha um
timaço.
Apenas o goleiro Sérgio não tinha passagens pela Seleção
Brasileira. O fator vontade também pesou: faltou acreditar que
seria possível bater o Porco. Além disso, o pênalti claro sobre
Pichetti, quando o jogo ainda estava 0x0, ignorado pelo larápio
Renato Marsiglia na saudosa Fonte Nova, poderia mudar o rumo da
história. Quem sabe?
Em 99, veio a semifinal do
Campeonato Brasileiro contra o Atlético
Mineiro, time que o Vitória havia vencido na fase
classificatória, por
2x1, no caldeirão do Estádio Independência, jogando com
categoria, inteligência e, acima de tudo, “huevos”, com dizem os
argentinos. Depois de perder em Minas o primeiro jogo das semi,
vencemos na raça o segundo jogo, empurrando a vaga na final para
o terceiro e decisivo duelo. Bastava um triunfo simples. O
detalhe que nos impediu de chegar à segunda final de Brasileirão
foi a deficiência do miolo de zaga, pois Moisés, Elói e Pedro
Paulo, juntos, não davam meio zagueiro de qualidade. O ataque
devastava, mas a defesa nos alucinava...
Já em 2004 foi a fatídica
semifinal da Copa do Brasil, diante do
Flamengo. Nesse caso, vários foram os detalhes. Primeiro: a
interferência do ex-presidente na escalação da equipe. A
informação amplamente divulgada foi que o ex-gestor forçou a
entrada da estrela Vampeta, mesmo com ele estando bem longe de
suas condições físicas e técnicas, no jogo de ida, na Toca. O
fato desestabilizou o time claramente. Segundo: a sorte. O
Vitória começou massacrando e acertou a trave, com o goleirinho
do Urubu batido no lance. Um a zero pra nós, e o estádio
explodia. Terceiro: maior colaboração da imprensa local para
ajudar o time da terra a alcançar a final. Ao invés de se fechar
em torno do
Leão, como ocorreu com o outro time da cidade, em 88, o que se
viu foi picuinha. A manchete da Tribuna da Bahia, no dia do
jogo, estampava na capa: “Hoje é dia de goleada”. Mais que uma
alusão à surra aplicada pelo Leão nos cariocas um mês antes
(5x1, pelo Brasileirão, no Barradão), buscou-se inflamar o
adversário. O fato de o editor-chefe da Tribuna, Paulo Roberto
Sampaio, ser torcedor do finado, não era mera coincidência.
Claro que o jornal foi mostrado aos flamenguistas no vestiário.
Detalhes que ajudam a mudar o panorama de um jogo. Outro deles
foi a atitude da torcida durante aquela partida. Na Copa do
Brasil, o fato de não levar gol em casa é vital. Com o placar em
branco, ao invés de ser inteligente e jogar com o time, tinha
torcedor vaiando. De certo, queriam outra goleada. O castigo foi
o gol bizarro de Fabiano Eller, a oito minutos do final, em bola
desviada e aceita pelo goleiro Juninho, derradeiro dos detalhes
daquela decisão.
Portanto, que o técnico Ricardo
Silva tenha serenidade para deixar o elenco em condições de
apenas jogar bola contra o Atlético Goianiense, time
acertadinho, que joga junto há três ou quatro anos. Passado esse
matreiro adversário, que venha Santos ou Grêmio, times que
possuem elencos melhores e mais caros, porém nada imbatíveis.
Por falar nisso, deixo meus
parabéns à Torcida Os Imbatíveis, pela
vibração contagiante apresentada na conquista do tetra. Mesmo
sem faixa, camisa e bandeira, esses rubro-negros inflamaram o
Barradão e ajudaram o Vitória a superar a retranca exagerada de
Ricardo Silva, segurando a vantagem construída no jogo de ida.
Quando querem apenas torcer, deixando de lado a babaquice de
procurar briga contra torcedores adversários, a TUI é
fantástica. Debaixo de uma chuva amazônica, celebrei com meu
filho Vini, que tem oito anos de idade e nunca viu o rival ser
campeão. Para essa conquista, dedico só um parágrafo mesmo.
Ganhar título em cima dos sem-teto já virou rotina...
José Raimundo
Silveira
Militar, jornalista e rubro-negro
desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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