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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 117 - 9 a 15 de maio de 2010

Foto: Rubem Filho

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Cavalo selado

José Raimundo Silveira

Uma oportunidade histórica se coloca à frente do Vitória. Como em
1993, 1999 e 2004, o cavalo selado está passando pertinho, doido para ser montado. O tão sonhado título nacional, obsessão da fanática torcida rubro-negra, está há apenas quatro partidas de nós. Todo esforço para a consecução desse objetivo deve ser empreendido pela coletividade leonina para que conquistemos esse que considero o decisivo impulso para nossa consolidação.

Como em toda decisão que se preze, os detalhes nos atrapalharam nos três momentos cruciais citados no início do texto. Na final do
Brasileirão de 93, o “detalhe” era que o Palmeiras tinha um timaço.
Apenas o goleiro Sérgio não tinha passagens pela Seleção Brasileira. O fator vontade também pesou: faltou acreditar que seria possível bater o Porco. Além disso, o pênalti claro sobre Pichetti, quando o jogo ainda estava 0x0, ignorado pelo larápio Renato Marsiglia na saudosa Fonte Nova, poderia mudar o rumo da história. Quem sabe?

Em 99, veio a semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Atlético
Mineiro, time que o Vitória havia vencido na fase classificatória, por
2x1, no caldeirão do Estádio Independência, jogando com categoria, inteligência e, acima de tudo, “huevos”, com dizem os argentinos. Depois de perder em Minas o primeiro jogo das semi, vencemos na raça o segundo jogo, empurrando a vaga na final para o terceiro e decisivo duelo. Bastava um triunfo simples. O detalhe que nos impediu de chegar à segunda final de Brasileirão foi a deficiência do miolo de zaga, pois Moisés, Elói e Pedro Paulo, juntos, não davam meio zagueiro de qualidade. O ataque devastava, mas a defesa nos alucinava...

Já em 2004 foi a fatídica semifinal da Copa do Brasil, diante do
Flamengo. Nesse caso, vários foram os detalhes. Primeiro: a
interferência do ex-presidente na escalação da equipe. A informação amplamente divulgada foi que o ex-gestor forçou a entrada da estrela Vampeta, mesmo com ele estando bem longe de suas condições físicas e técnicas, no jogo de ida, na Toca. O fato desestabilizou o time claramente. Segundo: a sorte. O Vitória começou massacrando e acertou a trave, com o goleirinho do Urubu batido no lance. Um a zero pra nós, e o estádio explodia. Terceiro: maior colaboração da imprensa local para ajudar o time da terra a alcançar a final. Ao invés de se fechar em torno do
Leão, como ocorreu com o outro time da cidade, em 88, o que se viu foi picuinha. A manchete da Tribuna da Bahia, no dia do jogo, estampava na capa: “Hoje é dia de goleada”. Mais que uma alusão à surra aplicada pelo Leão nos cariocas um mês antes (5x1, pelo Brasileirão, no Barradão), buscou-se inflamar o adversário. O fato de o editor-chefe da Tribuna, Paulo Roberto Sampaio, ser torcedor do finado, não era mera coincidência. Claro que o jornal foi mostrado aos flamenguistas no vestiário. Detalhes que ajudam a mudar o panorama de um jogo. Outro deles foi a atitude da torcida durante aquela partida. Na Copa do Brasil, o fato de não levar gol em casa é vital. Com o placar em branco, ao invés de ser inteligente e jogar com o time, tinha torcedor vaiando. De certo, queriam outra goleada. O castigo foi o gol bizarro de Fabiano Eller, a oito minutos do final, em bola desviada e aceita pelo goleiro Juninho, derradeiro dos detalhes daquela decisão.

Portanto, que o técnico Ricardo Silva tenha serenidade para deixar o elenco em condições de apenas jogar bola contra o Atlético Goianiense, time acertadinho, que joga junto há três ou quatro anos. Passado esse matreiro adversário, que venha Santos ou Grêmio, times que possuem elencos melhores e mais caros, porém nada imbatíveis.

Por falar nisso, deixo meus parabéns à Torcida Os Imbatíveis, pela
vibração contagiante apresentada na conquista do tetra. Mesmo sem faixa, camisa e bandeira, esses rubro-negros inflamaram o Barradão e ajudaram o Vitória a superar a retranca exagerada de Ricardo Silva, segurando a vantagem construída no jogo de ida. Quando querem apenas torcer, deixando de lado a babaquice de procurar briga contra torcedores adversários, a TUI é fantástica. Debaixo de uma chuva amazônica, celebrei com meu filho Vini, que tem oito anos de idade e nunca viu o rival ser campeão. Para essa conquista, dedico só um parágrafo mesmo. Ganhar título em cima dos sem-teto já virou rotina...

José Raimundo Silveira

Militar, jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.

E-mail: tencerqueira@gmail.com

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