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Revista Eletrônica Barradão On Line é um veículo independente, com
edições publicadas semanalmente, sobre o Esporte Clube Vitória -
Salvador - Bahia - Brasil
Revista
Eletrônica BOL - Edição nº 115 - 25 de
abril a 01 de maio de 2010
Foto:
Felipe Oliveira | E.C.Vitória
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Artigos ::
Vitória x Goiás (da lama aos
gols)
Ricardo Cury
No Vitória x Avaí pelo Brasileirão
do ano passado (2009), eu comi um acarajé delicioso antes do
jogo, e assim que peguei o tal acarajé da mão da baiana
perguntei a ela:
– Você é Bahia ou Vitória, minha
linda?
– Bahia – respondeu a infeliz.
O Vitória perdeu aquele jogo.
Consegui a liberação da minha digníssima e fui ao Barradão
assistir Vitória x Goiás pelas oitavas-de-final da Copa do
Brasil 2010. Fui com dois amigos. Estávamos com fome e assim que
entramos no Barradão fomos procurar um acarajé.
– Vamos naquele lá, comi uma vez
ali e é muito bom – disse eu.
Chegando perto da baiana me
lembrei que ela torcia pro finado e comentei pra ver a reação
dos meus amigos:
– Essa baiana torce pro rebaixado
– disse eu.
– Sério?! – disse um.
– Aí você tá sacaneando – disse
outro.
– Sério – disse eu –, inclusive
quando comi o acarajé dela o Vitória perdeu.
Os três concordaram que era melhor
procurar outra baiana e fomos pra uma que fica em frente à
entrada das cadeiras.
– Baiana, você é Bahia ou Vitória?
– perguntei antes de pedir o acarajé.
A baiana não disse nada, apenas
levantou seu vestido branco, mostrando que por baixo vestia o
manto rubro-negro.
– Eu sou rubro-negra de coração –
disse ela.
– Então me dê um acarajé com
vatapá, salada e muita pimenta – disse eu.
Ela não botou fé no meu nível de
pimenta e apenas deu uma pingadinha na colher.
– Bote mais.
Outra pingadinha.
– Assim, minha linda, vou achar
que você é Bahia.
Só aí ela deu uma carregada e
ensopou meu quitute.
– Agora, sim – respondi.
Comi o acarajé com pimenta
acompanhado por uma cerveja sem álcool. A fome estava tanta que
fui pedir um abará. Mandei caprichar de novo no ardido.
– Êta que o Vitória vai tá
apimentado hoje – profetizou ela.
O Vitória, como não costuma fazer, começou o primeiro tempo
atacando pra lado esquerdo das arquibancadas. Me lembrei que meu
primeiro vídeo pra esse blog foi justamente num jogo contra o
Goiás (Brasileirao 2008) e, como naquele jogo, fui pra detrás do
gol de Harlei.
Veja aqui.
Ao chegar no alambrado, encontrei um torcedor que todo jogo tá
ali.
– Cadê meu DVD? – perguntou ele ao
me ver.
Só então me lembrei que prometi a
ele fazer um DVD com as minhas filmagens.
– No próximo jogo eu trago –
prometi de novo.
O jogo começou e ao mesmo tempo que Harlei sofria com as
provocações dos torcedores do Vitória próximos ao alambrado, ele
fazia defesas milagrosas.
– Se ele não fosse baixinho seria
um dos melhores goleiros do Brasil – disse um jovem ao meu lado,
que ao me ver filmando pediu para que quando o Vitória fizesse
um gol que eu o filmasse comemorando.
– Vou passar no Globo Esporte –
disse ele, sem saber que, seu eu o filmasse, que ele passaria
num local, modéstia a parte, muito mais nobre.
– Que nada, esse goleiro é uma
merda, se a bola for na gaveta, no angulo, ele não pega nem com
a porra. Viáfara é bem melhor que ele – disse outro, mais velho,
que não parava de xingar o coitado do Harlei.
E o Vitória atacou, atacou, atacou e não fez nenhum gol. Harlei
buscou bola embaixo, em cima, em chute de Fernando de falta e o
primeiro tempo acabou em zero a zero. Resultado ruim. De fato,
até um a zero seria ruim, pois era preciso ir para o segundo
jogo com larga vantagem.
Voltei para a arquibancada para filmar o segundo tempo de cima e
meus amigos quiseram ir pro outro lado do estádio. Me lembrei
que naquele tal jogo do primeiro vídeo contra o Goiás eu fiz a
mesma coisa. Aquele jogo foi três a zero pro Vitória.
– Vamos nessa – disse eu,
supersticioso.
No caminho, os comentários entre os torcedores eram diversos:
– Tem que tirar Bida, essa carniça
não faz nada – diziam alguns.
– Tem que tirar Ramon, ele não
agüenta mais – diziam outros.
Perto da TUI, todo mundo fica em pé e logo no início do segundo
tempo percebi que pra filmar dali seria difícil. Era melhor
descer e, como no primeiro tempo, ficar atrás do gol de Harlei.
Na descida encontrei com um outro amigo meu. Fiquei um pouco ao
lado dele vendo o jogo. Ele não parava de reclamar. Ramon tentou
pegar uma bola e não conseguiu.
– Porra, Ramon – disse um torcedor
do nosso lado.
– RAPAZ, ENTENDA: RAMON TÁ
VELHOOOOO, TÁ VELHOOOOOOO – gritava meu amigo, enfurecido com o
meio-campo rubro-negro.
Não gosto de torcedor reclamão e me despedi dele, finalmente me
posicionando atrás do gol. O jovem que pediu pra eu filmar ele
no primeiro tempo também estava lá assim como o torcedor que não
parava de xingar Harlei. Ambos também deram a volta. E assim que
eu cheguei, aos 23 do segundo tempo, Egídio cruzou, Walace
cabeceou, Harlei defendeu, mas deixou a sobra pra Ramon apenas
cutucar pra dentro. Gostaria de ter visto a cara de meu amigo
reclamão. Ramon começa com RA de Raça. Raça rubro-negra, minha
porra. Um a zero Vitória.
Logo depois, aos 29, uma bela jogada entre Egídio, Ramon e
Júnior fez o Vitória ampliar o placar. Depois eu vi o gol pelas
câmeras da TV, mas nenhuma filmou de um angulo melhor que o meu.
Nela dá pra ver claramente a calma e frieza do atacante
rubro-negro ao escolher o canto e acertá-lo, impossibilitando a
defesa de Harlei, que esperava uma bomba no meio. Golaço de
Júnior. Gol de craque. Dois a zero Vitória.
Ainda comemorando, a PM chegou pra atrapalhar meu baba e dos
torcedores do alambrado, nos obrigando a sair de lá bem na hora
de uma falta pro Vitória bater. Enquanto a barreira era montada
fui indo pro lado, subindo alguns degraus, procurando um angulo
bom. Ainda na procura, parei pra filmar a cobrança de falta.
Golaço de Bida. Meu angulo não foi dos melhores, mas o angulo
onde Bida colocou a bola foi. Lembrei da frase do torcedor do
alambrado sobre Harlei que se a bola fosse na gaveta que ele não
pegava nem com a porra.
Logo após o gol, a bateria da filmadora acabou e Bida foi
substituído sendo ovacionado pela torcida que o ama e o odeia ao
mesmo tempo.
Aos 40 minutos do segundo tempo subi para me reencontrar com
meus amigos. Me arrependi.
– Vamos nessa – disseram eles, com
medo do engarrafamento.
Viadagem da porra isso de sair antes do fim.
Chegando perto do carro, atravessando o lamaçal por causa da
chuva que castigou Salvador no dia anterior, resolvi ligar a
câmera de novo, tentando conseguir um resquício de bateria que
sempre rola depois que ela descansa. Foi bem na hora do quarto
gol do Vitória. Um angulo bem diferente. Assista
aqui, no vídeo exclusivo: