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Verdades imutáveis
José Raimundo Silveira
Chegamos a essa altura do
campeonato, ou campeonatos, em situação bastante parecida com a
vivenciada em 2009. Quase nada mudou. Prova de que poucas coisas
mudam de forma radical no futebol. As situações estabelecidas
tendem a se manter dessa forma, sendo modificadas, quando é o
caso, de maneira gradual.
No Estadual, estamos na final
contra o representante baiano da segunda divisão mais uma vez.
Continuamos na Série A, eles na B. Foi mantida a vantagem de
jogar por dois empates e decidir no Barradão, uma tendência que
virou quase diretriz. O Vitória permanece favorito ao título,
beirando a obrigação de levantar a taça.
Aos sem-teto, o que vier é lucro.
Se der a lógica, ou seja, o Leão ganhar outro título, nada
mudará no panorama experimentado nas últimas décadas, incluindo
tentativas de desqualificar a competição. Caso dê zebra, será
decretado feriado de uma semana em Salvador e o Campeonato
Baiano de 2010 será considerado como um dos maiores de todos os
tempos pela nossa imprensa.
Na Copa do Brasil, novamente
encaramos o Vasco da Gama em uma fase de quartas-de-final. A
diferença é que faremos o jogo de volta na Bagdá brasileira. O
resto está quase todo igual. Assim como em 2009, os times são
bastante equilibrados. O bacalhau, recém-primeira divisão, só
tem a Copa do Brasil em vista, pois foi eliminado há tempos do
seu estadual. Já o Vitória enfrenta a sequência de duas disputas
paralelas.
O desgaste será companheiro
rubro-negro, mas não pode ser usado como desculpa. Ao meu ver,
fomos favorecidos pelo sorteio, mesmo jogando a partida de volta
fora de casa. Jogaremos três confrontos seguidos em Salvador (os
dois clássicos e o jogo de ida contra o Vasco), só pegando o
rumo do Aeroporto 2 de Julho após o final do Campeonato Baiano.
Mas outras situações extra-campo
também não mudaram em relação a 2009. A forma de montar o elenco
do Vitória, esperando o final dos Estaduais de maior peso para
contratar, é um exemplo. A falta de setorização do Barradão, as
picuinhas criadas por setores da imprensa para conturbar o
ambiente na Toca, a interminável obra do metrô de Salvador e o
sucesso de bandinhas chinfrins de pseudo-pagode também.
O que não muda é o amor da torcida
pelo glorioso Leão. E ele certamente voltará a ser explicitado
nessa reta final dos dois torneios referidos, bem como no
vindouro Brasileirão. Com nosso apoio ferrenho, porém
consciente, cobrando melhorias em todas as esferas do clube, o
Esporte Clube Vitória sempre entrará em campo com 12.
Já comprei passagem para ir do
Recife a Salvador assistir ao tetra ao vivo. Nesse meu exílio na
capital pernambucana, foram duas pancadas neles. Em 2008, foi o
“senta que é de menta”. Em 2009, o “CampeoNeto Baiano”. E em
2010, será o Diabo Loiro? Ou o Carrasco Ramon voltará a ser
imperdoável com os coloridos? Bora, Leãooooooo!!!
José Raimundo
Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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