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É preciso quebrar paradigmas!
Renato Ribeiro
Caros rubro-negros,
Gostaria de colocar em discussão
pontos característicos do futebol do Norte/Nordeste ao qual o
nosso rubro-negro faz parte. Será que é possível mudar nossa
realidade para que os clubes da nossa região entrem em
igualdade de condições de disputa com o Sul do País?
Minha preocupação surge porque
observamos em todo início de temporada o mesmo filme. Enquanto
que do lado de cá a formação inicial dos planteis é realizada
da maneira mais modesta possível (cheia de experimentos), sob a
justificativa de que não se tem recursos para serem mais
ousados, no eixo Sul/Sudeste a movimentação de grandes
jogadores entre os clubes é intensa.
A partir daí, o que normalmente se
observa é o ganho de conjunto por parte de Corinthians,
Cruzeiro, Inter e Flamengo (o que lhes levam sempre a buscarem o
topo das competições), enquanto que Vitória, Ceará, Náutico e
Remo vão levando os estaduais com a barriga, são eliminados
entre a primeira e terceira fase da Copa do Brasil e somente
investem um pouco mais no final do primeiro semestre para,
primeiramente, se manterem em suas respectivas divisões de
momento e, em seguida, pensarem em algo mais ambicioso se suas
campanhas permitirem.
E para nosso desespero esse
“investimento” é justamente feito com os reprovados e “refugos”
dos “primos ricos” do sul. Ou seja, quando o Campeonato Nacional
começa, temos os sulistas em “ponto de bala” e os demais em
“ponto de levar bala”!
Quem não está se acostumando, por
exemplo, em profetizar todo ano que “esse não é o time do
Vitória do Brasileirão” ao testemunhar as limitadas equipes e
fracas partidas apresentadas pelo Leão no primeiro semestre? E o
pior é que deveria ser mesmo o time para a temporada! É lógico
que nem todos os atletas serão aprovados, mas quando se investe
pesado e confiante desde o início do ano, somando-se a uma
pré-temporada bem planejada, as chances de se minimizar os erros
e obter um elenco de qualidade (ou vocês acham que bons
jogadores ficarão dando sopa por aí durante um ano completo?)
com entrosamento satisfatório e natural serão maiores.
Aí surge a voz de defesa dos
dirigentes. Eles alegam que o centro econômico localiza-se no
sul do País e que a disparidade de investimentos é desleal. E
aí? Vão ficar com esse discurso ano após ano, aceitando tudo
passivamente? Como diretores, estes devem buscar alternativas e
propostas sólidas para captação de investidores e recursos.
Devem entender, por exemplo, que o marketing nos dias atuais
assume papel primordial para atrair o apoio do torcedor. E acima
de tudo, devem compreender que o amadorismo típico do futebol
romântico e folclórico já acabou, faz muito tempo. Por isso, a
necessidade de gestores profissionais.
Vejamos o Sport Clube do Recife.
Campeão da Copa do Brasil e rebaixado à Série B! De início houve
um investimento significativo e a mentalidade de que é possível
vencer a Copa do Brasil, devido sua fórmula de disputa. Até aí
tudo bem. Só que após a importante conquista, o rubro-negro
pernambucano não conseguiu manter toda estrutura e custos
assumidos, principalmente após a eliminação da Taça Libertadores
da América. Resultado? Segunda Divisão em 2010!
É preciso mudar os paradigmas. Se
a coisa continuar como está, não demorará a Vitória e Ceará
voltarem às zonas inferiores do futebol brasileiro. É preciso se
encontrar maneiras criativas e inteligentes para se mudar todo
esse contexto que “premia” o sul com investimentos/equipes
fortes e “pune” o Norte/Nordeste com elencos meia boca. Que tal
começarem pela profissionalização de fato do nosso futebol?
Saudações Rubro-Negras!
Renato dos
Anjos Ribeiro
Rubro-negro e
fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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