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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 108 - 28 de fevereiro a 6 de março de 2010

Foto: A Tribuna

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Valeu, “veinho”!

Renato Ribeiro

Caros rubro-negros,

Pra quem observou o título desse texto, pode imaginar que se trata de mais uma homenagem a Ramon Menezes. Apesar do “Reizinho do Barradão” também ser carinhosamente chamado pela torcida de “veinho”, em virtude da sua idade (considerada avançada para o futebol atual, cada vez mais focado para a performance física) os agradecimentos dessa vez se estendem ao meia Jackson, devido ao seu profissionalismo e por tudo que construiu em sua vitoriosa passagem pelo Leão da Barra.

Como todos sabem, nos dias de hoje é muito difícil identificar atletas sérios que defendam uma instituição com responsabilidade. Os astronômicos salários, associados à falta de preparo psicológico, carência familiar e estrutura motivam os jogadores a buscarem a Europa, carros caríssimos, “Marias Chuteiras” e farras, colocando a carreira para segundo plano e o clube para terceiro. Na maioria dos casos, o que se observa é a apresentação do jogador beijando o escudo do clube e dedicando amor eterno que se finda logo após uma nova proposta tentadora.

No caso de Jackson não quero afirmar que ele ama ou amou o Vitória, mas sempre defendeu a camisa rubro-negra com muito profissionalismo e dedicação. Está certo que o maranhense já se encontra em fim de carreira, mas não recordo de qualquer episódio negativo que tenha manchado sua trajetória no futebol. Devido a esses fatores e também a sua qualidade técnica/ física que sua vida tenha sido marcada por conquistas e até passagem pela Seleção Brasileira.

E voltando especificamente ao Vitória, vamos recordar que Jackson fez parte de um momento importante, no qual marcou o retorno do Leão à elite do futebol brasileiro, da auto-afirmação na série A e consolidação da hegemonia local, após o susto do Colo-Colo em 2006. E tudo isso construído com muito respeito às cores vermelho e preto.

Seu desejo de colaborar era tão grande que por determinadas vezes perdemos a paciência, ora com ele mesmo, ora com os treinadores. Qual foi o torcedor que não ficou louco de raiva naquelas situações nas quais os nossos comandantes improvisaram Jackson na lateral direita devido à falta de opção? Contra o São Paulo, quando perdemos por 1x0 no Barradão, ano passado, eu só faltei xingar a tataravó de Jackson quando ele atravessou aquela maldita bola na nossa intermediária que resultou no gol de Dagoberto!

Por outro lado, quem não se lembra da sua estrela brilhando, como no épico baVi dos 6x5 quando perdíamos por 1x0 e o “veinho” empatou o clássico após concluir um cruzamento de Alysson, sem chances para Paulo Musse? E o primeiro gol da volta à série A, contra o CRB? Pois é, amigos! Sempre que podia Jackson deixava o seu em situações decisivas.

Outra coisa que merece destaque se refere ao cuidado com o corpo e, consequentemente, ao comprometimento com os objetivos do Vitória. Nos testes das pré-temporadas o mesmo era sempre um dos que apresentava os melhores resultados, inclusive comparados aos dos mais novos que em grande parte retornavam das férias carentes de um melhor rendimento físico.

É fato que a renovação já se fazia necessária na Toca e por lógica os dias do “veinho” (assim como os de Ramon, que para brasileiro/ série A, não dá mais) estavam encerrados, mas é impossível não ser grato a um jogador, que se não atingiu status de ídolo, foi imprescindível para o ressurgimento do Vitória no cenário nacional. Em uma época na qual o futebol é conduzido por milionários farristas desequilibrados emocionalmente fomos premiados com um verdadeiro atleta que sempre pregou a consideração pelo clube, envolvimento e ajuda aos companheiros, principalmente os mais jovens, a conseguirem memoráveis resultados.

Valeu, Jackson! E muito obrigado!

Saudações Rubro-Negras!

Renato dos Anjos Ribeiro

Rubro-negro e fisioterapeuta.

E-mail: tinhojhow@yahoo.com.br

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