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Passadas as cinzas, que comece o ano
José Raimundo Silveira
Reza a lenda que o ano só começa
em Salvador após o Carnaval. De fato, muito se deixa para ser
concretizado após a festa. Negócios, oportunidades de emprego,
projetos pessoais e até as aulas de meu filho na escola, que
botou uma semaninha marota em fevereiro só para justificar a
mensalidade, enforcando inexplicavelmente a quinta e sexta
pós-Cinzas. Essa é a minha esperança com relação ao Vitória: que
o ano comece a partir de agora, no tocante à qualificação da
equipe.
Não faço referência aos resultados
e o futebol praticado até então. Em campo, o time vai fazendo o
que pode para cumprir a obrigação de ser o melhor em uma
competição fraca como o Campeonato Baiano. O Leão lidera com
folga e, mesmo estando longe de apresentar futebol consistente e
que empolgue, desponta como franco favorito ao título. Uma
constante nas últimas duas décadas.
Poderia ser usado como argumento
que o Vitória passou pelo seu maior teste, que foi o triunfo
sobre o representante baiano da segundona. Entretanto, há muito
tempo o futuro Santa Cruz deixou de ser parâmetro de qualquer
coisa positiva. Uma equipe que apanha de 5 de um adversário
recém-ex-extinto como o Bahia de Feira, diante do olhar de sua
sofrida torcida, não merece algo além de pena. Foi bom ganhar
deles? Sem dúvida! Ainda mais que o triunfo baixou a bolinha
daquela mulambada, que cantou vitória antes da hora. Mas
derrotá-los não tem o mesmo gosto de outrora, quando ainda
ofereciam resistência. Eles são café-com-leite.
O ponto central é o seguinte: o
horizonte é a Série A, que se
avizinha. E a maioria dos nossos concorrentes está muitos passos
à frente em termos de elenco e qualidade apresentada na prática.
Sinceramente, hoje, não vejo como enfrentar em pé de igualdade
equipes como o Santos, Corinthians, Internacional, Flamengo e
Vasco. Não é complexo de inferioridade, trata-se apenas de
análise fria e comparativa.
A solução é conhecida. De uma hora
para outra, não vai ocorrer a
transformação de nossos jogadores, regulares em sua maioria, em
craques decisivos. Então, há a necessidade de qualificação do
grupo, que só virá com a contratação. Pena que, mais uma vez,
teremos que esperar as sobras do Campeonato Paulista e Carioca
para obter reforços.
Não quero aqui cornetar a direção,
mas apenas lançar o alerta sobre essa questão. O panorama não é
dos mais favoráveis ao Leão na Série A. Sem querer dar uma de
profeta do apocalipse, com o atual elenco, nossa luta será mesmo
para se manter na elite. O que vier além disso será lucro a ser
bastante comemorado.
José Raimundo
Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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