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Torcendo por Ricardo Silva
Tiago
Ferreira Bittencourt
Pela estratégia anunciada pelo
presidente Alexi Portela no fim de 2009, quando disse que o
Vitória começaria o ano com redução de custos, dando prioridade
ao Campeonato Brasileiro, a efetivação de Ricardo Silva como
treinador foi nada mais do que sensato. Técnico da terra, anos
de clube, conhecedor o grupo, bem quisto pelos atletas, e ganhou
oito das nove partidas em que trabalhou como “tampão”. Seria um
Andrade do rubro-negro baiano.
O ano de 2010 veio com
contratações em número muito inferior ao de anos anteriores,
mas, a princípio, com qualidade maior. De fato, o que vemos em
campo não é, em predominância, falta de qualidade técnica dos
atletas, mas uma falta de entrosamento muito grande.
Quem assistiu ao BAVI em Pituaçu
viu um dos piores clássicos dos últimos anos. Foram dois times
em uma apresentação de baba. A sorte foi o Vitória ter feito o
primeiro gol, porque não sei se teria estrutura emocional para
buscar a virada. E pior que com esse placar de 1x0, o Bahia
tirou o volante Bruno Silva e botou o atacante Wilson Júnior, e
Ricardo Silva tirou o atacante Schwenck para botar o zagueiro
Vilson. Qualquer um pensou nessa hora que estava chamando o
Bahia para cima, até porque o time ficou sem ataque. Por sorte,
o Bahia se abriu demais e no contra-ataque o Leão fez o segundo.
Sorte.
A partir disso, as cobranças em
cima de Ricardo Silva começaram a aparecer. No BAVI, Ramon, o
iluminado dos clássicos, estava para morrer de cansaço antes de
fazer o gol. Será que o técnico vai ter peito de tirar Ramon
quando este não estiver bem? Nem sempre o Reizinho vai receber a
graça divina do gol.
Depois do clássico, foi levantado
que Ricardo, com salário de R$15 mil, ganhou de Renato, com
salário de R$150 mil. Mesmo que sejam apenas especulações, o
técnico rubro-negro ganha um valor baixo para os padrões de um
time de Série A, muito aquém do treinador de um time de 2ª
Divisão. Ou seja, a obrigação de vencer era do tricolor? Claro
que não. Se salário vencer jogo, podemos prever o Corinthians,
com os milionários Ronaldo e Roberto Carlos, campeão de tudo em
2010. E pela ótica mais pessoal, não devemos nos acomodar por
termos um orçamento menor.
Ricardo deve ainda mostrar que
pode comandar um time como o Vitória. Tem que entrosar o grupo,
dar um padrão de jogo, vencer convencendo. Só vencer não basta,
porque nunca há a segurança para o próximo jogo. Ele tem que
perder e a timidez e ser ousado, usando a lógica que ele mesmo
falou que usaria: entra quem estiver bem.
Falta a Ricardo Silva ainda pegar
o speed do cargo que ocupa. Mas com o tempo ele vai
pegando. O que não pode faltar é maturidade para ser técnico de
um time como o Vitória. E isso ele ainda tem que provar que tem.
Tiago
Ferreira Bittencourt
Jornalista
e torcedor rubro-negro
E-mail:
tiagoferreirab@gmail.com
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