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Era (mais) uma vez em Santana-Ba...
Renato Ribeiro
Caros rubro-negros,
Como já relatei em alguns dos
textos passados, morei no município de Santana-Ba (cidade do
oeste baiano, localizada cerca de 850 Km de Salvador) entre
fevereiro de 2002 e outubro de 2003. Por lá, fiz grandes amigos,
bons de papo, de cerva, mas quando o assunto era futebol, as
únicas pessoas nas quais eu alimentava minha rivalidade com o
Bahia faziam parte da família de um amigo médico, nascido e
criado em Salvador, e que também sentia naquela época a
experiência de trabalhar longe da terra natal. A galera se
divertia com a atmosfera do baVi, e esperava ansiosamente por
dia de clássico soteropolitano, afim de assistirem as
provocações vindas de ambos os lados (eu X parte da família
dele!).
Eis que chegou o final de semana
de um baVi inesquecível para nós (vocês verão no decorrer do
texto) e desde cedo as resenhas começaram pelas ruas de Santana
(na feira de sábado) e também por telefone. Só que na casa dele,
seu pai e irmão são rubro-negros, enquanto que a irmã e sua mãe,
somadas ao próprio, são tricolores. Mas, de todos que compõem o
clã deles, o prêmio “torcedor mais cri-cri” vai para a mãe. A
figura ia sozinha (se ninguém fosse) pra Fonte Nova e é daquelas
que quando ganha baVi tira o coro de quem é Vitória. Pra ser
sincero, ela era a pessoa que eu mais temia encarar, caso
perdêssemos um duelo frente ao tricolor.
Como naquele período eu estava sem
PC, tinha que ficar ligando pra Salvador no intuito de ficar a
par dos resultados dos jogos do Leão. Nesse dia, eu esperei um
pouco mais para fazer contato com o meu QG, em decorrência do
nervosismo que o clássico me traz. Além disso, sabia que meus
irmãos e meu pai estavam no estádio e havia dúvidas se minha mãe
encontrava-se em casa. Fiquei, então, "batendo uma gelada" e, ao
mesmo tempo, calculando o fim do primeiro tempo no relógio.
Foi aí que por volta de meados da
segunda etapa tomei coragem e liguei pra capital. Minha mãe
atendeu e para meu desespero noticiou que o rival estava
vencendo por 2X0. Nesse momento, minha cara devia ser de
velório, eu não conseguia beber um gole de cerveja (que estava
geladíssima!) e a vontade de sumir do planeta era gigantesca!
Fora a expectativa de encarar a “turma tricolor” (com cabeça
baixa engolindo as gozações), que insistia em não sumir! Putz!
E o pior ainda estava por vir. De
repente,0 o telefone toca. Nem precisava adivinhar. Era o
miserável, perguntando se eu já estava sabendo do placar do
Manoel Barradas. Ao fundo dava pra ouvir o massacre de pirraças
que a galera rival fazia em cima dos rubro-negros da casa e que
agora se voltava para mim também. De repente ele passa o
telefone para a mais perturbada da casa:
- Alô! Renato?
- Diga, minha tia!
- Menino... Tá quanto o baVi?
- Sei não.
- Tá 2X0 pro meu Baêêaa, viu?!
KKKKKKKKKKK
- Que dureza! Er...
- Olhe... Quando acabar o jogo,
venha jantar aqui, viu?
- Tá bom.
- Mas venha mesmo! Estamos te
esperando! Beijos! KKKKKKKKKKKKKK
Aí foi de lascar! Tomar 2X0 dentro
do santuário e ter que ouvir aquela sacanagem toda foi foda!
Esperei dar um tempo pro jogo acabar, peguei o telefone quase
que automaticamente e perguntei a minha mãe:
- E aí mãe? Quanto foi essa
porcaria?
- Meu filho! O Vitória virou pra
3X2!
- O queeeeeeeeeeeeeeeeee? Mentira!
Que zorra é essa, minha mãe?
- É, Tinho! O Vitória virou! E com
três gols de um tal de Nadson! Aqui no Júlio César tá uma
gritaria danada!
- AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH! VITÓRIA,
POOOORRAAAAAAAA! Valeu mãe! Depois eu ligo!
Foi aí que a semana começou de
verdade e a maldade virou de lado. Gritei pela casa, botei o
hino pra tocar, enfiei o pé na jaca, peguei o manto sagrado e
fui para o meu destino sabido de cor (eles moravam mais ou menos
a cinco minutos a pé da minha residência)! No trajeto, eu
berrava feito um louco, para gargalhadas da vizinhança que já
estava acostumada com toda aquela “nojeira”! Foi quando eu
cheguei ao “meu alvo” e visualizei o contraste: De um lado, a
euforia do pai e do irmão, do outro o semblante incrédulo dos
tricolores.
- AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH! BORA
VITÓRIA MINHA ZOOOOOORRAAAAAAA! Gritei.
- Menino...O que você tá fazendo
aqui?, perguntou a mãe tricolor.
- Oxe! Esqueceu do convite? Vim
jantar! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Saudações Rubro-Negras!
Renato dos
Anjos Ribeiro
Rubro-negro e
fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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