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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 106 - 7 a 20 de fevereiro de 2010

Foto: Luciano Santos

:: Artigos ::

Era (mais) uma vez em Santana-Ba...

Renato Ribeiro

Caros rubro-negros,

Como já relatei em alguns dos textos passados, morei no município de Santana-Ba (cidade do oeste baiano, localizada cerca de 850 Km de Salvador) entre fevereiro de 2002 e outubro de 2003. Por lá, fiz grandes amigos, bons de papo, de cerva, mas quando o assunto era futebol, as únicas pessoas nas quais eu alimentava minha rivalidade com o Bahia faziam parte da família de um amigo médico, nascido e criado em Salvador, e que também sentia naquela época a experiência de trabalhar longe da terra natal. A galera se divertia com a atmosfera do baVi, e esperava ansiosamente por dia de clássico soteropolitano, afim de assistirem as provocações vindas de ambos os lados (eu X parte da família dele!). 

Eis que chegou o final de semana de um baVi inesquecível para nós (vocês verão no decorrer do texto) e desde cedo as resenhas começaram pelas ruas de Santana (na feira de sábado) e também por telefone. Só que na casa dele, seu pai e irmão são rubro-negros, enquanto que a irmã e sua mãe, somadas ao próprio, são tricolores. Mas, de todos que compõem o clã deles, o prêmio “torcedor mais cri-cri” vai para a mãe. A figura ia sozinha (se ninguém fosse) pra Fonte Nova e é daquelas que quando ganha baVi tira o coro de quem é Vitória. Pra ser sincero, ela era a pessoa que eu mais temia encarar, caso perdêssemos um duelo frente ao tricolor. 

Como naquele período eu estava sem PC, tinha que ficar ligando pra Salvador no intuito de ficar a par dos resultados dos jogos do Leão. Nesse dia, eu esperei um pouco mais para fazer contato com o meu QG, em decorrência do nervosismo que o clássico me traz. Além disso, sabia que meus irmãos e meu pai estavam no estádio e havia dúvidas se minha mãe encontrava-se em casa. Fiquei, então, "batendo uma gelada" e, ao mesmo tempo, calculando o fim do primeiro tempo no relógio. 

Foi aí que por volta de meados da segunda etapa tomei coragem e liguei pra capital. Minha mãe atendeu e para meu desespero noticiou que o rival estava vencendo por 2X0. Nesse momento, minha cara devia ser de velório, eu não conseguia beber um gole de cerveja (que estava geladíssima!) e a vontade de sumir do planeta era gigantesca! Fora a expectativa de encarar a “turma tricolor” (com cabeça baixa engolindo as gozações), que insistia em não sumir! Putz! 

E o pior ainda estava por vir. De repente,0 o telefone toca. Nem precisava adivinhar. Era o miserável, perguntando se eu já estava sabendo do placar do Manoel Barradas. Ao fundo dava pra ouvir o massacre de pirraças que a galera rival fazia em cima dos rubro-negros da casa e que agora se voltava para mim também. De repente ele passa o telefone para a mais perturbada da casa: 

- Alô! Renato? 

- Diga, minha tia! 

- Menino... Tá quanto o baVi? 

- Sei não. 

- Tá 2X0 pro meu Baêêaa, viu?! KKKKKKKKKKK 

- Que dureza! Er... 

- Olhe... Quando acabar o jogo, venha jantar aqui, viu? 

- Tá bom. 

- Mas venha mesmo! Estamos te esperando! Beijos! KKKKKKKKKKKKKK 

Aí foi de lascar! Tomar 2X0 dentro do santuário e ter que ouvir aquela sacanagem toda foi foda! Esperei dar um tempo pro jogo acabar, peguei o telefone quase que automaticamente e perguntei a minha mãe: 

- E aí mãe? Quanto foi essa porcaria? 

- Meu filho! O Vitória virou pra 3X2! 

- O queeeeeeeeeeeeeeeeee? Mentira! Que zorra é essa, minha mãe? 

- É, Tinho! O Vitória virou! E com três gols de um tal de Nadson! Aqui no Júlio César tá uma gritaria danada! 

- AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH! VITÓRIA, POOOORRAAAAAAAA! Valeu mãe! Depois eu ligo! 

Foi aí que a semana começou de verdade e a maldade virou de lado. Gritei pela casa, botei o hino pra tocar, enfiei o pé na jaca, peguei o manto sagrado e fui para o meu destino sabido de cor (eles moravam mais ou menos a cinco minutos a pé da minha residência)! No trajeto, eu berrava feito um louco, para gargalhadas da vizinhança que já estava acostumada com toda aquela “nojeira”! Foi quando eu cheguei ao “meu alvo” e visualizei o contraste: De um lado, a euforia do pai e do irmão, do outro o semblante incrédulo dos tricolores. 

- AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH! BORA VITÓRIA MINHA ZOOOOOORRAAAAAAA! Gritei. 

- Menino...O que você tá fazendo aqui?, perguntou a mãe tricolor. 

- Oxe! Esqueceu do convite? Vim jantar! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK 

Saudações Rubro-Negras!

Renato dos Anjos Ribeiro

Rubro-negro e fisioterapeuta.

E-mail: tinhojhow@yahoo.com.br

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