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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 103 - 17 a 23 de janeiro de 2010

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

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Dois pesos, duas medidas

José Raimundo Silveira

Dividir as lutas e artes marciais em categorias por peso tem sua razão de ser. É no mínimo desigual um boxeador de 50kg enfrentar um oponente de 100kg. O mais magrinho pode até vencer, mas a tendência é que perca nove de dez combates contra o armário. Assim também é no futebol. A analogia com o mundo da porrada faz total sentido na atual conjuntura dos clubes brasileiros. Em competições de longo alcance, vai prevalecer, quase sempre, a lei do mais forte.

E quando falo em força, não faço menção à tradição ou peso da camisa dos clubes. Tudo se resume ao fator econômico. O francês Lyon, por exemplo, não tem tradição alguma. Quem sempre mandou por lá foram o Olympique de Marselha, Bordeaux, Monaco e Sait Ettiene. Bastou um suporte financeiro poderoso (como o patrocínio da montadora Renault) para se tornar a maior potência de seus país. Ganhou sete títulos do Campeonato Francês em sequência (nunca havia vencido antes) e fez belas campanhas na Champions League.

Na Inglaterra, o Chelsea estava lá pelo terceiro ou quarto escalões. A enxurrada de dinheiro do russo Roman Abramovich transformou o time azul em potência na terra da rainha. Na Itália, lá pelos anos 90, a grana da Parmalat fez o modestíssimo Parma dar testa nos grandões da velha bota. Na primeira década desse século, a empresa do leite quebrou e recolocou o time no seu real patamar.

Falo tudo isso ainda abismado com a distância existente entre a expectativa de receitas do Vitória e os maiores clubes brasileiros. Nosso clube anunciou que a receita para 2010 é da ordem de R$ 30 milhões. Ora, o Corinthians captará R$ 38 milhões só de patrocínio master nas camisas! Não dá para competir em pé de igualdade dessa forma. Nem para contratar estrelas, com salários astronômicos.

Cada vez mais, a lógica do vil metal é quem dá as cartas. Por isso, sem complexo de inferioridade, começaremos o Campeonato Brasileiro com a meta de nos manter na Série A. Essa é a realidade nua e crua não só do Vitória, mas também de clubes que não tem a mesma capacidade de arrecadar recursos financeiros. Seria necessário um esforço imensurável para conseguir uma posição de destaque, como vaga para Libertadores ou título. É briga de rottweiler.

A saída para conseguir algo em termos nacionais, nos moldes do Brasileirão e na atual realidade financeira, é a Copa do Brasil. E ao analisar a tabela da edição de 2010, fica a sensação de que é possível sonhar. Na primeira fase, o Corinthians de Alagoas. Na segunda, o Náutico. Em uma eventual oitavas, o Goiás. Nas quartas, o Vasco. Na semifinal, Botafogo do Rio ou Palmeiras. Na final, Grêmio, Fluminense, Santos ou Atlético Mineiro. Nada para assustar. Mas isso tudo é na teoria, obviamente.

José Raimundo Silveira

Militar, jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky

E-mail: tencerqueira@gmail.com 

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