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Dois pesos, duas medidas
José Raimundo Silveira
Dividir as lutas e artes marciais
em categorias por peso tem sua razão de ser. É no mínimo
desigual um boxeador de 50kg enfrentar um oponente de 100kg. O
mais magrinho pode até vencer, mas a tendência é que perca nove
de dez combates contra o armário. Assim também é no futebol. A
analogia com o mundo da porrada faz total sentido na atual
conjuntura dos clubes brasileiros. Em competições de longo
alcance, vai prevalecer, quase sempre, a lei do mais forte.
E quando falo em força, não faço
menção à tradição ou peso da camisa dos clubes. Tudo se resume
ao fator econômico. O francês Lyon, por exemplo, não tem
tradição alguma. Quem sempre mandou por lá foram o Olympique de
Marselha, Bordeaux, Monaco e Sait Ettiene. Bastou um suporte
financeiro poderoso (como o patrocínio da montadora Renault)
para se tornar a maior potência de seus país. Ganhou sete
títulos do Campeonato Francês em sequência (nunca havia vencido
antes) e fez belas campanhas na Champions League.
Na Inglaterra, o Chelsea estava lá
pelo terceiro ou quarto escalões. A enxurrada de dinheiro do
russo Roman Abramovich transformou o time azul em potência na
terra da rainha. Na Itália, lá pelos anos 90, a grana da
Parmalat fez o modestíssimo Parma dar testa nos grandões da
velha bota. Na primeira década desse século, a empresa do leite
quebrou e recolocou o time no seu real patamar.
Falo tudo isso ainda abismado com
a distância existente entre a expectativa de receitas do Vitória
e os maiores clubes brasileiros. Nosso clube anunciou que a
receita para 2010 é da ordem de R$ 30 milhões. Ora, o
Corinthians captará R$ 38 milhões só de patrocínio master nas
camisas! Não dá para competir em pé de igualdade dessa forma.
Nem para contratar estrelas, com salários astronômicos.
Cada vez mais, a lógica do vil
metal é quem dá as cartas. Por isso, sem complexo de
inferioridade, começaremos o Campeonato Brasileiro com a meta de
nos manter na Série A. Essa é a realidade nua e crua não só do
Vitória, mas também de clubes que não tem a mesma capacidade de
arrecadar recursos financeiros. Seria necessário um esforço
imensurável para conseguir uma posição de destaque, como vaga
para Libertadores ou título. É briga de rottweiler.
A
saída para conseguir algo em termos nacionais, nos moldes do
Brasileirão e na atual realidade financeira, é a Copa do Brasil.
E ao analisar a tabela da edição de 2010, fica a sensação de que
é possível sonhar. Na primeira fase, o Corinthians de Alagoas.
Na segunda, o Náutico. Em uma eventual oitavas, o Goiás. Nas
quartas, o Vasco. Na semifinal, Botafogo do Rio ou Palmeiras. Na
final, Grêmio, Fluminense, Santos ou Atlético Mineiro. Nada para
assustar. Mas isso tudo é na teoria, obviamente.
José Raimundo
Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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