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Coragem para mudar
José Raimundo Silveira
Olá, irmãos rubro-negros! Desejo a
todos um ótimo 2010 e que tenhamos uma caminhada feliz e livre
de maiores adversidades. O ano começa e a direção do Vitória
apresenta um comportamento diferenciado em relação às últimas
temporadas, no que se refere ao assunto contratação de
jogadores. Ao contrário dos famigerados pacotões de Natal e
ano-novo, a postura é de cautela. Considero uma mudança
positiva, desde que feitas necessárias ressalvas.
A posição cautelosa não deve ser
confundida com lerdeza ou a tradicional “empurrada com a
barriga”. Espero que esteja sendo feito um trabalho realmente
criterioso de observação de possíveis reforços, seguindo a
realidade financeira do clube. Mas também não dá para ficar
atrelado à desculpa do dinheiro (ou falta de) para deixar de
contratar.
A maioria dos clubes vive
endividada e com escassez de recursos, mas nem por isso está
deixando de se reforçar. Não é o caso de fazer mágica, trazendo
gente sem caixa para tanto. Porém, se for pra ficar se
lamentando, ao invés de buscar soluções criativas para
qualificar o time, melhor dar lugar a outro e tocar sua vida
pessoal sem esse encargo.
Entre os clubes de expressão, o
Vitória é o que menos contratou. Melhor dizendo, de gente nova
só trouxemos o zagueiro Vilson. Prefiro esperar ver o camarada
atuar para tecer juízo de valor, mas os precedentes são pouco
louváveis. Sobre o possível retorno de Uéslei, aí é que dá para
ficar mesmo com o pé atrás.
O perigo da demora em contratar é
ter que se acomodar com refugos. Minha amada mãe sabe produzir
magistralmente verdadeiros banquetes com sobras de almoços e
jantares. Mas poucos tem a capacidade de fazer tal alquimia. Dos
nomes especulados, considero interessantes Marcelo Nicácio,
Triguinho e Adaílton. Dando uma de gato-mestre, sugiro, ainda,
os seguintes: Nunes (atacante, Santo André), Reis (atacante
oriundo dos juniores da Ponte Preta) e Renan (volante que já foi
nosso, dispensado pelo Atlético/MG).
No final das contas, o maior
critério nas contratações é válido. O grande problema é ter
peito para manter essa política, caso nosso começo não seja bom.
Daí virão as críticas da torcida, a pilha da imprensa e a
pressão sobre o técnico Ricardo Silva, aprovado pela
arquibancada, mas sem caixa suficiente para segurar o rojão das
cobranças. Tem que ter peito para segurar a onda.
Daí, vem o perigo de jogar o
projeto no ralo, vir um caminhão de jogadores só para aquietar o
facho, trazer um treinador medalhão e os erros de outros anos
seriam repetidos. É o imediatismo batendo à porta. Nesse ponto,
temos que ser inteligentes, como normalmente somos, e ter
maturidade para apoiar o clube, seja qual for a circunstância.
Tem sido nosso apoio incondicional que reergue o Leão e ajuda o
barco a atravessar os mares nos dias de tormenta.
José Raimundo
Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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