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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 100 - 13 a 19 de dezembro de 2009

Nilton Sampaio, Fernando Baía e Nilton Filho (arquivo BOL)

:: Artigos ::

Paixão pelo meu Vitória

Nilton Sampaio

Quando no último domingo, a torcida explodindo em uma só voz entoou nosso hino, e a minha netinha de 2 anos acompanhou com entusiasmo esse canto que sempre me emociona, por um instante voltei à minha infância e me vi nos ombros de meu pai, indo para o estádio torcer pelo Vitória.

O domingo era esperado por mim com ansiedade para a nossa ida ao Campo da Graça e, por alguns anos, esse ritual se repetiu.

O tempo passou, o campo não era o mesmo, já havia a Fonte Nova. Meu pai já não frequentava o estádio, mas o ritual era o mesmo. Se o Vitória jogava, não havia outra programação. O domingo era sagrado. Roupa separada, almoço saindo mais cedo, tudo para ver a bola rolando no gramado. Chegada no estádio, olhos acompanhando o desempenho dos jogadores que lutavam para, com uma jogada, levar a bola em direção ao fundo da rede. Frio na barriga, grito preso na garganta lá estava eu torcendo desesperado.

Nenhuma palavra traduz o que se passa no coração da gente, anos após anos, acompanhando o seu time e sentindo a mesma emoção.

Lembro da imensa alegria quando, pela primeira vez, levei meu filho à Fonte Nova. Depois, com um orgulho danado, levei meu neto ao Barradão.

O prazer é enorme de vê-los torcendo pelo meu time que agora também é o deles.

O meu amor incondicional pelo Vitória foi regiamente recompensado. Em todos nós da família corre sangue vermelho e preto.

E para todos dia de jogo do Vitória é dia sagrado. Camisa vermelha e preta, chegada no Barradão, bandeiras enfeitam as arquibancadas, a emoção correndo solta enquanto a bola corre no gramado. Coração aos pulos, alegria do gol.

Não há razão que explique a emoção de torcer pelo meu time. Vestir a camisa vermelha e preta, ir ao estádio, gritar de longe instruções para os jogadores, vaiar o juiz ou torcer em frente à TV, ouvido colado no radinho, pulos, gritos, sustos, a bola teima em não entrar, o bandeirinha não marca ou marca errado. São pequenos detalhes que ratificam essa paixão. Para alguns, pode ser bobagem, para mim não.

Apesar da satisfação de sempre colaborar com o Vitória, seja atuando como Conselheiro, Tesoureiro, Vice Presidente ou como Presidente do Conselho Fiscal, apesar do orgulho de ser um dos responsáveis pela construção do Barradão, nada, nada se compara à alegria de ser torcedor de arquibancada do meu time. Torcedor de sol e chuva, torcedor de dia e noite, que grita, sua e sofre quando ele vai mal, mas que vibra com cada gol feito e vai ao delírio quando anunciam a sua vitória.

Minha neta torcendo, por uns instantes, me trouxe a lembrança de meu pai e um pensamento. No início éramos só ele e eu indo juntos para o Campo da Graça. Hoje, nos dias de jogo do Vitória, o ritual ainda é o mesmo: roupa separada, almoço saindo mais cedo, chegada no Barradão, bandeiras enfeitam as arquibancadas a emoção correndo solta enquanto a bola corre no gramado. Mas agora somos muitos: filhos, netos, nora, sobrinhos, irmãos, primos e cunhados. Todos rubro-negros: pura paixão.

Nilton Sampaio

Rubro-negro, conselheiro e Presidente do Conselho Fiscal do Esporte Clube Vitória. Aniversariante no último dia 4. Parabéns, Niltão!

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:: Artigos ::

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