|
::
Artigos ::
Paixão pelo meu Vitória
Nilton Sampaio
Quando no último domingo, a
torcida explodindo em uma só voz entoou nosso hino, e a minha
netinha de 2 anos acompanhou com entusiasmo esse canto que
sempre me emociona, por um instante voltei à minha infância e me
vi nos ombros de meu pai, indo para o estádio torcer pelo
Vitória.
O domingo era esperado por mim com
ansiedade para a nossa ida ao Campo da Graça e, por alguns anos,
esse ritual se repetiu.
O tempo passou, o campo não era o
mesmo, já havia a Fonte Nova. Meu pai já não frequentava o
estádio, mas o ritual era o mesmo. Se o Vitória jogava, não
havia outra programação. O domingo era sagrado. Roupa separada,
almoço saindo mais cedo, tudo para ver a bola rolando no
gramado. Chegada no estádio, olhos acompanhando o desempenho dos
jogadores que lutavam para, com uma jogada, levar a bola em
direção ao fundo da rede. Frio na barriga, grito preso na
garganta lá estava eu torcendo desesperado.
Nenhuma palavra traduz o que se
passa no coração da gente, anos após anos, acompanhando o seu
time e sentindo a mesma emoção.
Lembro da imensa alegria quando,
pela primeira vez, levei meu filho à Fonte Nova. Depois, com um
orgulho danado, levei meu neto ao Barradão.
O prazer é enorme de vê-los
torcendo pelo meu time que agora também é o deles.
O meu amor incondicional pelo
Vitória foi regiamente recompensado. Em todos nós da família
corre sangue vermelho e preto.
E para todos dia de jogo do
Vitória é dia sagrado. Camisa vermelha e preta, chegada no
Barradão, bandeiras enfeitam as arquibancadas, a emoção correndo
solta enquanto a bola corre no gramado. Coração aos pulos,
alegria do gol.
Não há razão que explique a emoção
de torcer pelo meu time. Vestir a camisa vermelha e preta, ir ao
estádio, gritar de longe instruções para os jogadores, vaiar o
juiz ou torcer em frente à TV, ouvido colado no radinho, pulos,
gritos, sustos, a bola teima em não entrar, o bandeirinha não
marca ou marca errado. São pequenos detalhes que ratificam essa
paixão. Para alguns, pode ser bobagem, para mim não.
Apesar da satisfação de sempre
colaborar com o Vitória, seja atuando como Conselheiro,
Tesoureiro, Vice Presidente ou como Presidente do Conselho
Fiscal, apesar do orgulho de ser um dos responsáveis pela
construção do Barradão, nada, nada se compara à alegria de ser
torcedor de arquibancada do meu time. Torcedor de sol e chuva,
torcedor de dia e noite, que grita, sua e sofre quando ele vai
mal, mas que vibra com cada gol feito e vai ao delírio quando
anunciam a sua vitória.
Minha neta torcendo, por uns
instantes, me trouxe a lembrança de meu pai e um pensamento. No
início éramos só ele e eu indo juntos para o Campo da Graça.
Hoje, nos dias de jogo do Vitória, o ritual ainda é o mesmo:
roupa separada, almoço saindo mais cedo, chegada no Barradão,
bandeiras enfeitam as arquibancadas a emoção correndo solta
enquanto a bola corre no gramado. Mas agora somos muitos:
filhos, netos, nora, sobrinhos, irmãos, primos e cunhados. Todos
rubro-negros: pura paixão.
Nilton Sampaio
Rubro-negro,
conselheiro e Presidente do Conselho Fiscal do Esporte Clube
Vitória. Aniversariante no último dia 4. Parabéns, Niltão!
-
|