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Verso e reverso
José Raimundo Silveira
Os sentimentos se misturam ao
analisar esse final de temporada do Vitória e as perspectivas
para 2010. Satisfação, alegria, esperança e otimismo estão lado
a lado com a decepção, tristeza, temor e o pessimismo. Reflexos
de um ano cheio de altos e baixos para a torcida rubro-negra.
Por um lado, temos que comemorar
mais uma temporada com o Vitória dono da hegemonia estadual. E
digo isso não apenas pela conquista do título local, algo que é
quase uma obrigação. Falo pela auto-estima da torcida, que ainda
é a que mais cresce no estado, mas também pela estrutura física
do clube e demonstração de maior maturidade por parte do seu
quadro diretivo.
Continuamos na Série A, o que já é
algo a comemorar, face a diferença de orçamento em relação aos
clubes do eixo econômico do Brasil. Passamos susto apenas nas
últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, ficando a maior parte
do tempo naquela faixa de classificação para a Sul-Americana.
Mas não fosse aquela vitória sobre o Barueri...
Vislumbramos um 2010 positivo,
começando pela contratação de um diretor de futebol de fato.
Mauro Galvão pode errar tudo o que tem direito, mas não se pode
dizer que desconheça da matéria. Sua contratação foi um gol a
favor da nossa direção. Que o mesmo seja bem assessorado a
respeito da realidade local e não sofra com boicotes internos ou
ciumeira dentro do Leão.
Vejo a renovação de Viáfara,
Vanderson e Ramon como positivas. São jogadores experientes,
gostam do Vitória e, até onde sei, extremamente profissionais.
Podem ser um bom esteio para os jovens que serão promovidos e
contratados.
Agora, a parte ruim. Encerramos o
ano de novo sem um título expressivo. Até quando? Clubes com
poderio menor que o Vitória já conquistaram troféus em termos
nacionais. O que falta para galgarmos esse degrau? Planejamento
e vontade são os primeiros requisitos. Tendo esses dois
aspectos, já seria um bom começo.
Outro ponto negativo é a repetição
de velhos equívocos. Não dá para desperdiçar os já parcos
recursos em contratações aventureiras. A margem de erro do
Vitória na aquisição de reforços tem sido muito elevada. Daí vem
o desgaste com a torcida, a dureza de ter que desembolsar grana
para acertar rescisões e a penosa perda de tempo para dar
suporte ao treinador na montagem de um time competitivo. Uma
ladainha que se renova ano a ano.
A ameaça de racha na direção
também preocupa. Não é possível que o Vitória retorne aos tempos
em que se auto-destruía, envolvido em querelas e picuinhas
internas, fortalecendo os adversários, especialmente o time
sem-teto, que teve essa ajuda anos a fio para crescer e se
manter no topo no estado.
Por falar em teto, outro fator que
assombra é a aventura da parceria na construção de um estádio lá
para as bandas de Lauro de Freitas, tendo como sócios a turma do
Axé Music, empresários estrangeiros e o falido rival segundista,
quase terceirista. Os ideólogos da modernidade no futebol chamam
de retrógrados quem é contra esse projeto. Considero um acinte
tal proposta nos termos que foram publicados. E o Vitória tem
pouco ou nada a ganhar.
Noves fora, vejo um 2010 com boas
perspectivas para o rubro-negro, já com o patrocinador master
definido. Com o departamento de futebol nas mãos de uma pessoa
que conhece do ramo, torço por melhores contratações e maior
cuidado na gestão dos recursos humanos, evitando que treinador e
time fiquem reféns de jogadores inescrupulosos, cheios de
vontades e vícios. Atenta, a torcida promete manter a
vigilância, sempre cobrando, mas também apoiando nosso amado
clube.
José Raimundo
Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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na história do nosso clube"
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