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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 99 - 6 a 12 de dezembro de 2009

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

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Verso e reverso

José Raimundo Silveira

Os sentimentos se misturam ao analisar esse final de temporada do Vitória e as perspectivas para 2010. Satisfação, alegria, esperança e otimismo estão lado a lado com a decepção, tristeza, temor e o pessimismo. Reflexos de um ano cheio de altos e baixos para a torcida rubro-negra.

Por um lado, temos que comemorar mais uma temporada com o Vitória dono da hegemonia estadual. E digo isso não apenas pela conquista do título local, algo que é quase uma obrigação. Falo pela auto-estima da torcida, que ainda é a que mais cresce no estado, mas também pela estrutura física do clube e demonstração de maior maturidade por parte do seu quadro diretivo.

Continuamos na Série A, o que já é algo a comemorar, face a diferença de orçamento em relação aos clubes do eixo econômico do Brasil. Passamos susto apenas nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, ficando a maior parte do tempo naquela faixa de classificação para a Sul-Americana. Mas não fosse aquela vitória sobre o Barueri...

Vislumbramos um 2010 positivo, começando pela contratação de um diretor de futebol de fato. Mauro Galvão pode errar tudo o que tem direito, mas não se pode dizer que desconheça da matéria. Sua contratação foi um gol a favor da nossa direção. Que o mesmo seja bem assessorado a respeito da realidade local e não sofra com boicotes internos ou ciumeira dentro do Leão.

Vejo a renovação de Viáfara, Vanderson e Ramon como positivas. São jogadores experientes, gostam do Vitória e, até onde sei, extremamente profissionais. Podem ser um bom esteio para os jovens que serão promovidos e contratados.

Agora, a parte ruim. Encerramos o ano de novo sem um título expressivo. Até quando? Clubes com poderio menor que o Vitória já conquistaram troféus em termos nacionais. O que falta para galgarmos esse degrau? Planejamento e vontade são os primeiros requisitos. Tendo esses dois aspectos, já seria um bom começo.

Outro ponto negativo é a repetição de velhos equívocos. Não dá para desperdiçar os já parcos recursos em contratações aventureiras. A margem de erro do Vitória na aquisição de reforços tem sido muito elevada. Daí vem o desgaste com a torcida, a dureza de ter que desembolsar grana para acertar rescisões e a penosa perda de tempo para dar suporte ao treinador na montagem de um time competitivo. Uma ladainha que se renova ano a ano.

A ameaça de racha na direção também preocupa. Não é possível que o Vitória retorne aos tempos em que se auto-destruía, envolvido em querelas e picuinhas internas, fortalecendo os adversários, especialmente o time sem-teto, que teve essa ajuda anos a fio para crescer e se manter no topo no estado.

Por falar em teto, outro fator que assombra é a aventura da parceria na construção de um estádio lá para as bandas de Lauro de Freitas, tendo como sócios a turma do Axé Music, empresários estrangeiros e o falido rival segundista, quase terceirista. Os ideólogos da modernidade no futebol chamam de retrógrados quem é contra esse projeto. Considero um acinte tal proposta nos termos que foram publicados. E o Vitória tem pouco ou nada a ganhar.

Noves fora, vejo um 2010 com boas perspectivas para o rubro-negro, já com o patrocinador master definido. Com o departamento de futebol nas mãos de uma pessoa que conhece do ramo, torço por melhores contratações e maior cuidado na gestão dos recursos humanos, evitando que treinador e time fiquem reféns de jogadores inescrupulosos, cheios de vontades e vícios. Atenta, a torcida promete manter a vigilância, sempre cobrando, mas também apoiando nosso amado clube.

José Raimundo Silveira

Militar, jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky

E-mail: tencerqueira@gmail.com 

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