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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 99 - 6 a 12 de dezembro de 2009

Foto: Acervo BOL

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22/04/07: Dia do Índio!

Renato Ribeiro

Caros rubro-negros, 

Era 22 de abril de 2007. Nesse dia, eu comemorava os meus 31 anos de vida. E também nesse mesmo dia, estava reservado para toda a comunidade esportiva baiana aquele que seria o último baVi da velha Fonte Nova. Aliás, poucos imaginariam que o clássico daquele final de semana seria movido a emoções tão extremas e placar tão atípico. 

Ao acordar fiquei sabendo que meu pai iria botar o feijão aqui no prédio em minha homenagem. Pronto. De antemão fiquei sabendo que não iria mais para o clássico, haja vista a quantidade de convidados e minha necessidade de ficar até o final do evento, simplesmente pelo fato de ser o aniversariante. Tratei então de vender meu ingresso para um dos presentes que iria ao Octávio Mangabeira e que estava atrás da preciosa credencial, com todo remorso do mundo. 

E o povo foi chegando. Inclusive um grande amigo de infância, Danilo, que trouxe o seu co-cunhado Denilson, também rubro-negro e que juntamente com Francisco Ribeiro combinaram de sair no mesmo horário, para meu desespero que não tinha outra alternativa, senão descer com o radinho de pilha na hora do confronto. 

Eis que os miseráveis foram para a Fonte já cheios do mé e minha face de frustração era de uma criança que não podia sair pra brincar porque tinha prova de matemática (misericórdia!) no dia seguinte. Só me restou o grito de “Tragam o triunfo, viu seus porra?!” como forma de desabafo. A partir daí, era só contar os minutos para ligar o som e conferir a batalha da forma que eu menos curto. Queria estar lá! 

Mas eu não estava só. Tinha a companhia de meu Pai, meu outro irmão, Marcel Ribeiro e de Carlos André, nosso primo fanático pelo Leão, que não tinha conseguido ingresso para a partida e resolveu ser solidário a mim. 

Enfim começa o clássico. Com poucos minutos de bola rolando o rival faz 1X0 com Danilo Rios, após cobrança de falta. “Puta merda! Não é possível! Essas misérias vão ganhar da gente justo hoje?”, pensava alto. Minha vontade era de largar tudo ali, me mandar pra Fonte e entrar pelo xaréu.  

Quando todos pensavam que o tricolor cresceria ainda mais no jogo, o “veinho” Jackson empata o clássico desviando um cruzamento de Alysson pelo lado esquerdo do nosso ataque. Alegria da massa rubro-negra. Festa aqui no salão, com todo mundo mais sujo que pinto no lixo a aquela altura! 

E foi a partir de então que o ator principal do confronto resolveu entrar no jogo. Índio faria naquela tarde a maior partida da sua carreira (alguns até citam que ele já cumpriu sua missão na Terra), iniciada após jogada de Apodi que cruzou para o nosso cacique mergulhar de peixinho sem chances de defesa para Paulo Musse. Vitória 2X1. 

Mas, o Bahia venderia caro aquela derrota. Fausto recebe um belo passe de Danilo Rios e da entrada da área bate rasteiro no canto de Emerson. Nesse momento eu percebia que quando o radinho estava na minha mão, saia gol nosso. Quando o aparelho se encontrava em poder de Carlos André, o tricolor balançava nossas redes. Imediatamente arrebatei o objeto das mãos dele, que também em momento de superstição e fanatismo falou: “Toma essa zorra aí, porra!”. 

Só que em um momento de distração fui pegar uma cerveja e deixei o rádio com ele. Um grande um erro. Falta perigosa para o rival. Danilo Rios novamente cobra com perfeição e decreta mais uma virada no baVi. A partir daí, até quando eu ia para o banheiro levava a zorra do rádio, mesmo que o povo reclamasse. Não é possível! Bahia 3X2 e fim do primeiro tempo. 

Mas a euforia não demorou a retornar. No início da segunda etapa, Jackson é derrubado dentro da área e a penalidade é convertida com categoria por Índio, colocando o rubro-negro no páreo novamente. Nesse momento a tensão era grande e tirando as meninas que não deixaram de curtir a festa em momento algum, todos os demais estavam em frente ao rádio que não desgrudava de minhas mãos. Ninguém tirava a atenção do jogo, mesmo que fosse pra pegar uma breja ou tirar “água do joelho” (o banheiro ficava com a porta entreaberta). 

E para vibração da nação rubro-negra do salão de festas do Edifício Cidade Athenas, Apodi acerta um porrete após arrancada pela direita. Nesse momento comecei a torcer pelo final do jogo (4X3 estava mais do que ótimo!). Era muita emoção para um tarde só! Mas, Índio estava endiabrado. Quando eu ouvi Sílvio Mendes gritar “Lá vai Índio, é só ele e Paulo Musse! Driblou, bateu, nasceeeeeeeeeeeu! Vitóóóriaaa, cinco! Bahia, três!”, eu extravasei de vez. Pra mim, o jogo tinha acabado ali. Ledo engano. 

Confusão na nossa área e Fábio Saci desvia quase que caindo para o gol do Vitória. O jogo era lá e cá. Eu imaginava a angústia vivenciada por Francisco, Denílson e Danilo. E não é que o final reservado seria épico (não sei como eles agüentaram)? Para alguns, o maior clássico da história da Fonte Nova. 

Mais uma vez a bola é cruzada na zona defensiva do Leão e Rafael Bastos toca para o fundo do gol. O jogo estava empatado de novo. Se o tricolor virasse seria muita sacanagem. Era meu aniversário e pra mim aquele placar já estava valendo. Grande jogo, belos gols (assistiria mais tarde na TV), muita emoção...Mas, naquele ano a data das comemorações indígenas seria festejada no dia 22 de abril. 

Bola dividida no campo do Bahia depois de um chutão despretensioso vindo do nosso campo. A bola sofre para o cacique, que manda uma “flechada mortal” e põe números finais à batalha daquela tarde de domingo. Nesse momento eu gritei por todas as dependências do prédio. Marcel Ribeiro foi pular de cima de uma cadeira e bateu a cabeça no teto do salão devido a sua altura. Meu pai, com a aba do boné para trás (sinal de que já está mais pra lá do que pra cá) batia com força uma das cadeiras no chão! André não sabia pra onde correr! Vitória 6X5! E fim de papo! 

Mais tarde, soube pro Francisco Ribeiro (tetrêbado) que no momento desse gol, ele, Denílson e Danilo caíram rolando pelo chão das arquibancadas da Fonte Nova. Muita gente chorava de emoção tamanha a luta que foi aquele jogo e seu desfecho! Idosos, jovens e crianças se abraçavam intensamente e comemoravam o triunfo do Vitória que coroava naquele instante Índio, como um dos grandes nomes do rubro-negro na história dos clássicos. 

Com toda certeza em 2007, 22 de abril foi dia de Índio! 

Saudações Rubro-Negras!

Renato dos Anjos Ribeiro

Rubro-negro e fisioterapeuta.

E-mail: tinhojhow@yahoo.com.br

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