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22/04/07: Dia do Índio!
Renato Ribeiro
Caros rubro-negros,
Era 22 de abril de 2007. Nesse
dia, eu comemorava os meus 31 anos de vida. E também nesse mesmo
dia, estava reservado para toda a comunidade esportiva baiana
aquele que seria o último baVi da velha Fonte Nova. Aliás,
poucos imaginariam que o clássico daquele final de semana seria
movido a emoções tão extremas e placar tão atípico.
Ao acordar fiquei sabendo que meu
pai iria botar o feijão aqui no prédio em minha homenagem.
Pronto. De antemão fiquei sabendo que não iria mais para o
clássico, haja vista a quantidade de convidados e minha
necessidade de ficar até o final do evento, simplesmente pelo
fato de ser o aniversariante. Tratei então de vender meu
ingresso para um dos presentes que iria ao Octávio Mangabeira e
que estava atrás da preciosa credencial, com todo remorso do
mundo.
E o povo foi chegando. Inclusive
um grande amigo de infância, Danilo, que trouxe o seu co-cunhado
Denilson, também rubro-negro e que juntamente com Francisco
Ribeiro combinaram de sair no mesmo horário, para meu desespero
que não tinha outra alternativa, senão descer com o radinho de
pilha na hora do confronto.
Eis que os miseráveis foram para a
Fonte já cheios do mé e minha face de frustração era de uma
criança que não podia sair pra brincar porque tinha prova de
matemática (misericórdia!) no dia seguinte. Só me restou o grito
de “Tragam o triunfo, viu seus porra?!” como forma de desabafo.
A partir daí, era só contar os minutos para ligar o som e
conferir a batalha da forma que eu menos curto. Queria estar
lá!
Mas eu não estava só. Tinha a
companhia de meu Pai, meu outro irmão, Marcel Ribeiro e de
Carlos André, nosso primo fanático pelo Leão, que não tinha
conseguido ingresso para a partida e resolveu ser solidário a
mim.
Enfim começa o clássico. Com
poucos minutos de bola rolando o rival faz 1X0 com Danilo Rios,
após cobrança de falta. “Puta merda! Não é possível! Essas
misérias vão ganhar da gente justo hoje?”, pensava alto. Minha
vontade era de largar tudo ali, me mandar pra Fonte e entrar
pelo xaréu.
Quando todos pensavam que o
tricolor cresceria ainda mais no jogo, o “veinho” Jackson empata
o clássico desviando um cruzamento de Alysson pelo lado esquerdo
do nosso ataque. Alegria da massa rubro-negra. Festa aqui no
salão, com todo mundo mais sujo que pinto no lixo a aquela
altura!
E foi a partir de então que o ator
principal do confronto resolveu entrar no jogo. Índio faria
naquela tarde a maior partida da sua carreira (alguns até citam
que ele já cumpriu sua missão na Terra), iniciada após jogada de
Apodi que cruzou para o nosso cacique mergulhar de peixinho sem
chances de defesa para Paulo Musse. Vitória 2X1.
Mas, o Bahia venderia caro aquela
derrota. Fausto recebe um belo passe de Danilo Rios e da entrada
da área bate rasteiro no canto de Emerson. Nesse momento eu
percebia que quando o radinho estava na minha mão, saia gol
nosso. Quando o aparelho se encontrava em poder de Carlos André,
o tricolor balançava nossas redes. Imediatamente arrebatei o
objeto das mãos dele, que também em momento de superstição e
fanatismo falou: “Toma essa zorra aí, porra!”.
Só que em um momento de distração
fui pegar uma cerveja e deixei o rádio com ele. Um grande um
erro. Falta perigosa para o rival. Danilo Rios novamente cobra
com perfeição e decreta mais uma virada no baVi. A partir daí,
até quando eu ia para o banheiro levava a zorra do rádio, mesmo
que o povo reclamasse. Não é possível! Bahia 3X2 e fim do
primeiro tempo.
Mas a euforia não demorou a
retornar. No início da segunda etapa, Jackson é derrubado dentro
da área e a penalidade é convertida com categoria por Índio,
colocando o rubro-negro no páreo novamente. Nesse momento a
tensão era grande e tirando as meninas que não deixaram de
curtir a festa em momento algum, todos os demais estavam em
frente ao rádio que não desgrudava de minhas mãos. Ninguém
tirava a atenção do jogo, mesmo que fosse pra pegar uma breja ou
tirar “água do joelho” (o banheiro ficava com a porta
entreaberta).
E para vibração da nação
rubro-negra do salão de festas do Edifício Cidade Athenas, Apodi
acerta um porrete após arrancada pela direita. Nesse momento
comecei a torcer pelo final do jogo (4X3 estava mais do que
ótimo!). Era muita emoção para um tarde só! Mas, Índio estava
endiabrado. Quando eu ouvi Sílvio Mendes gritar “Lá vai Índio, é
só ele e Paulo Musse! Driblou, bateu, nasceeeeeeeeeeeu!
Vitóóóriaaa, cinco! Bahia, três!”, eu extravasei de vez. Pra
mim, o jogo tinha acabado ali. Ledo engano.
Confusão na nossa área e Fábio
Saci desvia quase que caindo para o gol do Vitória. O jogo era
lá e cá. Eu imaginava a angústia vivenciada por Francisco,
Denílson e Danilo. E não é que o final reservado seria épico
(não sei como eles agüentaram)? Para alguns, o maior clássico da
história da Fonte Nova.
Mais uma vez a bola é cruzada na
zona defensiva do Leão e Rafael Bastos toca para o fundo do gol.
O jogo estava empatado de novo. Se o tricolor virasse seria
muita sacanagem. Era meu aniversário e pra mim aquele placar já
estava valendo. Grande jogo, belos gols (assistiria mais tarde
na TV), muita emoção...Mas, naquele ano a data das comemorações
indígenas seria festejada no dia 22 de abril.
Bola dividida no campo do Bahia
depois de um chutão despretensioso vindo do nosso campo. A bola
sofre para o cacique, que manda uma “flechada mortal” e põe
números finais à batalha daquela tarde de domingo. Nesse momento
eu gritei por todas as dependências do prédio. Marcel Ribeiro
foi pular de cima de uma cadeira e bateu a cabeça no teto do
salão devido a sua altura. Meu pai, com a aba do boné para trás
(sinal de que já está mais pra lá do que pra cá) batia com força
uma das cadeiras no chão! André não sabia pra onde correr!
Vitória 6X5! E fim de papo!
Mais tarde, soube pro Francisco
Ribeiro (tetrêbado) que no momento desse gol, ele, Denílson e
Danilo caíram rolando pelo chão das arquibancadas da Fonte Nova.
Muita gente chorava de emoção tamanha a luta que foi aquele jogo
e seu desfecho! Idosos, jovens e crianças se abraçavam
intensamente e comemoravam o triunfo do Vitória que coroava
naquele instante Índio, como um dos grandes nomes do rubro-negro
na história dos clássicos.
Com toda certeza em 2007, 22 de
abril foi dia de Índio!
Saudações Rubro-Negras!
Renato dos
Anjos Ribeiro
Rubro-negro e
fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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