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Revista Eletrônica Barradão On Line é um veículo independente, com
edições publicadas semanalmente, sobre o Esporte Clube Vitória -
Salvador - Bahia - Brasil
Revista
Eletrônica BOL - Edição nº 98 - 29 de novembro a 5 de dezembro de 2009
Foto:
Felipe Oliveira | E.C.Vitória
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Artigos ::
Vitória x Barueri (o Barradão
voltou)
Ricardo Cury
O “vou-não-vou” foi inevitável,
mas acabei cedendo ao pensamento de que se eu não fosse o
Vitória perderia.
Antes do jogo recebi alguns amigos
em casa. Um que é torcedor do Bahia comentou:
– Se o Vitória não ganhar hoje tá
lenhado, hein?
Interessante como de uma hora pra
outra eles voltaram a falar de futebol, aliviados pela conquista
de permanecerem na Série B.
Repliquei dizendo que o contrario
também podia acontecer, de o Vitória ganhar e ficar tranquilo...
– Tá difícil disso acontecer –
disse ele, com a urucubaca típica dos rebaixados.
Esse diálogo foi decisivo pra eu
ir ao Barradão.
Apesar de eu não ter feito texto
nem vídeo do jogo contra o Avaí, eu estava lá.
Como para aquele jogo eu achei que
só valia ressaltar duas coisas, preferi ficar quieto. E as duas
coisas são:
1) Algumas vezes gosto de captar
imagens atrás do gol adversário, colado no alambrado, e muitas
vezes a polícia impede. Dessa vez, um torcedor bradou apontando
pro chão onde estavam os números dos “assentos” e dizendo:
– Eu paguei o ingresso e aqui é um
lugar do estádio que eu posso ficar, sim... Aqui o número, isso
aqui é um assento, tá numerado, é pro torcedor ficar... – dizia
ele.
Apesar da explicação bastante
plausível, não adiantou, o policial que comandava aquele pelotão
estava de mau humor e irritadiço.
– Com essa mágoa na cara, o senhor
deve ser Bahia – disse o torcedor corajoso.
Um policial subalterno do lado riu
disfarçado, de canto de boca. Aquele devia ser Vitória.
2) O acarajé do Barradão. Comi
pela primeira vez. Meu pai sempre comia, mas eu sempre recusava.
Provei no jogo contra o Avaí e constatei que é um dos melhores
acarajés que já comi, apesar da baiana de acarajé assumir pra
mim que é torcedora do finado.
Ao contrário do que diziam, a
torcida do Vitória compareceu ao estádio. O mantra que se ouvia
por todo o estádio era “o Vitória tem que ganhar hoje, o Vitória
tem que ganhar hoje...”. O grito de gol estava entalado na
garganta do torcedor. Cinco derrotas seguidas, cinco partidas
sem fazer um gol sequer. E parecia que levaria mais um. O time
começou mal e o Barueri aproveitava os passes errados para
contra-atacar com extrema velocidade. Viáfara e Fábio Ferreira
fizeram as suas partes. O meio-campo não se entendia assim como
os torcedores. Um torcedor bêbado do meu lado reclamava de Ramon
e Roger sem parar. Um outro reclamava de Bida, outro de
Leandrinho, outro de Berola... Um chegou a pedir Leandrão.
No final do primeiro tempo o time
melhorou e o juiz (mais uma vez) não marcou um pênalti pro
Vitória. Depois, um gol fez o grito sair da garganta, mas o juiz
anulou, dessa vez com razão. Era mais um impedimento do ataque
do Vitória. Dessa vez foi o zagueiro Fábio Ferreira, que chegou
no Vitória desacreditado mas que tem jogado muito bem. Saiu
comemorando com vontade, sem saber que seu gol fora anulado.
Merece fazer o dele.
Posteriormente o Vitória colocou
uma bola na trave e teve outras inúmeras chances de fazer um,
dois ou três gols, bombardeando a defesa adversária, mas não
fez. Primeiro tempo zero a zero. O grito teria de esperar...
– Segundo tempo é bom que o
Vitória ataca pro lado de cá... Esse lado é enladeirado – disse
um torcedor.
E logo aos dois minutos, Leandro
Domingues aproveitou um cruzamento (dele, Fábio Ferreira) e
entre os zagueiros esticou a perna e cutucou a bola pra dentro.
O famoso totózinho. Olhei pro juiz primeiro pra confirmar antes
de comemorar. Um a zero Vitória. Sai pra lá urucubaca.
– Num falei? Esse lado é
enladeirado, o ataque chega rápido.
Logo depois, aos 10 minutos, um
lance que tem se tornado raro: um cruzamento bem feito encontrou
Roger em uma rara posição regular, que num momento raro de
eficiência cabeceou de forma espetacular. No seu caminho para o
gol, do meu angulo, achei que a bola ia pra fora, mas foi pra
fora do alcance da urucubaca. Golaço de cabeça. Dois a zero
Vitória.
– Num falei? Esse lado é
enladeirado, ajuda o Vitória que já tá ligado no movimento... –
repetia o torcedor.
O jogo permaneceu assim até o
final, quando o Vitória tomou aquele “gol-no-finalzinho” nosso
de cada jogo. Dois a um. Ainda restavam três minutos de emoção,
com uma bola parada cruzada na área rubro-negra, mas aos 48,
finalmente, o alívio. Quarenta e sete pontos e a permanência na
luta pela vaga da Sulamericana.
Liguei pros amigos tricolores e,
como de praxe nesse ano, nenhum atendeu. Os urucubacas estavam
putos.
Já que o ano já acabou pra eles,
podemos fazer aqui um breve retrospecto: Paulo Carneiro (o
rubro-negro do ano) entrou, o Bahia ganhou do Esporte Clube
Ipitanga e a torcida disse “agora vai”; ganhou do Camaçari
Futebol Clube e eles disseram “agora já foi”; ganharam do
Vitória em pleno Barradão e eles disseram “agora já é”. Um amigo
meu do trabalho disse, prazeroso:
– O cara da rádio falou que Paulo
Carneiro comemorou nos gols do Bahia.
Mas aí o CampeoNeto Baiano
continuou, eles foram pra final com o Vitória, perderam o
primeiro jogo em casa, empataram o segundo, ficaram sem título
pelo oitavo ano consecutivo, começou o Brasileiro, eles
começaram a dar o costumeiro vexame e a torcida do Vitória
disse: “agora já ia”.
Mas a torcida do Bahia tem algo
pra se orgulhar, pois foi considerada a torcida mais otimista do
ano pela frase "se o Bahia ganhar os 12 jogos que faltam ele
sobe".
Depois do jogo contra o Barueri,
de dentro do carro, indo pra casa, avistei um ser com a camisa
do Bahia andando pela rua. Ao passar por ele, gritei "segunda
divisão" e ele fez "u-hu". Deve ter achado que eu era Bahia e
que eu estava comemorando...