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Cadê o diretor?
José Raimundo Silveira
Em quase toda empresa, existe um
elemento com a responsabilidade de fazer a intermediação entre o
patrão e o empregado, verificando necessidades, gerenciando
crises e adotando outras medidas de cunho administrativo para
que o trabalho se desenvolva sem atropelos. Essa figura pode
atender por vários nomes: gerente, supervisor, encarregado etc.
A nomenclatura pouco importa, mas sim a natureza de sua função.
Justamente esse meio-campo entre jogadores e diretoria falta ao
Vitória há algum tempo. Os problemas recentes de indisciplina e
alarmante queda do padrão técnico do time acentuam a falta que
faz um diretor de futebol.
A estrutura centralizadora vigente
na gestão Paulo Carneiro parece ter apagado a necessidade da
existência dessa importante função no organograma rubro-negro.
Como ele exercia o presidencialismo totalitário, faltavam mais
vozes ativas dentro do clube. Ao mesmo tempo, era executivo,
legislativo e judiciário na Toca. Herdou-se, pois, tal estrutura
viciada.
A nova administração teve o
mérito, ao menos, de procurar mudar esse quadro. Embora de forma
equivocada, tentou-se. Primeiro, com o próprio Jorge Sampaio.
Depois, importando Raimundo Queiroz, ex-presidente do Goiás,
para cumprir tal papel.
Por diferentes motivos, ambas
alternativas falharam. No primeiro caso, pela falta de
profissionalismo, visto que a Sampaio sobra disposição, mas
falta traquejo. No segundo, faltou mais sintonia entre o diretor
forasteiro e os representantes da casa. Não tenho elementos para
afirmar que o camarada foi boicotado. Como o referido acabou
parando no Santa Cruz, cemitério do futebol brasileiro e símbolo
de decadência, nem mesmo sei se o tal tem competência de fato.
Os efeitos nocivos da ausência de
um diretor de futebol qualificado e capaz explodem no Vitória há
certo tempo. Com um profissional capacitado, por exemplo, as
chances de repetir a série de contratações equivocadas de
jogadores nas duas últimas temporadas ficaria reduzida. As
picuinhas no elenco, com jogadores fazendo corpo mole ou complô
para derrubar treinadores, como Carpegiani e, agora, Mancini,
também logo seriam detectadas pelo olho aguçado de alguém com
experiência no ramo.
Outra consequência positiva da
existência de um diretor de futebol é não expor tanto a figura
do presidente. Essa esfera do clube é para atuar muito mais na
área institucional que diretamente no front. Claro que um
presidente tem que estar a par de tudo e mostrar-se presente.
Mas é o diretor de futebol que teria que botar a cara primeiro
para enfrentar crises, estar lado a lado com comissão técnica e
jogadores, atuar nos bastidores, enfim, fazer o trabalho sujo,
digamos assim.
A temporada está acabando. Como
diz meu amigo Andrei, faltam dois ou três pontos para um feliz
2010, com o Vitória na Série A (pra mim, precisamos de mais
quatro). Portanto, já passou da hora de colocar no rol de
prioridades a contratação de um diretor de futebol, mas um
diretor de verdade, com conhecimento na área e ligação com a
realidade do clube.
José Raimundo
Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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1976
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