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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 96 - 15 a 21 de novembro de 2009

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

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Não quer ficar? Rua!

Renato Ribeiro

Caros rubro-negros,

Era para eu estar relatando, nesta edição, as conquistas do vôlei masculino e do octacampeonato baiano do remo, que aconteceram na semana passada e início desta (fica para o BOL/97). Porém, tornou-se inevitável ter de voltar às atenções novamente ao futebol profissional (?), pois, quando escrevi meu último texto, ainda não tinha acontecido aquele papelão do jogo contra o Avaí.

Para mim, o Vitória vinha cumprindo o papel esperado, em decorrência de investimentos modestos para uma série A, somente suficientes para a formação de um elenco limitado tecnicamente. Porém, o mau-caratismo e imaturidade de alguns jogadores - somados ao histórico de dificuldade em comandar grupos por parte do treinador e a falta de pulso firme da diretoria - podem levar um resultado que antes era tido como aceitável a um final abaixo das expectativas.

Fazia muito tempo que eu não saía tão puto da vida do Barradão como naquele sábado. Aliás, quem não sairia dessa maneira após ter visto um time praticando um futebol ordinário, burocrático e sem vergonha? O Vitória cumpriu dois objetivos no jogo: tomou o gol do Avaí e esperou o fim da partida. Só e somente só! Era nítida a má vontade da maioria dos atletas em campo e ficou mais evidente que há algo de podre no reino rubro-negro. O mesmo filme da era Carpegianni.

E o que mais irrita é a repetição dos fatos. É atleta rebatendo vaias do torcedor; declarando na imprensa que não veste mais a camisa do clube; engraçadinhos sem querer jogar porque já estão “estressados” (é claro que essa justificativa é só para encobrir a verdadeira intenção da má postura em campo, não é, mascarado Uelliton?); jogadores em desavença com treinador, boicotando-o; espertos em fase de negociação de transferências e por aí vai. E é nesse contexto que se percebe um problema sério: no Vitória quem mandam são os jogadores, que volta e meia derrubam comissão técnica, pintam e bordam, ficando tudo por isso mesmo. E todos com salários em dia!

Disposição

Lembro bem daquele time que nos ajudou a subir para a elite do futebol brasileiro. E recordo mais ainda daquela partida frente à Portuguesa, no Barradão, quando perdemos por 3 a 2. Sabe qual foi a reação do torcedor? Aplaudir a equipe! A torcida não é boba. Naquela ocasião, todos percebiam a disposição e envolvimento do elenco e não essa falta de compromisso do atual plantel, que pode tirar o rubro-negro da Copa Sul-Americana do ano que vem. Aí sim seria uma surpresa extremamente desagradável. Fora as chances, mesmo que mínimas, de um rebaixamento à série B, que podem aumentar em decorrência do futebol apresentado por alguns desses moleques que fazem parte do time do Vitória.

A diretoria tem boa parte da culpa dessa situação. Se o Sr. Apodi (que nunca foi titular em lugar algum, só aqui no Leão e já se acha um Jorginho da vida!) está dizendo nos veículos de comunicação que não enverga mais o manto sagrado, qual deve ser o seu destino? A rua!

Quando o Sr. Leandro (que vem jogando nada!) sofreu aquela expulsão irresponsável diante do Atlético-MG, qual deveria ser a atitude da direção? Punir no bolso do atleta.

Se o melindroso Leandro Domingues (outro que só se firmou no rubro-negro, tanto que ano após ano volta sempre pra cá) está “criando caso” com o comandante Vagner Mancini, a decisão é uma só: Mandar o cara embora!

Quando o matador (de raiva) Roger perambulou pelas dependências da Ponte Preta, o aviso era de que já ficasse por lá! O que tem de ficar explícito para essas criaturas é que aqui é clube de série A, não time de várzea, onde todos “cantam de galo”.

Soberania

Outra coisa importante a se destacar: se o treinador é bom, mas já tem histórico de relacionamentos conturbados com grupos de jogadores, aqui também não tem espaço para profissionais desse tipo. No fim das contas o que deve prevalecer é a paz no ambiente de trabalho e soberania da instituição. Quero ver se no São Paulo Futebol Clube tem espaço para todo esse amadorismo. Por lá, quem não quer ficar que procure outros ares e assim segue o tricolor paulista, papão de títulos nacionais e internacionais com ou sem determinados atletas e comissões técnicas.

É bom que os nossos dirigentes abram os olhos. O profissionalismo vem batendo a porta rubro-negra faz um bom tempo e até agora não procuramos abri-la. Talvez o Vitória seja o único clube da primeira divisão que não tem diretor de futebol, pessoa imprescindível para resolver questões desse tipo.

Uma coisa é certa. Se tudo continuar como está, em breve será normalíssimo assistirmos a vagabundos levarem o rubro-negro novamente às séries inferiores do nosso futebol, tal qual aconteceu em 2004 e 2005.

Saudações Rubro-Negras!

Renato dos Anjos Ribeiro

Rubro-negro e fisioterapeuta.

E-mail: tinhojhow@yahoo.com.br

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