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Não quer ficar? Rua!
Renato Ribeiro
Caros rubro-negros,
Era para eu estar relatando, nesta
edição, as conquistas do vôlei masculino e do octacampeonato
baiano do remo, que aconteceram na semana passada e início desta
(fica para o BOL/97). Porém, tornou-se inevitável ter de voltar
às atenções novamente ao futebol profissional (?), pois, quando
escrevi meu último texto,
ainda não tinha acontecido aquele papelão do jogo contra o Avaí.
Para mim, o Vitória vinha
cumprindo o papel esperado, em decorrência de investimentos
modestos para uma série A, somente suficientes para a formação
de um elenco limitado tecnicamente. Porém, o mau-caratismo e
imaturidade de alguns jogadores - somados ao histórico de
dificuldade em comandar grupos por parte do treinador e a falta
de pulso firme da diretoria - podem levar um resultado que antes
era tido como aceitável a um final abaixo das expectativas.
Fazia muito tempo que eu não saía
tão puto da vida do Barradão como naquele sábado. Aliás, quem
não sairia dessa maneira após ter visto um time praticando um
futebol ordinário, burocrático e sem vergonha? O Vitória cumpriu
dois objetivos no jogo: tomou o gol do Avaí e esperou o fim da
partida. Só e somente só! Era nítida a má vontade da maioria dos
atletas em campo e ficou mais evidente que há algo de podre no
reino rubro-negro. O mesmo filme da era Carpegianni.
E o que mais irrita é a repetição
dos fatos. É atleta rebatendo vaias do torcedor; declarando na
imprensa que não veste mais a camisa do clube; engraçadinhos sem
querer jogar porque já estão “estressados” (é claro que essa
justificativa é só para encobrir a verdadeira intenção da má
postura em campo, não é, mascarado Uelliton?); jogadores em
desavença com treinador, boicotando-o; espertos em fase de
negociação de transferências e por aí vai. E é nesse contexto
que se percebe um problema sério: no Vitória quem mandam são os
jogadores, que volta e meia derrubam comissão técnica, pintam e
bordam, ficando tudo por isso mesmo. E todos com salários em
dia!
Disposição
Lembro bem daquele time que nos
ajudou a subir para a elite do futebol brasileiro. E recordo
mais ainda daquela partida frente à Portuguesa, no Barradão,
quando perdemos por 3 a 2. Sabe qual foi a reação do torcedor?
Aplaudir a equipe! A torcida não é boba. Naquela ocasião, todos
percebiam a disposição e envolvimento do elenco e não essa falta
de compromisso do atual plantel, que pode tirar o rubro-negro da
Copa Sul-Americana do ano que vem. Aí sim seria uma surpresa
extremamente desagradável. Fora as chances, mesmo que mínimas,
de um rebaixamento à série B, que podem aumentar em decorrência
do futebol apresentado por alguns desses moleques que fazem
parte do time do Vitória.
A diretoria tem boa parte da culpa
dessa situação. Se o Sr. Apodi (que nunca foi titular em lugar
algum, só aqui no Leão e já se acha um Jorginho da vida!) está
dizendo nos veículos de comunicação que não enverga mais o manto
sagrado, qual deve ser o seu destino? A rua!
Quando o Sr. Leandro (que vem
jogando nada!) sofreu aquela expulsão irresponsável diante do
Atlético-MG, qual deveria ser a atitude da direção? Punir no
bolso do atleta.
Se o melindroso Leandro Domingues
(outro que só se firmou no rubro-negro, tanto que ano após ano
volta sempre pra cá) está “criando caso” com o comandante Vagner
Mancini, a decisão é uma só: Mandar o cara embora!
Quando o matador (de raiva) Roger
perambulou pelas dependências da Ponte Preta, o aviso era de que
já ficasse por lá! O que tem de ficar explícito para essas
criaturas é que aqui é clube de série A, não time de várzea,
onde todos “cantam de galo”.
Soberania
Outra coisa importante a se
destacar: se o treinador é bom, mas já tem histórico de
relacionamentos conturbados com grupos de jogadores, aqui também
não tem espaço para profissionais desse tipo. No fim das contas
o que deve prevalecer é a paz no ambiente de trabalho e
soberania da instituição. Quero ver se no São Paulo Futebol
Clube tem espaço para todo esse amadorismo. Por lá, quem não
quer ficar que procure outros ares e assim segue o tricolor
paulista, papão de títulos nacionais e internacionais com ou sem
determinados atletas e comissões técnicas.
É bom que os nossos dirigentes
abram os olhos. O profissionalismo vem batendo a porta
rubro-negra faz um bom tempo e até agora não procuramos abri-la.
Talvez o Vitória seja o único clube da primeira divisão que não
tem diretor de futebol, pessoa imprescindível para
resolver questões desse tipo.
Uma coisa é certa. Se tudo
continuar como está, em breve será normalíssimo assistirmos a
vagabundos levarem o rubro-negro novamente às séries inferiores
do nosso futebol, tal qual aconteceu em 2004 e 2005.
Saudações Rubro-Negras!
Renato dos
Anjos Ribeiro
Rubro-negro e
fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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