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O Leão chora
Cesar Senna
Não só o Leão, mas toda essa
torcida chora a queda vertiginosa do nosso time. Perdemos mais
um jogo dentro de casa: Vitória 0X1 Avaí.
Algo esta errado. Jogadores
revoltados com a reserva, jogador desconfiado da qualidade
médica do E. C. Vitória. Jogadores dando declarações à imprensa
sobre o ambiente que existe hoje no Vitória.
Salários em dia? Sim, todos em
dia. Antigamente era a única razão por desconforto que passavam
os atletas. O resultado disso se refletia em campo. Como dizia o
nosso ex-atleta Vampeta, quando estava no Flamengo e esse mesmo
clube atrasava os salários dos jogadores: “... a diretoria
brinca de nos pagar e nós jogadores brincamos de jogar...”.
E no Vitória, o que dizer? Tenho a
certeza que o salário não é mais a razão. Então, o que será?
Ambiente pesado?
Treinador intransigente?
Grupinhos no time?
Todos nós que gostamos de futebol
sabemos que tudo isso existe. Jogador é um profissional vaidoso,
com raras exceções. Ele se dá ao luxo de jogar quando quer, no
dia que levanta de “pá virada”, que se dane o resto. Não está a
fim de jogar e pronto. E o que é pior, vai pro jogo. Lá, dentro
do campo, não rende o esperado. Ao invés de ajudar, atrapalha, o
time joga com menos um, sobrecarrega os demais e é capaz de
levar a uma derrota.
Quando o treinador enxerga essa
situação antes mesmo de escalá-lo pro jogo e o retira do time, o
mesmo se sente perseguido. E assim se sentido, arrota pros
quatros cantos da imprensa a sua insatisfação.
Pergunta-se: o que está ocorrendo
com o nosso Vitória?
Após o jogo do River Plate
(Uruguai), o time não foi mais o mesmo. Naquela partida, jogamos
o tempo todo na afobação. Tática não existia, existia muito era
a vontade de vencer e só. De lá pra cá, foram só jogos de
afobação. Jogávamos melhor, mas não conseguíamos transformar
isso em números (gols). Um empate aqui, outra derrota ali, uma
derrota fora de casa, mais uma derrota dentro de casa e
estacionamos em 44 pontos.
Tudo que foi construído ao longo
da competição está indo pelo ralo. Construímos uma imagem para o
Brasil de uma equipe aguerrida fora de casa e imbatível dentro
de casa. Hoje, próximo ao final do campeonato, apanhamos fora e
dentro de casa. Isso tem que parar!
É preciso chamar todos os
jogadores pra conversar e tem que ser bem taxativo; “... quem
está a fim de continuar jogando no clube? Quem está insatisfeito
com o clube e com o grupo? Quais são essas razões?”.
É preciso dar um basta nisso. Os
insatisfeitos devem ser afastados, contratos rescindidos e
liberados para retornar aos seus clubes.
Vamos jogar com aqueles que estão
realmente interessados em lutar pelo clube. Basta de jogadores
“meia-boca”. Basta de acordos com clubes que enviam seus
“restos” ao Vitória, pagam 50% do salário, os impede de disputar
partidas contra os mesmos e quando são negociados entre suas
origens e clubes exteriores, os impedem de dar continuidade nos
jogos do Vitória por uma única razão, preservá-los.
Montamos as nossas melhores
equipes quando tivemos 70% de jogadores da base. É assim tem
quer ser. Vamos valorizar o que é nosso, vamos projetar o que é
nosso, vamos pagar melhor o que é nosso, vamos dar melhores
condições aos jogadores que são nossos. Chega de "Rogeres" da
vida. Chega! Chega! Chega! Um desabafo.
Cesar Senna
Administrador e
torcedor rubro-negro.
E-mail:
cesarsenna27@yahoo.com.br
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