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Uma mera consideração estética
Carolina
Oliveira
Joseph Blatter quer proibir a
"paradinha" dos jogadores na cobrança de pênalti. Apesar de o
Vitória ter 100% de aproveitamento nas disputas de pênalti esse
ano - algumas com a maliciosa paradinha - eu concordo com a
iniciativa do presidente da Federação. Realmente, é o tipo de
coisa que confunde o goleiro e torna ainda mais difícil a
defesa. Imagine, na tensão do momento, o cara tentando calcular
a direção da bola, vem um cabra e confunde o lance. Desse jeito,
só intervenção divina para evitar o gol!
Mas Blatter não devia parar por
aí. Se eu descobrir o e-mail dele, vou enviar uma nota sugerindo
que ele proiba os jogadores de usarem o moicano, aquele penteado
que lembra os punks da década de 80. Caramba, parece que o
moicano virou uma febre nos gramados! O cabelo pode ser liso,
cacheado, duro, o jogador pode ser jovem, velho, feio, sinistro
(nada pessoal contra Léo Moura), mas o penteado está lá, firme e
forte, com toda a química do gel mais poderoso que existe na
farmácia! E, o que é pior, nem sempre são bem feitos! Alguns são
largos, outros são feitos com o cabelo muito comprido, enfim,
uma aberração atrás da outra!
No Vitória, essa moda já pegou,
claro! Começou com Viáfara que, a meu ver, se arrependeu e está
deixando o cabelo voltar ao normal. Esperto, o nosso goleiro não
quis contrariar radicalmente as tendências da moda dentro de
campo e, disfarçadamente, está mudando seu penteado. Acho ótimo,
ele tem mesmo que focar em outras coisas. Já Fábio Ferreira,
nosso zagueiro... O que é aquilo? Ainda largou um tom meio
louro, deixando o moicano mais parecido com um mico-leão dourado
do que com os índios norte-americanos que deram nome àquele tipo
de corte.
Bom, deixando de lado a
esquisitice e a mesmice, me incomoda a idéia de que os jogadores
perdem um tempo enorme tentando alinhar as madeixas para entrar
em campo "causando". Por que não usa um corte militar, deixa o
cabelo de lado e vai cuidar da técnica, meu filho? Ora, a gente
vê cada lance infeliz, cada bola perdida por vacilo, mas quando
a gente presta atenção no "visú", o "shape" do moicano tá
perfeito! Além do mais, aquilo deve desconcentrar a pessoa. Já
imaginou alguém correndo 90 minutos com o meio do cabelo
espichado pra cima? E se o gel não for bom, pior ainda, porque o
suor vai tirando o grude e o cara, aos poucos, deve sentir as
mechas balançando ao longo da cabeça. Eu sou mulher, sei bem o
que é um penteado se desmanchar e, pode crer, é um incômodo
terrível!
Por isso, agora vou começar uma
campanha! Ainda não sei se vou defender o corte militar (cabelo
raspado também serve) ou se vou combater, especificamente, o
moicano. Talvez eu defenda também a originalidade, que está
escassa no mercado - e nesse quesito, a medalha de ouro vai
direto para Willian, do Corinthians, com seu cabelo curto e sua
barbinha, no melhor estilo Sócrates'80 ! Se a campanha não fizer
sucesso, vou fazer uma investigação para descobrir quem foi que
introduziu (lá ele) no futebol essa moda sinistra de cultivar
uma "listra" de cabelo! Algo me diz que começou na Gávea...
Saudações rubro-negras!
Carolina
Oliveira
Administradora,
rubro-negra, de saco cheio com essa moda moicana.
E-mail:
carolina.so@gmail.com
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