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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 95 - 8 a 14 de novembro de 2009

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

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Uma mera consideração estética

Carolina Oliveira

Joseph Blatter quer proibir a "paradinha" dos jogadores na cobrança de pênalti. Apesar de o Vitória ter 100% de aproveitamento nas disputas de pênalti esse ano - algumas com a maliciosa paradinha - eu concordo com a iniciativa do presidente da Federação. Realmente, é o tipo de coisa que confunde o goleiro e torna ainda mais difícil a defesa. Imagine, na tensão do momento, o cara tentando calcular a direção da bola, vem um cabra e confunde o lance. Desse jeito, só intervenção divina para evitar o gol! 

Mas Blatter não devia parar por aí. Se eu descobrir o e-mail dele, vou enviar uma nota sugerindo que ele proiba os jogadores de usarem o moicano, aquele penteado que lembra os punks da década de 80. Caramba, parece que o moicano virou uma febre nos gramados! O cabelo pode ser liso, cacheado, duro, o jogador pode ser jovem, velho, feio, sinistro (nada pessoal contra Léo Moura), mas o penteado está lá, firme e forte, com toda a química do gel mais poderoso que existe na farmácia! E, o que é pior, nem sempre são bem feitos! Alguns são largos, outros são feitos com o cabelo muito comprido, enfim, uma aberração atrás da outra! 

No Vitória, essa moda já pegou, claro! Começou com Viáfara que, a meu ver, se arrependeu e está deixando o cabelo voltar ao normal. Esperto, o nosso goleiro não quis contrariar radicalmente as tendências da moda dentro de campo e, disfarçadamente, está mudando seu penteado. Acho ótimo, ele tem mesmo que focar em outras coisas. Já Fábio Ferreira, nosso zagueiro... O que é aquilo? Ainda largou um tom meio louro, deixando o moicano mais parecido com um mico-leão dourado do que com os índios norte-americanos que deram nome àquele tipo de corte. 

Bom, deixando de lado a esquisitice e a mesmice, me incomoda a idéia de que os jogadores perdem um tempo enorme tentando alinhar as madeixas para entrar em campo "causando". Por que não usa um corte militar, deixa o cabelo de lado e vai cuidar da técnica, meu filho? Ora, a gente vê cada lance infeliz, cada bola perdida por vacilo, mas quando a gente presta atenção no "visú", o "shape" do moicano tá perfeito! Além do mais, aquilo deve desconcentrar a pessoa. Já imaginou alguém correndo 90 minutos com o meio do cabelo espichado pra cima? E se o gel não for bom, pior ainda, porque o suor vai tirando o grude e o cara, aos poucos, deve sentir as mechas balançando ao longo da cabeça. Eu sou mulher, sei bem o que é um penteado se desmanchar e, pode crer, é um incômodo terrível!  

Por isso, agora vou começar uma campanha! Ainda não sei se vou defender o corte militar (cabelo raspado também serve) ou se vou combater, especificamente, o moicano. Talvez eu defenda também a originalidade, que está escassa no mercado - e nesse quesito, a medalha de ouro vai direto para Willian, do Corinthians, com seu cabelo curto e sua barbinha, no melhor estilo Sócrates'80 ! Se a campanha não fizer sucesso, vou fazer uma investigação para descobrir quem foi que introduziu (lá ele) no futebol essa moda sinistra de cultivar uma "listra" de cabelo! Algo me diz que começou na Gávea... 

Saudações rubro-negras! 

Carolina Oliveira

Administradora, rubro-negra, de saco cheio com essa moda moicana.

E-mail: carolina.so@gmail.com

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