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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 93 - 25 a 31 de outubro de 2009

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

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Vitória x Náutico (o de cima sobe, o de baixo desce)

Ricardo Cury

O Náutico estava na zona de rebaixamento, o que o colocava como um adversário perigoso pro Vitória, já que nesse ano o time deu mole sempre com os de baixo: Sport, Fluminense, Santo André... O único de baixo que ele brocou esse ano foi o Bahia.

Apodi não jogaria. O que para muitos era um bom motivo. O ídolo anda sem moral. Os gols sofridos pelo seu lado irritaram os seus súditos.

– Vai ser bom pra ele, pra amadurecer – disse um torcedor de óculos escuros e bigodinho.

E Nino Paraíba, que entrou no seu lugar, já chegou amadurecido e acertou um cruzamento certeiro na cabeça de Ramon. Seria o primeiro gol se o goleiro do Náutico não tivesse defendido. Na jogada seguinte, em uma arrancada digna de Apodi de jogos atrás, Nino sofreu um pênalti:

– Quem vai bater? – perguntei.

– Roger – responderam dois ao mesmo tempo.

“Vai Roger, vai Roger, vai Roger...”, torcia os rubro negros enquanto ele ia pra bola. Mas quem foi na bola foi o goleiro do Náutico. Depois que a ficha do pênalti perdido caiu, os gritos subiram:

– POOOOORRA, quem tem que bater essa merda é Ramon, porra...

– Isso é por causa da artilharia, essa disgrama...

– Tomar no c... essa porra de artilharia...

Nisso o torcedor tá certo. Se o jogo tiver três a zero ou até mesmo dois a zero, tudo bem, pensa-se na artilharia, mas no zero a zero, não, tem de pensar nos três pontos. Pênalti tem de ser Ramon.

O Vitória continuou tentando e Nino Paraíba quase fez um, em um chute de fora da área. O grito pode mudar pra “Ei, Paraíba, faz um gol pra sua torcida”.

Zero a zero. Fim do primeiro tempo.

Um a zero pro Náutico, início do segundo tempo.

Mantendo sua cota de gols no início ou no fim das etapas, o Vitória sofreu um gol logo aos dois minutos.

– Agora que esse cara vai mudar? Por que não mudou nos vestiários, porra? – perguntou o de bigode a Mancini.

Logo após as alterações, Ramon foi protagonista de uma das melhores imagens da rodada. Sofreu uma falta dura, caiu cinematograficamente, sofreu no chão e quando viu que o que te atacou foi expulso, tirou o sofrimento da cara, levantou na hora e pediu pela bola, pois precisava jogar pra empatar o jogo. Incrível como ele não erra um passe. E aos 17, numa jogada que começou dos seus pés (como quase todas), a bola parou nos pés de Nino que outra vez cruzou na medida, dessa vez pra Leandrão, que acabara de entrar. De cabeça, um a um.

“Agora vai virar”, pensei. E aos 36, num cruzamento do “velhinho” Jackson, que também acabara de entrar, Leandrão desviou e fez o segundo gol dele no jogo, virando pra dois a um.

– Ele vai fazer três e vai pedir a música do Fantástico – gritou o de bigode.

Ele não fez o terceiro, mas o Vitória fez. Nos gols mais bonitos da rodada, nenhuma emissora colocou ele, o que foi um erro absurdo. Na lista estavam os gols de:

1) Pet, do Flamengo.
2) Perea, do Grêmio.
3) Arce, do Sport.

Os três realmente fizeram gols bonitos, mas o gol do Vitória foi bonito não pela jogada final, e sim pelo conjunto da obra, pela troca de passes que começou numa ingênua cobrança de lateral, foi passando de um pra outro em toques rápidos até chegar em Berola, que deu um nó desconcertante no marcador e tocou pro velhinho que se aproximava. Jackson, três a um Vitória.

E gol bonito (e gol olímpico no Palmeiras) Pet aprendeu todo mundo sabe aonde.

Ricardo Cury

Autor do livro "Para Colorir", escreve o blog Eu Tava Aqui Pensando ou Blá Blá Blá. Publicado simultaneamente com o blog parceiro Vitória no Barradão

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:: Artigos ::

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