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Degrau por degrau
José Raimundo Silveira
Vamos encerrando o ano dentro das
expectativas, a exemplo do que ocorreu em 2008. Campeonato
Baiano conquistado, campanha no Campeonato Brasileiro sem sustos
e vaga praticamente assegurada na Copa Sul-Americana da
temporada seguinte. À primeira vista, pode parecer que não houve
avanços, já que ficamos na mesma. Na minha ótica, atingimos a
estabilidade, primeiro passo para alavancarmos passos mais
longos e ousados.
E quando falo estabilidade,
refiro-me ao sentido amplo. Estabilidade técnica, mantendo
resultados aceitáveis para o padrão de nossos cofres;
financeira, cumprindo os compromissos salariais; política, tendo
um ambiente interno sem crises; e institucional, com o Vitória
sustentando uma imagem positiva no cenário nacional.
Com o clube enxuto e estável,
precisamos crescer. Tal crescimento
passa, necessariamente, pela conquista de um título expressivo.
É o que falta para impulsionar de vez o Leão. Fico me
perguntando: se a torcida tem se mostrado tão participativa,
vibrante e com auto-estima elevada, imagina como ficaria após
vencermos algo de grande relevância?
A meta mais realista para o
tamanho atual de nosso cofre é a Copa do Brasil. Já passou da
hora de o Vitória fazer um planejamento sério visando a
conquista desse torneio. Todos os anos, mais ou menos a essa
altura da temporada, enfatizamos a necessidade de trabalharmos
em prol desse objetivo, que nos parece tão factível.
Como escrevi em outras ocasiões, o
Campeonato Brasileiro no sistema de pontos corridos não permite
espaço para que equipes sem grande aporte financeiro sonhem em
conquistá-lo. Aí a gente olha a tabela hoje, com o líder
Palmeiras, que está muito longe de ser essas coisas, perdendo
fácil para timecos como Náutico e Santo André... Fica a sensação
de que dá para vencer, sim. Até porque a gente também brocou a
porcalhada.
Mas não se enganem. O que ocorre
desde 2003, ano do advento dos pontos corridos, é o título ficar
com times com estrutura financeira bem acima da média, capazes
de sustentar elencos grandes, em quantidade e qualidade. Falta
muito para alcançarmos esse degrau. O papel que nos resta é
melhorarmos ano a ano nossas campanhas. Se ficamos em décimo em
2008, temos como meta em 2009 uma posição melhor que essa. É um
trabalho de base, gradual e que não se deve perder de vista por
conta de resultados esporádicos.
Vejo o exemplo do Deportivo La
Coruña. Diria que é um clube dos padrões do Vitória. Não está no
centro econômico da Espanha, tem um porte médio e não tem a
mesma capacidade de captação de recursos dos grandões da
Espanha. Pois o clube do nosso ex-craque Bebeto fez um trabalho
de formiguinha, comendo pelas beiradas, até conquistar seus
objetivos.
Manteve uma base, foi alcançando
resultados intermediários, ganhou a Copa do Rei (equivalente a
Copa do Brasil), sofreu com a perda do Campeonato Espanhol na
última rodada, até o dia em que estava tão estruturado que
conseguiu superar as potências Real Madrid e Barcelona, sendo
campeão espanhol. O Vitória não é menor que o Deportivo La
Coruña. Logo...
José Raimundo
Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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