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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 93 - 25 a 31 de outubro de 2009

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

:: Artigos ::

Valeu, Adaílton! Parabéns, Vanderson!

Renato Ribeiro

Caros rubro-negros,

Em uma época cujo envolvimento dos atletas com o clube é quase nulo e o dinheiro sempre fala mais alto, dois exemplos positivos merecem e muito nossas atenções. Vanderson, pela sua vontade e compromisso mostrados desde a chegada à Toca do Leão há quatro anos, e Adaílton, zagueiro formado no Vitória, atualmente defendendo o Santos e que não se cansa de ser eternamente grato ao clube.

Essa semana que passou foi marcada pelo aniversário de 30 anos do nosso pitbull. Para mim, nosso camisa 5 constitui-se o maior símbolo da volta por cima do rubro-negro baiano no cenário nacional. Durante o período do "Vamos subir Nêgo!" inúmeros foram os jogadores que vestiram a camisa do Vitória, mas poucos encarnaram o manto sagrado como Vanderson. Sua raça e disposição em campo viraram marcas registradas de seu futebol. Isso ajudou e muito para que o mesmo caísse nas graças da torcida, que já escreveu - faz muito tempo - o nome do valente meia na galeria dos maiores jogadores da história do clube.

No triunfo diante do Náutico, no último dia 18, estava conversando com Léo Machado nas arquibancadas do Barradão e uma das perguntas que surgiu foi por que Roger sempre é cobrado duramente pela torcida e Vanderson não. Na minha modesta opinião é devido ao fato de Roger não cumprir com frequência a sua função de fazer gols, enquanto que Vanderson dificilmente deixa de brigar lá atrás, roubando a maioria das bolas, mantendo maior regularidade. Além disso, Vanderson já marcou uma trajetória de sucesso no clube, coisa que o nosso atual centroavante titular ainda está muito longe de alcançar.

Fora que Vanderson já conquistou o reconhecimento do torcedor não somente por suas atuações, mas também por sua postura extra-campo. Quem não se lembra de um especial exibido por uma TV local, em que o atleta se emocionou com a história do massagista Tuca, acometido por uma deficiência visual, citando-o até como um dos seus maiores exemplos de vida? Outro fato importante foi a sua entrevista concedida a uma emissora de rádio que solidificou o desejo do nosso cão de guarda em pendurar as chuteiras no Vitória como prova definitiva de sua identificação com as cores vermelho e preto. E que seja feita uma grande e merecida festa!

Exemplo de gratidão

Fonte: Globo Esporte.com

Adailton, revelado pelo Vitória

No feriado do dia 12 de outubro estava me dirigindo para atender uma paciente em domicílio e, ao mesmo tempo, ouvindo no rádio as entrevistas com os atletas que iriam participar do confronto Santos x Vitória, quando tive a oportunidade de escutar o depoimento do zagueiro Adaílton. Confesso que, mesmo conhecendo parte de sua trajetória, esperava poucas palavras em relação ao Vitória. Para minha

surpresa o beque afirmou, sem vacilar, que somente o profissionalismo separava ele do lado de cá naquela ocasião e que ainda sonha, um dia, voltar a vestir a camisa do rubro-negro baiano, seu time do coração.

Pouco depois, após o término do jogo, conversei com alguns amigos sobre o fato e alguns disseram que isso já era esperado, pois Adaílton difere da grande maioria dos jogadores por ter uma formação familiar sólida e educação suficiente para perceber que a gratidão faz parte do caráter de seres humanos privilegiados. E que também ele é Vitória mesmo e, desde que se transferiu, já manifestava o desejo de voltar um dia ao seu clube de origem.

Isso é muito pouco visto nos dias de hoje, em que jogadores ainda na base já tratam o Vitória somente como ponte para sucesso, para o mercado europeu, os rios de dinheiro, carros de luxo, as mansões etc. E após alcançarem todos esses bens e determinadas posições, sequer olham para trás, nem que seja para um simples obrigado. Exemplos como Dida, Dudu Cearense, Leílton e o próprio Adaílton são raríssimas exceções.

E foi pela soma do profissionalismo e garra de Vanderson com a gratidão e sentimento de Adaílton que resolvi escrever esse texto. Defendo a profissionalização de fato do nosso futebol, mas sem a frieza e ganância tão comuns no século XXI. Sempre tive o sonho de um dia jogar pelo Vitória, mas devido aos estudos não pude realizá-lo, assim como milhares de outros torcedores apaixonados. Mas com toda certeza afirmo que, se fosse pra botar o pé na dividida, seria na mesma atitude do Pitbull (ainda mais em baVis!) e nos veículos de comunicação iria me inspirar no torcedor Adaílton. Dois grandes exemplos!

Obrigado, Adaílton! E Feliz Aniversário, Vanderson "Pitbull"!

Saudações rubro-negras!

Renato dos Anjos Ribeiro

Rubro-negro e fisioterapeuta.

E-mail: tinhojhow@yahoo.com.br

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