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Revista Eletrônica Barradão On Line é um veículo independente, com
edições publicadas semanalmente, sobre o Esporte Clube Vitória -
Salvador - Bahia - Brasil
Revista
Eletrônica BOL - Edição nº 92 - 18 a 24 de outubro de 2009
Foto:
Felipe Oliveira | E.C.Vitória
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Artigos ::
Vitória x Flamengo (empate xumbrega)
Ricardo Cury
Na manhã da quarta-feira (dia do
jogo), às seis e meia, passando pelo Farol da Barra vi um ônibus
de turista com torcedores do Flamengo tirando fotos do ambiente.
Imagino ser um grupo que acabara de chegar de qualquer cidade do
interior do Nordeste e/ou adjacências. No Barradão, hoje o
estádio mais temido do Brasileirão, os turistas do Flamengo,
querendo comprovar que um dia pisaram naquele imponente
santuário, também não paravam de tirar fotos. Se for procurar no
Orkut, vai ter um monte de foto com legendas como “Ontem eu e
meu primo Beto, no jogão do Flamengo contra o Vitória” ou “É,
nóis no Barradão”.
Cheguei cedo e fui pro lugar que
costumo ficar. Sentei e percebi que estava cercado de turistas
do Flamengo. Pra não ouvir de perto aquela música constrangedora
que eles cantam em cima de uma melodia do Mamonas Assassinas,
deixei a superstição de lado e fui pro outro lado do estádio.
Do outro lado só tinha rubro-negro
legítimo, que por todos os cantos enxotavam os turistas do
Flamengo de lá, os mandando pro outro lado do estádio. Quer ir
pro jogo com a camisa do time rival, tudo bem, mas que fique
junto com os seus. Um amigo que foi comigo, quando voltou do
banheiro disse que encontrou dois amigos dele, turistas do
Flamengo, que compraram cadeira e foram expulsos de lá, pois
estavam com a camisa do time. “Eu, eu, eu, caiu na Toca se
f...”.
Estádio lotado. “Ei, Apodi, faz um
gol aí pra mim”, gritavam em uníssono os torcedores do Vitória,
que mais tarde o crucificariam por ter tentado, por duas vezes,
fazer o gol, quando era pra ter cruzado. O Flamengo não tomava
gol a seis jogos e aos 13 minutos do primeiro tempo fazia mais
um; num contra-ataque, a bola sobrou pro maluco lá de cabelinho
estranho: um a zero Flamengo. As caravanas deliraram.
– O Vitória tem que empatar logo –
gritou um torcedor.
Ramon ouviu o que ele disse e logo
em seguida bateu o escanteio na cabeça de Roger. Um a um.
Mas logo depois, falta pro
Flamengo e Gléguer não botou fé em Pet e só colocou um ser
humano na barreira. Como Pet aprendeu no Vitória, colocou a bola
pelo único espaço aberto. Pareceu um frango, mas foi apenas
ingenuidade.
– Esse Gléguer é uma merda, nunca
confiei nele – gritou um do meu lado.
Dois a um e explosão eufórica no
espaço reservado para os genéricos.
– O Vitória tem que empatar logo,
de novo – disse aquele mesmo torcedor, de novo.
E Ramon, de novo, ouviu o que ele
disse e pegou a bola pra bater uma falta na entrada da área.
Bruno até botou fé e entupiu a barreira de gente, mas não
adiantou. Golaço. Depois do gol Bruno ainda ficou parado por
VINTE E OITO SEGUNDOS, tentando entender o que aconteceu. Veja
abaixo.
Dois a dois.
– Agora o Vitória tem que virar
logo – disse aquele torcedor.
Ramon, comprovando a boa fase e a
boa audição, num contra-ataque fulminante recebeu um passe com
carinho e com afeto de Gláucio e fez três a dois Vitória.
Lembrei de um jogo no Barradão, em
meados dos anos 90, um ano depois de Ramon nos deixar, quando um
torcedor disse “ai, que saudade de Ramon”. Quase 15 anos depois,
aos 37 anos, ele continua o mesmo atleta.
O Flamengo não tomava gols a seis
jogos, mas bastou um primeiro tempo no Barradão pra tomar três.
“Eu, eu, eu , caiu na Toca se f...”, gritavam os rubro-negros
originais.
O segundo tempo foi mais morno,
com o juiz e o Flamengo tentando e o Vitória contra-atacando.
Numa cobrança de falta, Pet não levou fé em Gléguer e colocou a
bola no cantinho, mas Gléguer dessa vez estava ligado e fez uma
defesa espetacular. “Uh, é paredão, o goleiro do Leão”, gritava
a torcida, inclusive o torcedor do meu lado que mais cedo o
crucificou.
– Quanto tempo tem? – perguntou
um.
– Quarenta – respondi.
– Bora, Vitória – disse ele.
Depois de um tempo, olhei pro
relógio mais uma vez. Quarenta e quatro. “Bora, Vitória”,
pensei. Mas aos quarenta e seis, as caravanas comemoraram. Num
cruzamento a bola sobrou limpa pra Zé Roberto só empurrar.
– Se fosse Viáfara ele se
antecipava – gritou o torcedor.
Se o empate em três a três com o
Cruzeiro teve sabor de triunfo, o empate em três a três com o
Flamengo foi o inverso. Os turistas do Flamengo foram à loucura,
o que é até aceitável, pois empatar com o Vitória no Barradão
deve ser motivo de alegria pra qualquer time.