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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 91 - 11 a 17 de outubro de 2009

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

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Análise pós-ação

José Raimundo Silveira

Em um dos meus últimos textos, afirmei que o Vitória estava entrando em uma fase de definições na temporada. A sequência de jogos no Brasileirão e na Copa Sulamericana indicaria o que nos estaria reservado até o final de 2009. Passados os desafios, é hora da análise. E o panorama não é muito diferente do que ocorreu no ano passado, nessa mesma altura da campanha.

Alertei que o desempenho nas partidas contra Palmeiras e Inter, em casa, e Botafogo e Santo André, fora, indicaria o que realmente alcançaríamos no Brasileirão. Some-se à conta o jogo contra o Flamengo, no Barradão. Feitas as contas, noves fora, o saldo é termos que nos contentar mesmo em repetir a classificação para a Copa Sulamericana, feito obtido na edição anterior.

Para o orçamento do Vitória, em comparação aos peixes graúdos, estamos dentro da realidade. Infelizmente, ainda não dá para disputar em pé de igualdade em uma competição por pontos corridos. Se ainda fosse no sistema de finais em mata-mata, seria possível sonhar com o título. Justamente porque, nesse esquema de disputa, contaríamos com atuações convincentes isoladas, a exemplo dos triunfos sobre Palmeiras e Inter, que poderia levar o time à próxima fase. Nos pontos corridos, não é bem assim. Prevalece a regularidade, que se sobrepõe a eventuais tropeços. Um dia infeliz é compensado pela média de boas atuações.

É só ver o histórico do sistema de turno e returno com pontos corridos no Brasileirão. Só ganhou quem tem estrutura e grana para arcar com um elenco com qualidade e quantidade: Cruzeiro, Santos, Corinthians e São Paulo. Agora, pelo que parece, é a vez do Palmeiras. O formato anterior do Campeonato Brasileiro, com mata-mata, permitiu que times sem tanta estrutura e suporte financeiro vencessem, como Coritiba, Guarani e outras zebras. Na pontuação geral, não ficaram na frente. Em 88, por exemplo, o Vasco foi o time que mais pontuou, embora tenha feito menos jogos que o campeão. Não estou tirando o mérito, trata-se tão somente de uma constatação.

Criamos esperanças de retornar ao G-4 após as belas vitórias sobre Palmeiras, Inter e Botafogo. Esperanças fundadas em um futebol sólido e triunfos incontestáveis. Sofremos um baque contra o Santo André e estávamos recuperando o fôlego diante do Flamengo, até aquele maldito gol urubu no finalzinho do jogo. Sobre o lance em tela, o Vitória foi de uma ingenuidade irritante. Aos 44 minutos do segundo tempo, o que queriam nossos dois zagueiros na área adversária, em lance de escanteio? Foi na ausência deles no local previsto, a nossa área, que saiu o terceiro gol, para delírio dos flamídias. Parêntese: nota 10 para quem bolou aquela faixa e também a outra que dava os parabéns a PC.

Percebi a mesma ingenuidade na eliminação contra o River Plate, na Sula. Depois de fazer aquele gol chorado, aos 41 do segundo tempo, o que fez o nosso garoto Élkesson? Ao invés de correr para buscar a bola no fundo da rede adversária para reiniciar a pressão final, como fariam argentinos, paraguaios ou uruguaios, tirou a camisa e procurou a primeira câmera de TV para dedicar o gol a alguém. Ah, me deixe... Sem falar no jogo louco em Montevidéu, quando deixamos de fazer gols incríveis e não usamos a inteligência para trazer um resultado reversível para Salvador. São lições que ficam para um time que ainda inicia a trajetória internacional.

Pois é, irmãos rubro-negros. De novo, terminaremos o ano lamentando não poder chegar mais longe. Por outro lado, percebemos uma postura decente do time na maioria dos jogos, certamente reflexo do bom trabalho de Mancini, que deve ser mantido para 2010. O objetivo é terminar na melhor posição possível e já pensar no próximo ano. Na matemática e na bola, ainda é perfeitamente possível chegar ao G-4. Mas temos que ser realistas sempre.

Para terminar, quero agradecer outra vez aos bons serviços prestados por Ramon à instituição Esporte Clube Vitória. Dá um orgulho danado ver um camarada dessa estirpe vestindo o manto sagrado, com uma dedicação ímpar aos 37 anos, idade em que a maioria dos jogadores está “roubando”, para usar o jargão da bola. Por isso ele tem lugar cativo em minha seleção de todos os tempos do Leão. E ainda tinha gente torcendo o nariz para ele, dizendo que era melhor ter saído. Valeu, Ramon! Obrigado por tantas alegrias!

José Raimundo Silveira

Militar, jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky

E-mail: tencerqueira@gmail.com 

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