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Análise pós-ação
José
Raimundo Silveira
Em um dos meus últimos textos,
afirmei que o Vitória estava entrando em uma fase de definições
na temporada. A sequência de jogos no Brasileirão e na Copa
Sulamericana indicaria o que nos estaria reservado até o final
de 2009. Passados os desafios, é hora da análise. E o panorama
não é muito diferente do que ocorreu no ano passado, nessa mesma
altura da campanha.
Alertei que o desempenho nas
partidas contra Palmeiras e Inter, em casa, e Botafogo e Santo
André, fora, indicaria o que realmente alcançaríamos no
Brasileirão. Some-se à conta o jogo contra o Flamengo, no
Barradão. Feitas as contas, noves fora, o saldo é termos que nos
contentar mesmo em repetir a classificação para a Copa
Sulamericana, feito obtido na edição anterior.
Para o orçamento do Vitória, em
comparação aos peixes graúdos, estamos dentro da realidade.
Infelizmente, ainda não dá para disputar em pé de igualdade em
uma competição por pontos corridos. Se ainda fosse no sistema de
finais em mata-mata, seria possível sonhar com o título.
Justamente porque, nesse esquema de disputa, contaríamos com
atuações convincentes isoladas, a exemplo dos triunfos sobre
Palmeiras e Inter, que poderia levar o time à próxima fase. Nos
pontos corridos, não é bem assim. Prevalece a regularidade, que
se sobrepõe a eventuais tropeços. Um dia infeliz é compensado
pela média de boas atuações.
É só ver o histórico do sistema de
turno e returno com pontos corridos no Brasileirão. Só ganhou
quem tem estrutura e grana para arcar com um elenco com
qualidade e quantidade: Cruzeiro, Santos, Corinthians e São
Paulo. Agora, pelo que parece, é a vez do Palmeiras. O formato
anterior do Campeonato Brasileiro, com mata-mata, permitiu que
times sem tanta estrutura e suporte financeiro vencessem, como
Coritiba, Guarani e outras zebras. Na pontuação geral, não
ficaram na frente. Em 88, por exemplo, o Vasco foi o time que
mais pontuou, embora tenha feito menos jogos que o campeão. Não
estou tirando o mérito, trata-se tão somente de uma constatação.
Criamos esperanças de retornar ao
G-4 após as belas vitórias sobre Palmeiras, Inter e Botafogo.
Esperanças fundadas em um futebol sólido e triunfos
incontestáveis. Sofremos um baque contra o Santo André e
estávamos recuperando o fôlego diante do Flamengo, até aquele
maldito gol urubu no finalzinho do jogo. Sobre o lance em tela,
o Vitória foi de uma ingenuidade irritante. Aos 44 minutos do
segundo tempo, o que queriam nossos dois zagueiros na área
adversária, em lance de escanteio? Foi na ausência deles no
local previsto, a nossa área, que saiu o terceiro gol, para
delírio dos flamídias. Parêntese: nota 10 para quem bolou aquela
faixa e também a outra que dava os parabéns a PC.
Percebi a mesma ingenuidade na
eliminação contra o River Plate, na Sula. Depois de fazer aquele
gol chorado, aos 41 do segundo tempo, o que fez o nosso garoto
Élkesson? Ao invés de correr para buscar a bola no fundo da rede
adversária para reiniciar a pressão final, como fariam
argentinos, paraguaios ou uruguaios, tirou a camisa e procurou a
primeira câmera de TV para dedicar o gol a alguém. Ah, me
deixe... Sem falar no jogo louco em Montevidéu, quando deixamos
de fazer gols incríveis e não usamos a inteligência para trazer
um resultado reversível para Salvador. São lições que ficam para
um time que ainda inicia a trajetória internacional.
Pois é, irmãos rubro-negros. De
novo, terminaremos o ano lamentando não poder chegar mais longe.
Por outro lado, percebemos uma postura decente do time na
maioria dos jogos, certamente reflexo do bom trabalho de
Mancini, que deve ser mantido para 2010. O objetivo é terminar
na melhor posição possível e já pensar no próximo ano. Na
matemática e na bola, ainda é perfeitamente possível chegar ao
G-4. Mas temos que ser realistas sempre.
Para terminar, quero agradecer
outra vez aos bons serviços prestados por Ramon à instituição
Esporte Clube Vitória. Dá um orgulho danado ver um camarada
dessa estirpe vestindo o manto sagrado, com uma dedicação ímpar
aos 37 anos, idade em que a maioria dos jogadores está
“roubando”, para usar o jargão da bola. Por isso ele tem lugar
cativo em minha seleção de todos os tempos do Leão. E ainda
tinha gente torcendo o nariz para ele, dizendo que era melhor
ter saído. Valeu, Ramon! Obrigado por tantas alegrias!
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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