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Triste fim de uma história que deu
certo (para nós)!
Renato
Ribeiro
Caros
rubro-negros,
Encerra-se mais um capítulo
polêmico na história do futebol baiano. Diante dos péssimos
resultados nas quatro linhas em sua primeira e única temporada,
o ex-presidente rubro-negro deixa a diretoria de futebol do
tricolor da capital. Como sabíamos que quaisquer que fossem os
resultados, partiriam gozações ou do lado de lá ou de cá, só nos
resta comemorar tal derrocada.
Ao chegar às dependências do
Fazendão, o agora ex-diretor do rival colocou pólvora no cenário
esportivo nacional. Seu discurso era de que o provincianismo
tinha acabado no esporte do estado e o profissionalismo
tornara-se real. Isso fez com que alguns até embarcassem nas
palavras do dirigente, mas o certo é que a grande maioria não
digeria aquela idéia como a mais indicada para promover o
ressurgimento do Esporte Clube Bahia. Fora aqueles que
creditavam tal transferência ao sentimento de mágoa devido à
forma como o dirigente saiu do Vitória.
O problema é que para que haja uma
modificação completa no caminho de um clube é necessária
paciência, competência e conscientização de resultados a longo
prazo. Isso foi observado no Vitória, cuja direção encabeçada
por Ademar Lemos e pelo próprio Paulo Carneiro assumiu o
rubro-negro sem lenço e sem documento no final da década de
oitenta, transformando-o gradativamente em uma respeitada
instituição.
Do outro lado era evidente que não
haveria tolerância diante de resultados negativos, sobretudo no
início, etapa mais complicada para se vencer diante do caos
financeiro e fragilidade estrutural. Tudo isso devido ao fato de
um dos dirigentes ser assumidamente torcedor declarado do rival.
Acabava sempre aflorando pressões da imprensa, conselho e
torcida.
Como sabemos que nosso
ex-presidente sempre foi “antenado” para com desenvolvimento
estrutural, provavelmente nas dependências tricolores podem ter
havido sim, mudanças consideráveis. Mas, como no “ópio do povo”
vive-se de resultados dentro de campo e não fora, sua queda era
questão de tempo. O mais triste é que ninguém parou para
observar o que tudo isso veio a resultar.
Ao assumir tal missão, o cartola
provavelmente fechou de vez as possibilidades de algum dia
voltar ao seu clube de origem. O que ele não prestou atenção é
que aliado ao profissionalismo tão pedido por todos, o futebol
nacional é obrigatoriamente constituído de rivalidades sólidas,
tendo a paixão como sua maior gasolina e cuja decisão desse tipo
é interpretada como traição. Perdeu-se então a admiração.
Alguém aí já viu um ex-diretor do
Palmeiras partir para o Corinthians? Ou um ex-presidente do
Flamengo vestir a camisa do Vasco? Será que já foi testemunhado
um ex-cartola do galo mineiro declarar na imprensa que no
clássico o Cruzeiro sairia vencedor? É claro que não!
Até que já acompanhamos exemplos
de transferências de diretores de um clube para o outro, porém
sem mexerem brutalmente com a rivalidade. Bebeto de Freitas saiu
do Botafogo e foi para o Atlético-Mg (Nada de Flamengo, Vasco ou
Fluminense)! Raimundo Barbosa deixou sua maior paixão, o Goiás e
experimentou presidir o futebol do nosso Vitória (Vila Nova, nem
pensar!).
Existem exemplos mais modestos e
que se aproximam um pouco da questão “paixão futebolística” como
foi o caso de Newton Mota, tricolor de coração e que ajudou a
fortalecer a base do Leão. Porém, é incomparável o significado
de Newton Mota e Paulo Carneiro para Bahia e Vitória,
respectivamente.
Mota trabalhou a vida inteira
quase que silenciosamente nos clubes sem presidi-los, enquanto
que Paulo liderava uma nação, esmagando o rival e levando nossa
torcida à loucura. Foi um dos maiores responsáveis pela tomada
da hegemonia regional do Bahia e consolidação do rubro-negro
como um dos principais clubes do país. Já invadiu vestiários,
xingou juízes, treinadores, já arrebatou troféu e saiu na mão
com meio mundo de gente em prol do Vitória. Entende agora a
dimensão de sua decisão, PC?
Aliás, ironicamente ficou a
impressão e o sentimento de que você cumpriu o prometido (é
claro que isso é tiração de sarro!): Nasceu pra ferrar com o
Bahia!
É por ter se tornado tão frio que
você cometeu seu maior erro, Paulo. Tinha tudo para ser lembrado
por todos nós, rubro-negros, como um dos maiores dirigentes da
história do Esporte Clube Vitória (mesmo sendo), embora o tenha
entregado na série C. Mas, ao vestir a camisa rival, ter se
enrolado na bandeira deles e provocado tanto o seu verdadeiro
povo, que dificilmente essa ferida será cicatrizada. O Vitória
ganhou. Você perdeu.
Saudações Rubro-Negras!
Renato
dos Anjos Ribeiro
Rubronegro
e fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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