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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 90 - 4 a 10 de outubro de 2009

Foto: Felipe Oliveira | E.C.Vitória

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Precisamos saber lidar melhor com a mídia

Francisco Ribeiro

Recentemente, na véspera da partida Vitória 1x1 River Plate (URU), pela Copa Sulamericana, no Barradão, nosso atacante Roger concedeu entrevista coletiva à imprensa local. Fez dois comentários que considero equivocados.

No primeiro, o atacante foi infeliz ao desqualificar o adversário que, no final das contas, nos eliminou da competição. "Com toda a modéstia do mundo, o River não é uma grande equipe, acho que vamos fazer um grande jogo e temos tudo pra passar por eles aqui", disse Roger. Foi a primeira vez que ouvi alguém usar a modéstia para falar que o outro é ruim. E não pra dizer "modéstia parte, eu sou bom". É o tipo de declaração que fica feia após a eliminação e, antes de uma decisão, só dá força ao adversário.

Logo depois, um repórter pediu para que o atacante confirmasse uma informação. A de que os jogadores do Botafogo teriam pedido para o Vitória "aliviar" no final da partida do Engenhão que terminou em 3 a 1 para o Leão, pelo Campeonato Brasileiro, dias antes da decisão com os uruguaios. Confira o que Roger respondeu:

"Como é que vocês descobrem isso, cara? Sim, o Juninho (zagueiro do Botafogo) deu um toque pra gente tocar um pouco a bola. Eu falei também: vamos tocar. É claro que se sobrasse uma bola pra mim, eu iria fazer o gol, né? Mas no momento ali senti um pouco porque me coloquei na posição deles. Como profissional de futebol, posso viver isso um dia. Espero que demore muito, mas a gente está sujeito a passar por isso, então pedi para que pudéssemos tocar um pouco mais a bola, já estava 3 a 0, eles com um homem a menos, o jogo estava ganho e não precisava humilhar eles mais do que já estavam humilhados".

A primeira crítica é simples: falou demais. O tema é polêmico, envolve uma situação vexatória de outro clube - o que não interessa ao Vitória - e de colegas de profissão do próprio Roger. Envolve ética profissional e a própria necessidade do Vitória de jogar para vencer com a maior diferença de gols possível, considerando seus interesses no Campeonato Brasileiro.

Segundo: um atacante que vem irritando demasiadamente a torcida com gols incrivelmente perdidos, num campeonato que privilegia o saldo de gols como um dos principais critérios de desempate - e com o Vitória disputando uma vaga para a Libertadores - concede uma entrevista dizendo que pediu para que o time aliviasse porque "o jogo estava ganho"? Por mais louvável que tenha sido a intenção de Roger, ele poderia ter guardado a comoção para si e pensado numa postura mais pró-Vitória. Seria mais simples desconversar e não detalhar a situação.

Como lição, seria bom Roger conhecer outra história. Na última rodada da fase de classificação do Brasileirão de 1997, quando Atlético Mineiro e Vitória empatavam em 2 a 2 no Mineirão, e o tetracampeão Bebeto, que jogava pelo Leão, pediu para que os jogadores do Atlético "aliviassem", pois as duas equipes estavam se classificando para as oitavas de finais, sabe o que aconteceu? Os mineiros partiram pra cima e fizeram o terceiro gol, eliminando o rubronegro.

Capitão "traíra"

Renan atuando pelo Vitória no Campeonato Brasileiro de 2008

Vou citar mais um exemplo de entrevista equivocada para chegar ao objetivo final deste texto. No Brasileirão de 2008, quando o Vitória venceu o Coritiba por 1 a 0, em setembro, faltou luz no Barradão. No mês seguinte, quando o rubronegro enfrentava o Flamengo, também em nosso estádio, mais uma vez os refletores se apagaram ainda no primeiro tempo do jogo que acabou em 0 a 0. 

Enquanto todos aguardavam que o problema se resolvesse, o meia Renan (hoje no Atlético Mineiro), nosso capitão naquele jogo foi questionado pela imprensa sobre a situação. Para minha surpresa, o jogador do Vitória reclamou veementemente da falta de luz, ainda chamando a atenção para a reincidência do problema. "Não é a primeira vez que isso acontece!". Fiquei pasmo com a declaração do capitão do Vitória, aquele que - mais do que os outros - tem a função de defender os interesses do clube dentro e fora de campo.

Sem detalhar outros exemplos de treinadores e atletas que já utilizaram os microfones para fazer críticas e acusações abertas contra colegas de clube - e de dirigentes que concedem entrevistas para antecipar contratações incertas antes de elas darem errado ou para falar mais do rival do que de nós mesmos -, fica como sugestão um trabalho de media training a ser realizado pelo departamento de marketing do clube e sua assessoria de imprensa junto a dirigentes, jogadores, comissão técnica e demais funcionários.

Media training nada mais é do que um treinamento que se faz com alguns membros de uma empresa para que eles saibam se comportar diante da mídia de maneira que não afetem os interesses da organização. Se algum trabalho nesta linha já vem sendo feito, aparenta ser falho e precisa melhorar.

Sei que a atual diretoria tem como meta a profissionalização contínua de sua gestão. Por isso a sugestão. Vamos juntar forças para que nosso clube alcance adequação ao futebol profissional de hoje e seja cada vez mais vitorioso dentro e fora de campo.

Francisco Ribeiro

Jornalista e editor da Revista Eletrônica Barradão On Line.

E-mail: fanque@yahoo.com 

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