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Precisamos
saber lidar melhor com a mídia
Francisco
Ribeiro
Recentemente,
na véspera da partida Vitória 1x1 River Plate (URU), pela Copa
Sulamericana, no Barradão, nosso atacante Roger concedeu
entrevista coletiva à imprensa local. Fez dois comentários que considero equivocados.
No
primeiro, o atacante foi infeliz ao desqualificar o
adversário que, no final das contas, nos eliminou da
competição. "Com toda a modéstia do mundo, o
River não é uma grande equipe, acho que vamos fazer um
grande jogo e temos tudo pra passar por eles aqui", disse
Roger. Foi a primeira vez que ouvi alguém usar a modéstia para
falar que o outro é ruim. E não pra dizer "modéstia
parte, eu sou bom". É o tipo de declaração que fica feia
após a eliminação e, antes de uma decisão, só dá força ao
adversário.
Logo
depois, um repórter pediu para que o atacante confirmasse uma
informação. A de que os jogadores do Botafogo teriam pedido
para o Vitória "aliviar" no final da partida do
Engenhão que terminou em 3 a 1 para o Leão, pelo Campeonato
Brasileiro, dias antes da decisão com os uruguaios. Confira o
que Roger respondeu:
"Como
é que vocês descobrem isso, cara? Sim, o Juninho (zagueiro do
Botafogo) deu um toque pra gente tocar um pouco a bola. Eu falei
também: vamos tocar. É claro que se sobrasse uma bola
pra mim, eu iria fazer o gol, né? Mas no momento ali senti um
pouco porque me coloquei na posição deles. Como profissional
de futebol, posso viver isso um dia. Espero que demore muito,
mas a gente está sujeito a passar por isso, então pedi para
que pudéssemos tocar um pouco mais a bola, já estava 3 a 0,
eles com um homem a menos, o jogo estava ganho e não
precisava humilhar eles mais do que já estavam
humilhados".
A
primeira crítica é simples: falou demais. O tema é polêmico,
envolve uma situação vexatória de outro clube - o que não
interessa ao Vitória - e de colegas de profissão do próprio
Roger. Envolve ética profissional e a própria necessidade do
Vitória de jogar para vencer com a maior diferença de gols
possível, considerando seus interesses no Campeonato Brasileiro.
Segundo:
um atacante que vem irritando demasiadamente a torcida com gols
incrivelmente perdidos, num campeonato que privilegia
o saldo de gols como um dos principais critérios de desempate -
e com o Vitória disputando uma vaga para a Libertadores - concede
uma entrevista dizendo que pediu para que o time aliviasse porque "o
jogo estava ganho"? Por mais louvável que tenha sido a
intenção de Roger, ele poderia ter guardado a comoção para
si e pensado numa postura mais pró-Vitória. Seria mais
simples desconversar e não detalhar a situação.
Como
lição, seria bom Roger conhecer outra história. Na última rodada da fase de
classificação do Brasileirão de 1997, quando Atlético
Mineiro e Vitória empatavam em 2 a 2 no Mineirão, e o
tetracampeão Bebeto, que jogava pelo Leão, pediu para que os
jogadores do Atlético "aliviassem", pois as duas
equipes estavam se classificando para as oitavas de finais, sabe
o que aconteceu? Os mineiros partiram pra cima e fizeram o
terceiro gol, eliminando o rubronegro.
Capitão
"traíra"
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Renan
atuando pelo Vitória no Campeonato Brasileiro de 2008 |
Vou
citar mais um exemplo de entrevista equivocada para
chegar ao objetivo final deste texto. No Brasileirão de
2008, quando o Vitória venceu o Coritiba por 1 a 0, em
setembro, faltou luz no Barradão. No mês seguinte,
quando o rubronegro enfrentava o Flamengo, também em
nosso estádio, mais uma vez os refletores se apagaram
ainda no primeiro tempo do jogo que acabou em 0 a
0. |
Enquanto
todos aguardavam que o problema se resolvesse, o meia Renan (hoje no Atlético Mineiro), nosso capitão
naquele jogo foi questionado pela imprensa sobre a situação. Para minha
surpresa, o jogador do Vitória reclamou veementemente da falta
de luz, ainda chamando a atenção para a reincidência do
problema. "Não é a primeira vez que isso
acontece!". Fiquei pasmo com a declaração do capitão
do Vitória, aquele que - mais do que os outros - tem a função
de defender os interesses do clube dentro e fora de campo.
Sem
detalhar outros exemplos de treinadores e atletas que já
utilizaram os microfones para fazer críticas e acusações
abertas contra colegas de clube - e de dirigentes que concedem
entrevistas para antecipar contratações incertas antes de elas
darem errado ou para falar mais do rival do que de
nós mesmos -, fica como sugestão um trabalho de media
training a ser realizado pelo departamento de marketing do
clube e sua assessoria de imprensa junto a dirigentes, jogadores,
comissão técnica e demais funcionários.
Media
training nada mais é do que um treinamento que se faz com
alguns membros de uma empresa para que eles saibam se comportar
diante da mídia de maneira que não afetem os interesses da
organização. Se algum trabalho nesta linha já vem sendo
feito, aparenta ser falho e precisa melhorar.
Sei
que a atual diretoria tem como meta a profissionalização
contínua de
sua gestão. Por isso a sugestão. Vamos
juntar forças para que nosso clube alcance adequação ao
futebol profissional de hoje e seja cada vez mais vitorioso
dentro e fora de campo.
Francisco
Ribeiro
Jornalista
e editor da Revista Eletrônica Barradão On Line.
E-mail:
fanque@yahoo.com
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