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Artigos ::
Um leão nos negócios
Ricardo
Azevedo
Tento sempre ampliar o foco sobre
os negócios relevantes do futebol buscando paralelos com nosso
mercado. Sei que estamos distantes de certas circunstâncias em
que estes relevantes negócios acontecem, mas, não custa
acompanhar os passos que, quem sabe, um dia serão os mesmos que
seguiremos.
O mais recente é o caso da Premier
League, como é chamada a liga inglesa de futebol. Fez o que
parecia impossível: ultrapassou em negócios uma das joias da
coroa do esporte norte americano: a NBA, a liga de basquete
profissional dos Estados Unidos.
Os números são de assustar (aos
brasileiros). Fechado o balanço da temporada 2007/2008, a
Premier League (PL) divulgou seu faturamento: U$ 3,9 bilhões. É
a mais poderosa liga de futebol do mundo e, por isso, seu modelo
de negócio deve ser observado com atenção.
Primeiramente, a receita obtida
com a televisão se mostrou o principal faturamento dos clubes. A
PL distribuiu 938 milhões de Euros entre seus clubes, vinte ao
todo. Além disso, disparou sua receita com os dias de jogos
(material, alimentos e bebidas), coisa que os clubes brasileiros
ainda nem sonham acontecer.
Outro projeto que se mostrou
lucrativo foi a internacionalização de seu produto, uma vez que
a audiência global alcançou 4,8 milhões de telespectadores em
mais de 211 países. Os estrangeiros, nós brasileiros entre eles,
foram responsáveis por 38% dos novos recursos distribuídos aos
clubes.
Uma ação poderosa foi a
distribuição do produto em diversas mídias, em especial celular
e internet. Num mercado desenvolvido, claro, tudo fica mais
fácil, mas, neste ponto, o Brasil caminha em ritmo acelerado
rumo aos padrões tecnológicos do primeiro mundo.
O que falta mesmo é desenvolver
nossa eficácia executiva. Faltam projetos sim, mas acima de tudo
falta decência. Isso é o que mais me desanima. Não o suficiente
para me fazer desistir e, por isso, prosseguirei tentando dar
alguma contribuição ao nosso futebol e, especialmente, ao nosso
clube.
Estamos longe da PL. Mais ainda da
NFL (liga do futebol americano), que faturou U$ 7,1 bilhões, e
da MLB (liga de beisebol dos EUA ), que faturou U$ 5,5 bilhões.
A NBA, para constar, faturou U$ 3,8 bilhões.
Vale também dizer que a Liga
inglesa, cujo símbolo é também um leão, tem seus problemas, como
equipes que dão prejuízo ou que estão em busca de donos, mas,
ainda assim, é o grande exemplo de hoje para o futebol mundial.
Vendo os números publicados na
revista Forbes, não sinto inveja dos que lá estão. Afinal, a
única coisa que me dá verdadeiro orgulho no esporte é ver meu
clube vencendo e crescendo. Farei o possível para que façamos
isso sempre: vencer e crescer. Obrigado por existir Vitória!
Ricardo
Azevedo
Jornalista,
é coordenador da Fundação
Memorial do Vitória e conselheiro do clube. Na atual
diretoria, exerce a função de diretor de marketing.
E-mail:
blog.ricoazevedo@bol.com.br
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