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Revista Eletrônica Barradão On Line é um veículo independente, com
edições publicadas semanalmente, sobre o Esporte Clube Vitória -
Salvador - Bahia - Brasil
Revista
Eletrônica BOL - Edição nº 88 - 20 a 26 de setembro de 2009
Foto:
Felipe Oliveira | E. C. Vitória
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Artigos ::
Vitória
x Palmeiras (valeu, São Marcos)
Ricardo
Cury
No
meio da semana eu já tinha ido ao jogo da seleção e durante a
partida cheguei a conclusão de que um jogo do Vitória é bem
mais emocionante. Algumas coisas são até semelhantes, pois em
ambas tem torcedor do Bahia fazendo papel de otário.
No
jogo contra o Chile, sentei colado com a torcida chilena e a
torcida do Bahia, que por estar vestida com as mesmas cores do
Chile, era motivo de piada por parte dos hermanos:
–
Vocês são chilenos? – perguntava um. Como ali era a única
forma do tricolor baiano aparecer pro Brasil, eles tentaram
durante o jogo um grito de “Bahia”, mas foram
humilhantemente calados pelas vaias que ecoaram pelo estádio de
Pituaçu.
No
Barradão eles são mais covardes e foram de verde. Revoltados
pela humilhação sofrida no dia anterior, quando tomaram de 4 x
1 da Portuguesa, os torcedores do Bahia foram torcer pro
Palmeiras, acreditando que assim poderiam sentir um pouquinho do
doce sabor da vitória. Tentaram de novo ecoar alguns gritos,
porém, mais uma vez, foram abafados pela massa rubro-negra que
enchia o estádio.
Jogo
contra o líder do campeonato é sempre apreensivo, mas no
banheiro, mijando antes do jogo, enquanto um torcedor do
Palmeiras, ou melhor, do Bahia, mijava, um outro rubro-negro
disse:
–
Esse palmeirense tá aqui mijando, mas tem um palmeirense que
sempre que joga contra o Vitória se caga todo...
–
Quem é? – perguntou um outro anônimo.
–
Marcos – respondeu, gerando risada de todos, menos do torcedor
indefinido.
O
fato de o goleiro palmeirense se cagar contra o Vitória
(lembrando o 7 x 2 e o rebaixamento anos atrás) geraria outras
risadas aos 19 minutos do primeiro tempo. Ramon cruzou, ele foi
tirar de forma estabanada, mirou na moleira de Uéliton e um a
zero Vitória. Veja o vídeo:
O
Vitória, que antes do gol já tinha metido uma bola na trave
com Roger, continuou pressionando e aos 36 minutos, o nome do
time nessa fase da competição perdeu o gol mais feito de todos
os babas do fim de semana. Na jogada, Marcos cagou de novo,
dessa vez numa simples saída de bola, e a dita cuja sobrou pra
Berola que tentou limpa-lo, mas, talvez pelo goleiro já estar
todo melado, não conseguiu.
–
Que porra! Lá no meu baba, que eu PAGO pra jogar, se eu perder
um gol desse eu sou tirado na hora. Esse cara GANHA pra isso e
perde o gol?! Putaquepariu, vá tomar no c... – gritava um
torcedor do meu lado, fortalecendo as palavras em caixa alta.
Pior
que ter perdido esse gol foi tomar um logo depois, o que fez a
torcida se irritar mais ainda desse gol perdido. Mais até do
que com o gol sofrido:
–
Se tivesse feito dois a zero o jogo era outro... Era pra chegar
chutando. Porra! – reclamava o mesmo, que fez esse discurso
durante todo o intervalo.
Um
a um e fim do primeiro tempo.
O
segundo tempo começou e o Palmeiras parecia querer ganhar.
Voltou melhor, mas como o goleiro do Vitória não se caga
diante deles, defendeu as duas jogadas dos paulistas. Depois
disso, pra desespero dos tricolores, só deu Vitória e aos 25
minutos a bola sobrou pro cara que tinha perdido o gol feito e,
dessa vez, ele não repetiu o erro. Neto Berola, dois a um
Vitória.
Logo
depois, como se só estivesse ali até concertar o erro, Berola
saiu do jogo dando lugar a Derlei, que estreava. Aos 35 ele
mandou perto, mas aos 39 mandou pra longe. Pra longe do alcance
de Marcos, que até salvou o que seria um gol olímpico de
Ramon, mas ficou ajoelhado dentro do gol, vendo o estreante
fazer o terceiro rubro-negro.
“É,
o Vitória é foda”, pensou o goleiro alviverde.
Depois
o Palmeiras fez um golzinho sem graça, mas muitos tricolores
já deixavam o estádio.
Vitória
3 X 2 Palmeiras.
Perder
em casa, em um jogo da segunda divisão, é uma coisa. Ser
humilhado em casa com um chocolate, em um jogo da segunda
divisão, com o quarto gol de cobertura, é outra coisa.
Ganhar
em casa, em um jogo da primeira divisão é uma coisa. Ganhar do
líder, em um jogo da primeira divisão, no mesmo fim de semana
que o outro é humilhado com um chocolate, com o quarto gol de
cobertura, é outra coisa.
Moro
do lado de um escola infantil e nessa segunda-feira, às sete da
manhã, os gritos de “nêêêêêêgooooo, nêêêêêêgooooo”
entoados pelas crianças soavam como uma divertida melodia. Fim
de semana acachapante.