|
::
Artigos ::
Pão
e Cirque
Ricardo
Azevedo
Muito
interessante o movimento em prol de uma melhor captação de
eventos para nossa cidade. Veio a Stok Car, a Seleção
Brasileira, o Cirque du Soleil. Vem por aí Copa do Mundo,
talvez a Fórmula Indy e, quem sabe, Paul McCartney.
Pode
parecer a velha política romana do "pão e circo", e,
aliás, há uma forte desconfiança sobre isso. Mas, em pelo
menos um projeto vejo uma transversalidade de propósito entre
diversão e ação: a parceria entre Vitória e Governo do
Estado.
A
atuação deste projeto irá melhorar as coisas para o clube,
que muito pouco tem recebido dos gestores públicos, apesar
desta não ser uma obrigação nem tampouco prioridade para
qualquer que seja a política pública em questão.
O
comentário surge apenas pelo fato de vermos muito sendo feito e
mobilizado em prol de uma instituição esportiva similar a
nossa, mesmo que esta esteja claramente sem caminho aparente, o
que traz um grande risco à qualquer investimento, seja de que
natureza for.
Evitando
a comparação direta, podemos avaliar que o projeto deve
acrescentar ao clube maior comodidade e segurança em seus
arredores, oferecendo uma valiosa contra partida, a doação de
um terreno para a construção de escola.
Isto
é sensato, pois se ajuda de um lado e recebe de outro,
diferente das concessões oferecidas ao Bahia, onde se ajuda de
um lado e... só. Aqui não há como não comparar, pois podemos
imaginar que o sentido daquele investimento é de ordem
sentimental. Há quem ache isso louvável.
Mas,
o real sentido deste texto é apenas um alerta aos olhos
desatentos que comemoram o circo e o Cirque: esporte, diferente
do que muitos gestores pensam, não significa apenas diversão e
entretenimento.
Todo
o mundo desenvolvido sabe que o esporte, antes de tudo, é um
projeto de saúde e de educação, o que parece ainda estar
longe de nossa realidade, menos no caso da parceria entre
Governo e Vitória.
E
mais uma vez o clube se apresenta como modelo para alguma coisa.
Muitos podem achar banal, mas fazer algo acontecer dessa forma,
por mais lógico que seja, é difícil até mesmo para os mais
políticos e regulares negociadores. Mais um ponto para a atual
gestão do clube.
Esperamos
que este projeto saia o mais rápido possível e que sirva de
exemplo como modelo para ações futuras. O único risco que
corremos é o de sermos uma potência esportiva internacional.
Mesmo que com pouco pão, o Cirque será apenas uma cereja neste
bolo.
Ricardo
Azevedo
Jornalista,
é coordenador da Fundação
Memorial do Vitória e conselheiro do clube. Na atual
diretoria, exerce a função de diretor de marketing.
E-mail:
blog.ricoazevedo@bol.com.br
-
|