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Profissionalização de fato: o maior
desafio de Alexi
Renato
Ribeiro
Caros rubro-negros,
todos nós sabemos que a estrutura
nacional esportiva é constituída por uma imensidão de clubes que
durante o ano participam de diversas competições de caráter
nacional e internacional nas mais diversas modalidades. Porém,
se observarmos de forma crítica, chegaremos à conclusão que boa
parte dessas instituições não pensam e tampouco agem como clubes
profissionais.
Onde então se enquadraria o
Vitória nesse contexto? Para não ser tão radical ou quem sabe,
injusto, poderíamos classificar o rubro-negro baiano como um
clube “semiprofissional”. O Vitória, apesar de dispor de
tradição, de grande torcida, de ser de série A no futebol e
acima de tudo, de possuir muitos títulos, ainda claudica no que
se refere à sua vivência plena. Isso é fato, na medida em que
alguns cargos ainda são preenchidos por pessoas não qualificadas
para determinadas funções.
Sei que isso pode incomodar muita
gente, mas por outro lado, a identificação desse sério problema
pode ser o início para uma verdadeira revolução administrativa
no clube, que, com toda certeza, trará definitivamente a
profissionalização ao Vitória. Alexi Portela é um autêntico
rubro-negro, talvez um dos maiores que já conheci e sei que pela
sua inteligência (ninguém se torna um empresário bem sucedido
por acaso), ele tem noção do quadro. Por outro lado, imagino
também quais são as suas maiores dificuldades para alavancar o
mais importante de todos os projetos para o Rubro-Negro baiano.
Queiram ou não, o Vitória é um
clube político que mobiliza multidões. E quando uma instituição
mexe com egos, vaidades e relações políticas tudo se torna mais
difícil. Lidar com todos esses entraves realmente deve ser osso
duro de roer e, por isso, Alexi já demonstrou por várias
oportunidades o desejo de deixar a presidência do Leão. Em
clubes como o Vitória, onde muitas pessoas exercem influência (e
poucas ajudam de verdade) é preciso ter muito jogo de cintura e
ao mesmo tempo corresponder os anseios do conselho, imprensa e
torcida sempre com grandes resultados.
O que todos precisam entender é
que para se alcançar mais projeção nacional e internacional e,
conseqüentemente atrair atenção de investidores, é preciso se
profissionalizar. Uma instituição centenária como o Vitória não
pode viver mais de abnegações, disputa de vaidades e mentalidade
amadora. Portanto, é fundamental a ocupação de seus
departamentos por profissionais próprios de cada setor para, a
partir de então, se apresentar um projeto sólido que contemplem
desde o futebol até os esportes amadores.
Os órgãos administrativos devem
ser ocupados por administradores, o marketing por um diretor com
formação na área (não canso de parabenizar aos nossos diretores
pela indicação de Ricardo Azevedo), a direção de futebol por um
conhecedor desse esporte, com contatos dentro e fora do país, o
departamento médico presidido por profissionais especializados
em medicina desportiva e por aí vai. É assim que se constrói um
clube respeitável, com uma seleção de experts que
impulsionem um projeto ambicioso rumo ao sucesso.
Caso contrário, seremos sempre
coadjuvantes no futebol brasileiro, rezando para um ano, na base
da sorte, montarmos uma equipe que surpreenda o Brasil como foi
em 1993, ou terminando novamente nas séries inferiores. Fora os
outros esportes que viverão eternamente tirando leite de pedra
através de recursos escassos, por maior que seja a boa vontade
dos dirigentes.
Por isso afirmo com toda certeza.
A profissionalização de fato do Vitória é o maior desafio de
Alexi Portela. Infinitamente maior do que ter tirado o clube da
série C.
Saudações Rubro-Negras!
Renato
dos Anjos Ribeiro
Rubro
negro e fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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