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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 85 - 30 de agosto a 5 de setembro de 2009

Fonte: Esporte Clube Vitória

:: Artigos ::

Profissionalização de fato: o maior desafio de Alexi

Renato Ribeiro

Caros rubro-negros,

todos nós sabemos que a estrutura nacional esportiva é constituída por uma imensidão de clubes que durante o ano participam de diversas competições de caráter nacional e internacional nas mais diversas modalidades. Porém, se observarmos de forma crítica, chegaremos à conclusão que boa parte dessas instituições não pensam e tampouco agem como clubes profissionais. 

Onde então se enquadraria o Vitória nesse contexto? Para não ser tão radical ou quem sabe, injusto, poderíamos classificar o rubro-negro baiano como um clube “semiprofissional”. O Vitória, apesar de dispor de tradição, de grande torcida, de ser de série A no futebol e acima de tudo, de possuir muitos títulos, ainda claudica no que se refere à sua vivência plena. Isso é fato, na medida em que alguns cargos ainda são preenchidos por pessoas não qualificadas para determinadas funções. 

Sei que isso pode incomodar muita gente, mas por outro lado, a identificação desse sério problema pode ser o início para uma verdadeira revolução administrativa no clube, que, com toda certeza, trará definitivamente a profissionalização ao Vitória. Alexi Portela é um autêntico rubro-negro, talvez um dos maiores que já conheci e sei que pela sua inteligência (ninguém se torna um empresário bem sucedido por acaso), ele tem noção do quadro. Por outro lado, imagino também quais são as suas maiores dificuldades para alavancar o mais importante de todos os projetos para o Rubro-Negro baiano. 

Queiram ou não, o Vitória é um clube político que mobiliza multidões. E quando uma instituição mexe com egos, vaidades e relações políticas tudo se torna mais difícil. Lidar com todos esses entraves realmente deve ser osso duro de roer e, por isso, Alexi já demonstrou por várias oportunidades o desejo de deixar a presidência do Leão. Em clubes como o Vitória, onde muitas pessoas exercem influência (e poucas ajudam de verdade) é preciso ter muito jogo de cintura e ao mesmo tempo corresponder os anseios do conselho, imprensa e torcida sempre com grandes resultados.  

O que todos precisam entender é que para se alcançar mais projeção nacional e internacional e, conseqüentemente atrair atenção de investidores, é preciso se profissionalizar. Uma instituição centenária como o Vitória não pode viver mais de abnegações, disputa de vaidades e mentalidade amadora. Portanto, é fundamental a ocupação de seus departamentos por profissionais próprios de cada setor para, a partir de então, se apresentar um projeto sólido que contemplem desde o futebol até os esportes amadores. 

Os órgãos administrativos devem ser ocupados por administradores, o marketing por um diretor com formação na área (não canso de parabenizar aos nossos diretores pela indicação de Ricardo Azevedo), a direção de futebol por um conhecedor desse esporte, com contatos dentro e fora do país, o departamento médico presidido por profissionais especializados em medicina desportiva e por aí vai. É assim que se constrói um clube respeitável, com uma seleção de experts que impulsionem um projeto ambicioso rumo ao sucesso.     

Caso contrário, seremos sempre coadjuvantes no futebol brasileiro, rezando para um ano, na base da sorte, montarmos uma equipe que surpreenda o Brasil como foi em 1993, ou terminando novamente nas séries inferiores. Fora os outros esportes que viverão eternamente tirando leite de pedra através de recursos escassos, por maior que seja a boa vontade dos dirigentes. 

Por isso afirmo com toda certeza. A profissionalização de fato do Vitória é o maior desafio de Alexi Portela. Infinitamente maior do que ter tirado o clube da série C. 

Saudações Rubro-Negras! 

Renato dos Anjos Ribeiro

Rubro negro e fisioterapeuta.

E-mail: tinhojhow@yahoo.com.br

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:: Artigos ::

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