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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 84 - 23 a 29 de agosto de 2009

Fonte: Esporte Clube Vitória

:: Artigos ::

Os ídolos não morrem

José Raimundo Silveira

O grande editor Luciano anunciou que os colunistas do BOL ganhariam a possibilidade de escrever o artigo semanal pós-jogo contra o Sport. Fiquei feliz, pois a coluna teria um tema atual e eu poderia relatar minha ida à Ilha do Retiro. Mas um fato maior mudou minha idéia inicial. Foi a redenção de Ramon, um dos grandes ídolos da história recente rubro-negra. Senti-me obrigado a escrever sobre nosso meia.

A atuação contra o Atlético Paranaense foi essencial para o Vitória voltar a vencer na competição, após jejum de cinco partidas. O mais importante, no entanto, não foi a conquista dos três pontos. Melhor de tudo foi a recuperação de Ramon. Além da volta às boas com o técnico Mancini. No atual elenco, não há quem seja mais identificado com a história do Leão que o craque mineiro, ídolo de pelo menos duas gerações de rubro-negros.

Em um artigo anterior, comentei o quanto achava importante a manutenção de Ramon no Vitória. Justamente por essa identificação com o clube e a experiência, que serve de contraponto à imaturidade de alguns jogadores. Espero não estar sendo precipitado, mas julgo que estava correto.

Ramon é Vitória e ponto final. O que dizer daquela comemoração vibrante após o golaço contra os paranaenses? Ele comemorou com as vísceras, do fundo da alma, pois sabia que estava sendo colocado à prova. Aos 37 anos, com títulos conquistados e serviços prestados ao clube, ainda tem que provar algo aos outros em campo. Pelo menos aqui, nessa província.

Pois não há no Vitória quem tenha a sua categoria e visão de jogo. O problema, óbvio, é que as pernas não mais acompanham o raciocínio. Não se deve perder essa questão de vista na hora de analisar seu rendimento.

Cabe lembrar a importância histórica de Ramon. Ele despontou no ano seguinte àquela trágica final do estadual de 94. A dor da perda do título feriu os brios da nação rubro-negra, reavivando velhos fantasmas envolvendo a pretensa mística do rival. Ramon estava presente na derrota. Vai ver por isso entrou com tudo em 95, transformando-se em carrasco do time sem-teto. Nosso orgulho foi recuperado, muito graças às atuações sensacionais de Ramon em 95, que nos garantiu um dos títulos mais indiscutíveis de nossa história. As conquistas de 2008 e 2009, com o craque comandando o time, reforçaram sua aura de ídolo.

Claro que não dá mais para segurar o rojão de 90 minutos na mesma batida. Ramon tem que ser usado nos jogos naqueles momentos em que é necessário cadenciar as ações. E precisa, sim, ter alguém que corra por ele. Sua missão é criar, algo que não se perde com o tempo. Aí reside sua importância para o time.

José Raimundo Silveira

Militar, jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky

E-mail: tencerqueira@gmail.com 

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:: Artigos ::

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