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Os ídolos não morrem
José
Raimundo Silveira
O grande editor Luciano anunciou
que os colunistas do BOL ganhariam a possibilidade de escrever o
artigo semanal pós-jogo contra o Sport. Fiquei feliz, pois a
coluna teria um tema atual e eu poderia relatar minha ida à Ilha
do Retiro. Mas um fato maior mudou minha idéia inicial. Foi a
redenção de Ramon, um dos grandes ídolos da história recente
rubro-negra. Senti-me obrigado a escrever sobre nosso meia.
A atuação contra o Atlético
Paranaense foi essencial para o Vitória voltar a vencer na
competição, após jejum de cinco partidas. O mais importante, no
entanto, não foi a conquista dos três pontos. Melhor de tudo foi
a recuperação de Ramon. Além da volta às boas com o técnico
Mancini. No atual elenco, não há quem seja mais identificado com
a história do Leão que o craque mineiro, ídolo de pelo menos
duas gerações de rubro-negros.
Em um artigo anterior, comentei o
quanto achava importante a manutenção de Ramon no Vitória.
Justamente por essa identificação com o clube e a experiência,
que serve de contraponto à imaturidade de alguns jogadores.
Espero não estar sendo precipitado, mas julgo que estava
correto.
Ramon é Vitória e ponto final. O
que dizer daquela comemoração vibrante após o golaço contra os
paranaenses? Ele comemorou com as vísceras, do fundo da alma,
pois sabia que estava sendo colocado à prova. Aos 37 anos, com
títulos conquistados e serviços prestados ao clube, ainda tem
que provar algo aos outros em campo. Pelo menos aqui, nessa
província.
Pois não há no Vitória quem tenha
a sua categoria e visão de jogo. O problema, óbvio, é que as
pernas não mais acompanham o raciocínio. Não se deve perder essa
questão de vista na hora de analisar seu rendimento.
Cabe lembrar a importância
histórica de Ramon. Ele despontou no ano seguinte àquela trágica
final do estadual de 94. A dor da perda do título feriu os brios
da nação rubro-negra, reavivando velhos fantasmas envolvendo a
pretensa mística do rival. Ramon estava presente na derrota. Vai
ver por isso entrou com tudo em 95, transformando-se em carrasco
do time sem-teto. Nosso orgulho foi recuperado, muito graças às
atuações sensacionais de Ramon em 95, que nos garantiu um dos
títulos mais indiscutíveis de nossa história. As conquistas de
2008 e 2009, com o craque comandando o time, reforçaram sua aura
de ídolo.
Claro que não dá mais para segurar
o rojão de 90 minutos na mesma batida. Ramon tem que ser usado
nos jogos naqueles momentos em que é necessário cadenciar as
ações. E precisa, sim, ter alguém que corra por ele. Sua missão
é criar, algo que não se perde com o tempo. Aí reside sua
importância para o time.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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