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Revista Eletrônica Barradão On Line é um veículo independente, com
edições publicadas semanalmente, sobre o Esporte Clube Vitória -
Salvador - Bahia - Brasil
Revista
Eletrônica BOL - Edição nº 83 - 16 a 22 de agosto de 2009
Foto:
Eduardo Martins / Agência A Tarde
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Artigos ::
Vitória
x Fluminense (tudo de novo)
Ricardo
Cury
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Antes
de falar do jogo, uma curiosidade: descobri que no álbum de
figurinhas do campeonato brasileiro deste ano, que o Bahia,
diferente de outros times, só teve direito a uma página.
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O
caminho ao estádio estava vazio. O Dia dos Pais (e as últimas
derrotas do time) fez muitos torcedores não saírem de casa. Eu
já não pude ir ao jogo contra o São Paulo, pois, mesmo sendo
sábado, eu estava trabalhando. Desconfio que deu azar já que
foi a primeira derrota no Barradão nesse campeonato. Tinha que
ir nesse.
Fui
ler o texto
que fiz para o jogo Vitória X Fluminense do ano passado e
achei que podia copiar e colar aqui. Muitas semelhanças entre
os jogos: foi num dia de sol forte, o Vitória jogou com o
uniforme número dois, o Fluminense estava na zona de
rebaixamento, o Vitória saiu na frente, o Fluminense virou...
No
jogo desse fim de semana, Roger deu o passe pra um gol, fez o
outro, furou feio em um chute, foi fominha em outro lance,
chegou lento em outra jogada... E Apodi tentou, Leandro
Domingues tentou, Ramon entrou... Mas o jogo, também como no
ano passado, acabou 2 x 2.
–
Começou a crise – disseram os tricolores que trabalham
comigo, na segunda-feira, um dia depois desse empate com o
Fluminense.
Renato
Gaúcho, hoje técnico do Fluminense, em 1989 disse que aqui na
Bahia só tinha índio. Em compensação levou um ovo de mira
laser na moleira.
E o torcedor do Bahia, como
sempre mulher de malandro, ainda vai ao Barradão torcer pra
ele. Vi muitos por lá, infiltrados, com crise de abstinência
por um jogo da primeira divisão.
No
dia do jogo contra o São Paulo, ficamos trabalhando ouvindo o
jogo pela internet. Quando o São Paulo fez o gol, houve uma
efusiva comemoração por parte da parte tricolor da sala. Eu e
André, os únicos rubro-negros, fomos compreensivos com eles e
deixamos que festejassem.
No
sábado seguinte, trabalhando de novo, foi a vez de ouvir na
internet Vila Nova X Bahia. Gol do Vila Nova e a parte
rubro-negra humilhou os tricolores da sala ficando em completo
silêncio. Eles também ficaram em silêncio, cabisbaixos... Aí
eu olhei pra André e dei uma risadinha discreta que foi
percebida pelos tricolores. Os caras então perderam o controle:
– Que é que esse torcedor do Vitória quer, meu Deus? –
dizia um, menosprezando.
– Perderam de um a zero do São Paulo
em casa, não podem falar nada – disse outro, sem senso de
proporção.
– Sou bi, sou bi e você é o quê? – perguntou
um, em completo desespero. Respondi a ele que eu era hetero, mas
que tudo bem, não tenho preconceitos... E tudo isso porque eu
dei uma risadinha.
Como
já falei uma vez aqui nesse
blog, inclusive no texto do ano
passado do jogo contra o Fluminense, não filmo o ataque
adversário. Faço isso por superstição (e pra economizar a
fita e a bateria da filmadora), o que é muitas vezes injusto
com o goleiro Viáfara, pois nunca registro os seus feitos. Um
filho de um amigo meu tem dois colegas na escola que eram Bahia,
mas que viraram Vitória por causa de Viáfara e Apodi.
Mas
dessa vez a injustiça será com o goleiro que o substitui,
Gléguer. Vale a lembrança das fantásticas defesas que fez
durante o jogo todo, sobretudo, aos 48 do segundo tempo. Essas,
além de espetaculares, valeram tanto quanto os dois gols do
Vitória no jogo. O jogo acabou logo em seguida e Gléguer foi
injustiçado por toda a torcida, que vaiava o time. Era pra ter
aplaudido.
O
campeonato é longo. É o campeonato brasileiro da primeira
divisão, todo jogo é difícil, portanto, para mim, um empate
em casa, faltando metade do campeonato, passa longe de ser algo
desesperador. Mas mesmo assim Capergiani foi demitido. Para
muitos ali no Barradão, para a imprensa que fatura com isso e
para o pobre torcedor do Bahia, o empate em casa era motivo de
crise no Vitória.
Quando
acabei de escrever esse texto, descobri que o jogo Bahia X Ponte
Preta acabou 2 x 2. Empatou em casa e está a um ponto da zona
do rebaixamento para a 3º Divisão. Cheguei ao trabalho e pra
respeitar a dor dos meu colegas, não fiquei em silêncio e
perguntei com uma certa dose de misericórdia:
– E esse Bahia,
hein?
São meus amigos, gosto deles e achei que o silêncio
seria muita humilhação.