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Ricardo
Azevedo
Temos
falado de viabilidade da arena
da Copa, começando pelo viés da nossa própria
viabilidade. Bem, acredito que somos viáveis sim, mas, de certo
que o futebol não ajuda. A imagem negativa deste esporte
afugenta muita gente com boas intenções e dinheiro no bolso.
Não
falo somente do torcedor, mas também, e principalmente, do
investidor, quer seja patrocinador quer seja financista. Este
olha desconfiado e sempre achando que vai ter que gastar um
"por fora" para chegar dentro do negócio.
De
qualquer forma, temos, isto também é certo, um lado bom: o
futebol tem crescido e movimentado muitos negócios mundo afora
a despeito do "lado escuro da força" que atua em
torno dos gramados.
No
Brasil, por exemplo, mercado pequeno no cenário mundial, o
volume de negócios superou R$ 1,7 bilhão em 2008. E daqui
pretendo seguir um caminho mais direcionado para uma análise de
nosso interesse.
Não
há como não buscar referências, por isso temos que olhar a
grama dos vizinhos - quase sempre mais verde que a nossa,
conforme dizem os dados. O São Paulo, maior arrecadador do ano
passado, teve uma receita 15,5% menor que no ano anterior.
Nosso
clube brilhou e conseguiu uma receita 68% maior. Mas, por trás
destes percentuais, há um abismo de cifrões. O São Paulo,
mesmo com a queda, faturou R$ 160,5 milhões. Nós, mesmo com o
grande aumento, R$ 19,7 milhões.
Tudo
bem que estamos nos comparando com o topo, mas é lá que
gostaríamos de estar. Por outro lado, se tivermos que pensar na
mesma medida em que outros clubes que faturam exatamente como
nós, de certo seremos pequenos não só nos números, mas
também como clube (veja a lista completa no final
do texto).
Dessa
posição resta-nos dois caminhos: fazer render muito bem cada
centavo que temos, aumentando a cada dia nossa produtividade e,
além disso, haja criatividade. Precisamos ser inovadores no
modelo de negócio, na essência de nossa existência.
Isso
é fundamental pois nosso mercado (baiano, nordestino) não tem
boa posição em relação aos mais fortes (São Paulo, sul e
sudeste). Isto é visualizável facilmente na tabela, que pode
trazer inúmeras explicações sobre as diferenças entre os
clubes, mas pouca chance de mudar, uma vez que os mercados mais
fracos possuem limite para negócios bem abaixo dos principais.
Resta-nos
então, além da criatividade, profissionalismo, pois, se não
errarmos, podemos crescer a cada temporada e, quem sabe, ser um
grande negócio. Para isso, será preciso uma boa articulação
entre clubes e governo, para depois inserirmos as empresas neste
desafio.
A
Copa pode ser o "elemento X" na fórmula que vai
tornar nosso esporte um negócio exemplar em nosso Estado e
espero defender esta tese nos próximos textos. Se estivermos
com tudo ajustado, o esporte vai se desenvolver mais e mais a
cada dia. E nossos governantes precisam estar atentos a isso.
|
2008
|
2007
|
Clubes
|
Receita
Total 2008
|
Receita
Total 2007
|
Variação
|
|
1
|
(1)
|
São
Paulo
|
R$
160.500.000,00
|
R$
190.000.000,00
|
-15,50%
|
|
2
|
(2)
|
Internacional
|
R$
142.100.000
|
R$
155.800.000
|
-8,80%
|
|
3
|
(6)
|
Palmeiras
|
R$
138.800.000
|
R$
86.200.000
|
60,90%
|
|
4
|
(5)
|
Flamengo
|
R$
117.900.000,00
|
R$
89.500.000
|
31,70%
|
|
5
|
(3)
|
Corinthians
|
R$
117.500.000,00
|
R$
134.600.000
|
-12,70%
|
|
6
|
(4)
|
Grêmio
|
R$
99.000.000,00
|
R$
109.000.000
|
-9,20%
|
|
7
|
(7)
|
Cruzeiro
|
R$
94.000.000,00
|
R$
77.600.000
|
21,20%
|
|
8
|
(14)
|
Fluminense
|
R$
66.400.000,00
|
R$
39.300.000
|
68,90%
|
|
9
|
(11)
|
Santos
|
R$
65.300.000,00
|
R$
53.100.000
|
23,00%
|
|
10
|
(9)
|
Atlético
- MG
|
R$
57.600.000,00
|
R$
58.300.000
|
-1,20%
|
|
11
|
(12)
|
Vasco
da Gama
|
R$
52.000.000,00
|
R$
51.000.000
|
1,80%
|
|
12
|
(13)
|
Botafogo
|
R$
51.300.000,00
|
R$
41.000.000
|
25,00%
|
|
13
|
(-)
|
Portuguesa
|
R$
47.100.000,00
|
R$
12.400.000
|
279,10%
|
|
14
|
(10)
|
Atlético
- PR
|
R$
44.300.000,00
|
R$
54.000.000
|
-18,00%
|
|
15
|
(20)
|
Coritiba
|
R$
37.600.000,00
|
R$
14.900.000
|
152,50%
|
|
16
|
(19)
|
Figueirense
|
R$
28.300.000,00
|
R$
18.900.000
|
49,20%
|
|
17
|
(16)
|
São
Caetano
|
R$
24.000.000,00
|
R$
23.200.000
|
3,30%
|
|
18
|
(18)
|
Náutico
|
R$
19.700.000,00
|
R$
19.400.000
|
2,70%
|
|
19
|
(21)
|
Vitória
|
R$
18.800.000,00
|
R$
11.200.000
|
68,40%
|
|
20
|
(15)
|
Paraná
Clube
|
R$
17.400.000,00
|
R$
24.900.000
|
-30,10%
|
|
21
|
(17)
|
Barueri
|
R$
17.200.000,00
|
R$
21.000.000
|
-17,90%
|
Ricardo
Azevedo
Jornalista,
é coordenador da Fundação
Memorial do Vitória e conselheiro do clube. Na atual
diretoria, exerce a função de diretor de marketing.
E-mail:
blog.ricoazevedo@bol.com.br
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