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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 83 - 16 a 22 de agosto de 2009

Foto: Acervo E. C. Vitória

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Ricardo Azevedo

Temos falado de viabilidade da arena da Copa, começando pelo viés da nossa própria viabilidade. Bem, acredito que somos viáveis sim, mas, de certo que o futebol não ajuda. A imagem negativa deste esporte afugenta muita gente com boas intenções e dinheiro no bolso.

Não falo somente do torcedor, mas também, e principalmente, do investidor, quer seja patrocinador quer seja financista. Este olha desconfiado e sempre achando que vai ter que gastar um "por fora" para chegar dentro do negócio.

De qualquer forma, temos, isto também é certo, um lado bom: o futebol tem crescido e movimentado muitos negócios mundo afora a despeito do "lado escuro da força" que atua em torno dos gramados.

No Brasil, por exemplo, mercado pequeno no cenário mundial, o volume de negócios superou R$ 1,7 bilhão em 2008. E daqui pretendo seguir um caminho mais direcionado para uma análise de nosso interesse.

Não há como não buscar referências, por isso temos que olhar a grama dos vizinhos - quase sempre mais verde que a nossa, conforme dizem os dados. O São Paulo, maior arrecadador do ano passado, teve uma receita 15,5% menor que no ano anterior.

Nosso clube brilhou e conseguiu uma receita 68% maior. Mas, por trás destes percentuais, há um abismo de cifrões. O São Paulo, mesmo com a queda, faturou R$ 160,5 milhões. Nós, mesmo com o grande aumento, R$ 19,7 milhões.

Tudo bem que estamos nos comparando com o topo, mas é lá que gostaríamos de estar. Por outro lado, se tivermos que pensar na mesma medida em que outros clubes que faturam exatamente como nós, de certo seremos pequenos não só nos números, mas também como clube (veja a lista completa no final do texto).

Dessa posição resta-nos dois caminhos: fazer render muito bem cada centavo que temos, aumentando a cada dia nossa produtividade e, além disso, haja criatividade. Precisamos ser inovadores no modelo de negócio, na essência de nossa existência.

Isso é fundamental pois nosso mercado (baiano, nordestino) não tem boa posição em relação aos mais fortes (São Paulo, sul e sudeste). Isto é visualizável facilmente na tabela, que pode trazer inúmeras explicações sobre as diferenças entre os clubes, mas pouca chance de mudar, uma vez que os mercados mais fracos possuem limite para negócios bem abaixo dos principais.

Resta-nos então, além da criatividade, profissionalismo, pois, se não errarmos, podemos crescer a cada temporada e, quem sabe, ser um grande negócio. Para isso, será preciso uma boa articulação entre clubes e governo, para depois inserirmos as empresas neste desafio.

A Copa pode ser o "elemento X" na fórmula que vai tornar nosso esporte um negócio exemplar em nosso Estado e espero defender esta tese nos próximos textos. Se estivermos com tudo ajustado, o esporte vai se desenvolver mais e mais a cada dia. E nossos governantes precisam estar atentos a isso.

2008

2007

Clubes

Receita Total 2008

Receita Total 2007

Variação

1

(1)

São Paulo

R$ 160.500.000,00

R$ 190.000.000,00

-15,50%

2

(2)

Internacional

R$ 142.100.000

R$ 155.800.000

-8,80%

3

(6)

Palmeiras

R$ 138.800.000

R$ 86.200.000

60,90%

4

(5)

Flamengo

R$ 117.900.000,00

R$ 89.500.000

31,70%

5

(3)

Corinthians

R$ 117.500.000,00

R$ 134.600.000

-12,70%

6

(4)

Grêmio

R$ 99.000.000,00

R$ 109.000.000

-9,20%

7

(7)

Cruzeiro

R$ 94.000.000,00

R$ 77.600.000

21,20%

8

(14)

Fluminense

R$ 66.400.000,00

R$ 39.300.000

68,90%

9

(11)

Santos

R$ 65.300.000,00

R$ 53.100.000

23,00%

10

(9)

Atlético - MG

R$ 57.600.000,00

R$ 58.300.000

-1,20%

11

(12)

Vasco da Gama

R$ 52.000.000,00

R$ 51.000.000

1,80%

12

(13)

Botafogo

R$ 51.300.000,00

R$ 41.000.000

25,00%

13

(-)

Portuguesa

R$ 47.100.000,00

R$ 12.400.000

279,10%

14

(10)

Atlético - PR

R$ 44.300.000,00

R$ 54.000.000

-18,00%

15

(20)

Coritiba

R$ 37.600.000,00

R$ 14.900.000

152,50%

16

(19)

Figueirense

R$ 28.300.000,00

R$ 18.900.000

49,20%

17

(16)

São Caetano

R$ 24.000.000,00

R$ 23.200.000

3,30%

18

(18)

Náutico

R$ 19.700.000,00

R$ 19.400.000

2,70%

19

(21)

Vitória

R$ 18.800.000,00

R$ 11.200.000

68,40%

20

(15)

Paraná Clube

R$ 17.400.000,00

R$ 24.900.000

-30,10%

21

(17)

Barueri

R$ 17.200.000,00

R$ 21.000.000

-17,90%

Ricardo Azevedo

Jornalista, é coordenador da Fundação Memorial do Vitória e conselheiro do clube. Na atual diretoria, exerce a função de diretor de marketing.

E-mail: blog.ricoazevedo@bol.com.br 

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