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Quando
declarações colocam tudo a perder
Renato
Ribeiro
Caros
rubro negros,
Por
vezes nos surpreendemos pela maneira como um trabalho, antes
indo a mil maravilhas, de repente se interrompe. Mas, quando
observamos racionalmente os motivos que levaram a esse final
precoce, inevitavelmente chegamos a conclusões mais que
visíveis e previsíveis.
Carpegiani,
na minha modesta opinião, realizava um bom trabalho frente à
comissão técnica do Vitória. Apesar das dificuldades e de
algumas invenções, o comandante rubro negro conseguiu papar o
esperado tricampeonato baiano e, no Brasileirão, ajudou a
sustentar o Leão no G4 durante boa parte do primeiro turno,
entregando o time ao seu sucessor na zona intermediária da
tabela.
O
problema é que, somada a queda na classificação à carência
do elenco em determinadas posições, vimos declarações
inoportunas do ex-técnico do Vitória que contribuíram
decisivamente para sua saída. Foram pessimamente administradas
por Paulo Cesar Carpeggiani as questões do meia Uellinton - que
após a irresponsável expulsão no vexame contra o Avaí se
tornou suspeito de fingir contusão após a condição de
reserva - e do ala Apodi, que chegou a dizer à imprensa que se
fosse pra jogar em uma posição que não era a sua de origem,
"melhor não ter jogado".
Qualquer
instituição que tem seu dia a dia baseado na relação "chefe
x subordinado" tem a obrigação de resolver seus problemas
internamente. Se algo for a público é sinal de que há
fragilidade de comando. E foi isso que aconteceu no departamento
profissional de futebol do Vitória. Ao se dirigir à imprensa e
colocar o jovem Uellinton como mau-caráter e justificar (também
de maneira explícita) a improvisação de determinados atletas
como saída para falta de qualidade em algumas posições no
elenco, o treinador assinou sua própria demissão. Ou vocês
acham que jogador não derruba treinador?
Péssima
em resolver problema
Outra
coisa também é evidente. A diretoria do Vitória é péssima
em resolver esses problemas. Lembram do caso "Mancini x Ramon" no ano passado, quando os dirigentes demoraram a
agir e o barco ficou a deriva? É preciso haver medidas mais
enérgicas da direção do clube, mantendo mais respeito
nas relações entre seus funcionários. Demitir treinador é a
atitude mais cômoda - pois é muito mais difícil mandar trinta
funcionários embora - mas acaba por dar "manguinhas de
fora" aos jogadores, muitas vezes imaturos e
irresponsáveis.
Tudo
isso poderia ter sido evitado. Se o atleta foi punido com a
reserva, resolvendo a partir de então simular uma contusão, e
se houve declaração na imprensa colocando o treinador na
berlinda após uma opção tática, os protagonistas
deveriam ser afastados para um trabalho
psicológico/social (alguns atletas devido à inadequada ou
total falta de educação merecem uma nova oportunidade) ou
excluídos do clube. Isso mesmo! Se as transgressões ou
insatisfações chegaram a esse nível por parte dos atletas,
não vejo por que manter profissionais que agem assim.
Uma coisa é não concordar com as medidas tomadas, outra é a
maneira de agir diante delas.
E
o pior é constatar, cada vez mais, que a queda de rendimento do
rubro negro se deu por duas principais razões. Carência de
material humano e má vontade dos jogadores (a diretoria
preferiu classificar como desmotivação do elenco para com a
equipe técnica). Porém, como foi Carpegiani que
ajudou a cavar sua própria sepultura, fazer o que? (vocês
viram a diferença do rendimento da equipe contra o Coritiba, na
última quinta-feira, que se não foi brilhante tecnicamente
mostrou outra "pegada" em campo? Pois é!).
Por
fim, esperamos que Mancini, que é um bom treinador, deixe suas
teimosias de lado, participe na indicação de reforços,
consiga dar um padrão de jogo sólido à equipe e, acima de
tudo, contribua para melhorar a relação comissão técnica x jogadores.
Saudações
Rubro Negras!
Renato
dos Anjos Ribeiro
Rubro
negro e fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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