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Teoria
da conspiração
José
Raimundo Silveira
Parabéns,
vocês conseguiram! Com um esforço poucas vezes visto,
demonstrando empenho na missão, tiveram êxito para alcançar o
objetivo pretendido. Claro que não foram todos os atletas que
se esmeraram 100% para atingir a meta. Uns deram mais de si,
outros menos. Natural. Em ambientes coletivos, é raro encontrar
homogeneidade de atitudes. O fato é que o sucesso na empreitada
ocorreu: vocês, jogadores, conseguiram derrubar o técnico
Paulo César Carpegiani.
Precisei
conferir in loco para acreditar. De Recife, apenas
acompanhava o rápido declínio do Vitória no Brasileiro,
caindo vertiginosamente de produção e na tabela: de 3º para
10º, em três rodadas. Em um campeonato tão embolado, com todo
mundo mais ou menos colado, preocupava menos a posição na
classificação. Mais atemorizante era o desabamento da
qualidade do futebol apresentado.
É
natural que um ou outro atleta tenha uma má fase. Estranho é
quase todos apresentarem essa baixa. Digo estranho, para não
ser leviano. No mínimo, houve uma notória falta de
disposição e boa vontade na sequência que derrubou o Vitória
na tabela. Após a estupenda atuação contra o Santos, quando
enfiamos 6x2, o time venceu apenas um dos oito jogos seguintes
pela Série A. Ficou longe, muito longe mesmo das
apresentações do início da competição, quando convencia,
mesmo quando perdia.
Curioso
é que o declínio coincidiu com as declarações de Carpegiani
na imprensa, falando a respeito da necessidade de qualificar
nosso elenco. Confesso que, se fosse jogador, também ficaria
chateado pelo fato de meu chefe dizer publicamente que minha
equipe precisa de reforços. Daí a fazer corpo mole como
retaliação, vai uma grande distância. Pensaria que minha
responsabilidade é grande demais para adotar tal prática.
Responsabilidade para com os torcedores, dirigentes e comigo
mesmo.
Contra
o Fluminense, partida que vi ao vivo, ficou nítida a ausência
de maior empenho por parte de muitos em campo. Nos poucos
minutos nos quais o time decidiu jogar de verdade, encurralou a
fraca equipe carioca, habitante permanente da zona de
rebaixamento. Na maior parte do jogo, porém, o cenário foi
outro. Não fosse o Fluminense tão limitado, sairíamos
derrotados. Cheguei à conclusão de que a saída de PCC se
impunha. O comando havia sido perdido.
Lembrei
logo dos soturnos anos de 2004 e 2005. Dois rebaixamentos
seguidos, causados proposital e descaradamente pelos jogadores.
Na época, cobria o dia-a-dia do clube pelo jornal A Tarde.
Presenciei como um grupo de quatro ou cinco pessoas pode
contaminar os demais para obter objetivos espúrios. Foi assim
que um rebanho de vagabundos jogou o Vitória para a Terceirona.
A culpa, obviamente, deve ser dividida com a direção de
então.
Já
na partida seguinte pós-queda de Carpegiani, ficou nítida a
mudança de comportamento em campo. Voltaram a raça,
disposição e entrega no gramado, características presentes no
início do Brasileirão, que compensavam a ausência de melhor
qualificação técnica (PCC está certo). Vencemos com sobras o
Coritiba. Mesmo reconhecendo a fraqueza do adversário, fiquei
satisfeito pela volta da atitude positiva. Espero que agora, na
nova gestão de Mancini, as picuinhas não retornem à Toca.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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