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Culpa
da origem
José
Raimundo Silveira
Imagino
que a culpa do nosso temperamento tão volúvel tem a ver com o
fato de sermos latinos. Nossa reação está diretamente sujeita
à variação dos acontecimentos, algo que não acontece tanto
entre aqueles chamados de “povos frios”, como anglo-saxões,
escandinavos e correlatos. Enfim, somos extremamente emocionais.
Essa constante roda-viva de sentimentos fica ainda mais
dinâmica quando o assunto em tela é algo que está atrelado de
forma profunda à nossa cultura: o futebol.
Deixemos
de entretantos e partamos logo para os finalmente,
odorico-paraguaçuamente falando. Coisa de semanas atrás
louvávamos o Vitória como potencial candidato ao título
brasileiro. Entusiasmo justificado pela manutenção de uma
campanha encorpada, atuações convincentes e constatação de
que o futebol nacional de hoje não apresenta um supertime. Uma
sequência de resultados negativos e apresentações ruins
jogaram água na nossa fervura. Instalou-se o pessimismo, a
cornetagem e as vozes do apocalipse em nossas hostes. Do céu a
ao inferno em questão de dias. Assim é o futebol, assim é a
latinidade.
Nem
tanto, nem tão pouco (dá-lhe, mestre Armando Oliveira!). Está
ocorrendo algo previsível e vislumbrado por muitos
rubro-negros: nosso elenco é limitado, vinha vencendo mais na
base da disposição e não temos reservas em condições de
substituir os titulares, especialmente quando alguns destes
viverem, e estão vivendo, uma má fase. Parece pretensão de
querer ensinar padre a rezar, mas é algo óbvio concluir que
apenas um elenco numeroso e qualificado para suportar a batida
de uma temporada tão extensa. Claro que a direção do Vitória
tinha essa noção. Faltou mais ação.
Que
o mercado é difícil para contratar em quantidade e qualidade,
todos sabemos. Ainda mais para um clube não tão apaniguado em
relação aos pares do Sul Maravilha. Então, se os dirigentes
não souberam driblar essas adversidades para dotar o elenco de
capacidade técnica, fica difícil defendê-los. Não é
questão de fazer mágica para contratar sem grana. Nossa
direção tem seu valor, plenamente reconhecido pela maioria de
nós.
Porém,
se não estão conseguindo tocar o barco, que se abra espaço
para alguém com mais capacidade. Penso que não estão na
função por obrigação. Do contrário, já teriam pulado fora.
Portanto, que saibam lidar com as críticas e a imensa
responsabilidade de dirigir uma entidade como o Vitória.
Continuo
achando o time titular rubro-negro bom e capaz de fazer uma
campanha aceitável. Enfrentamos as equipes mais qualificadas da
Série A na primeira parte do turno, quando tivemos os melhores
resultados. A degringolada veio justamente quando pegamos a
gente miúda (exceção feita ao São Paulo), na segunda parte.
Quero dizer com isso que, se fizemos bonito contra os grandões,
podemos retomar a rota. Ninguém desaprende. Eliminando a teoria
conspiratória de complô para derrubar o treinador ou
insatisfação com salários atrasados, creio que o grupo passa
apenas por uma turbulência e vai se recuperar. Que comece a
retomada contra o Fluminense, Dia dos Pais, quando estarei
presente.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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