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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 82 - 9 a 15 de agosto de 2009

Foto: Felipe Oliveira | E. C. Vitória

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Culpa da origem

José Raimundo Silveira

Imagino que a culpa do nosso temperamento tão volúvel tem a ver com o fato de sermos latinos. Nossa reação está diretamente sujeita à variação dos acontecimentos, algo que não acontece tanto entre aqueles chamados de “povos frios”, como anglo-saxões, escandinavos e correlatos. Enfim, somos extremamente emocionais. Essa constante roda-viva de sentimentos fica ainda mais dinâmica quando o assunto em tela é algo que está atrelado de forma profunda à nossa cultura: o futebol.

Deixemos de entretantos e partamos logo para os finalmente, odorico-paraguaçuamente falando. Coisa de semanas atrás louvávamos o Vitória como potencial candidato ao título brasileiro. Entusiasmo justificado pela manutenção de uma campanha encorpada, atuações convincentes e constatação de que o futebol nacional de hoje não apresenta um supertime. Uma sequência de resultados negativos e apresentações ruins jogaram água na nossa fervura. Instalou-se o pessimismo, a cornetagem e as vozes do apocalipse em nossas hostes. Do céu a ao inferno em questão de dias. Assim é o futebol, assim é a latinidade.

Nem tanto, nem tão pouco (dá-lhe, mestre Armando Oliveira!). Está ocorrendo algo previsível e vislumbrado por muitos rubro-negros: nosso elenco é limitado, vinha vencendo mais na base da disposição e não temos reservas em condições de substituir os titulares, especialmente quando alguns destes viverem, e estão vivendo, uma má fase. Parece pretensão de querer ensinar padre a rezar, mas é algo óbvio concluir que apenas um elenco numeroso e qualificado para suportar a batida de uma temporada tão extensa. Claro que a direção do Vitória tinha essa noção. Faltou mais ação.

Que o mercado é difícil para contratar em quantidade e qualidade, todos sabemos. Ainda mais para um clube não tão apaniguado em relação aos pares do Sul Maravilha. Então, se os dirigentes não souberam driblar essas adversidades para dotar o elenco de capacidade técnica, fica difícil defendê-los. Não é questão de fazer mágica para contratar sem grana. Nossa direção tem seu valor, plenamente reconhecido pela maioria de nós.

Porém, se não estão conseguindo tocar o barco, que se abra espaço para alguém com mais capacidade. Penso que não estão na função por obrigação. Do contrário, já teriam pulado fora. Portanto, que saibam lidar com as críticas e a imensa responsabilidade de dirigir uma entidade como o Vitória.

Continuo achando o time titular rubro-negro bom e capaz de fazer uma campanha aceitável. Enfrentamos as equipes mais qualificadas da Série A na primeira parte do turno, quando tivemos os melhores resultados. A degringolada veio justamente quando pegamos a gente miúda (exceção feita ao São Paulo), na segunda parte. Quero dizer com isso que, se fizemos bonito contra os grandões, podemos retomar a rota. Ninguém desaprende. Eliminando a teoria conspiratória de complô para derrubar o treinador ou insatisfação com salários atrasados, creio que o grupo passa apenas por uma turbulência e vai se recuperar. Que comece a retomada contra o Fluminense, Dia dos Pais, quando estarei presente.

José Raimundo Silveira

Militar, jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky

E-mail: tencerqueira@gmail.com 

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