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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 82 - 9 a 15 de agosto de 2009

Foto: Luiz Bartollo | E. C. Vitória

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Meu pai não gosta de futebol

Carolina Oliveira

Na semana em que se comemora o Dia dos Pais, achei um tema interessante para escrever a respeito: meu pai não gosta de futebol. Não gosta mesmo! Ao contrário da maioria dos homens, ele não vai ao estádio, não ouve o jogo no rádio, não torce por nenhum time, não usa camisa. De fato, meu pai é mesmo um cara especial!

É interessante essa relação entre os homens e o futebol. Não sei se eles aprendem a gostar do esporte com os pais, ou se são influenciados pelos amiguinhos, pela vizinhança ou pela família. Meu pai teve uma infância bacana, cheia de histórias pra contar, foi escoteiro, mergulhador, mas não aprendeu a jogar bola nem tem um time que ele carregue no coração, como eu tenho. Para se ter uma idéia, a única camisa de time que ele já teve foi a do Boca Juniors, que algum amigo trouxe da Argentina!

Isso rende vários casos engraçados, devo admitir! Lembro de quando ele tomava uma cervejinha e se metia a bater bola com os caras na praia, me deixando morta de vergonha, ou da vez que eu perguntei a ele o que era “tabelinha” e ele veio me falar sobre meu ciclo menstrual. Pô, eu queria entender a “tabelinha” do futebol e ele veio me falar da “tabelinha” como método contraceptivo! Tudo bem, preocupação de pai com filha na adolescência! 

Hoje ele não comete mais essas gafes, claro, mas ainda me mata de vergonha quando se atreve a discutir futebol com alguém, porque apesar de ser bem desenrolado, ele fala cada absurdo...! Dependendo de quem seja o interlocutor, eu peço desculpas, porque ele não sabe bem o que está falando!

Há um tempo, ele até se dizia torcedor do Ypiranga. Depois começou a dizer que era Ipitanga. Na verdade, eu acho que ele torce pro Bahia, mas tem vergonha de admitir (por que será?). Ele me esculhamba quando o Vitória perde, esculhamba mais ainda se o time ganha e eu não fico sabendo. 

Às vezes ligo para casa, numa tarde de domingo, e ele me manda o placar do jogo que está em andamento. E reclama que eu só uso a camisa quando o time ganha porque, como ele mesmo diz, “torcedor tem que se assumir, rapaz, não pode ser secreto não!”. E não é que ele tem razão a esse respeito?

É boa essa sensação de saber que ele me incentiva mesmo sendo do contra, mesmo não gostando de futebol e não aceitando que as pessoas discutam por causa de times que, na prática, não as compensam com nada de concreto. É bom ver que ele se preocupa em me passar os resultados do meu Vitória e que, em alguns casos, é capaz de gestos bem significativos, como fez ao me presentear com o bonequinho jogador que tocava o Hino do Clube.

Acho que não preciso de nada mais além disso!

A todos os pais rubro negros ou, como o meu, torcedores de time nenhum, os meus sinceros parabéns pelo dia de hoje!

Carolina Oliveira

Administradora, rubro-negra e filha coruja

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