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Meu
pai não gosta de futebol
Carolina
Oliveira
Na
semana em que se comemora o Dia dos Pais, achei um tema
interessante para escrever a respeito: meu pai não gosta de
futebol. Não gosta mesmo! Ao contrário da maioria dos homens,
ele não vai ao estádio, não ouve o jogo no rádio, não torce
por nenhum time, não usa camisa. De fato, meu pai é mesmo um
cara especial!
É
interessante essa relação entre os homens e o futebol. Não
sei se eles aprendem a gostar do esporte com os pais, ou se são
influenciados pelos amiguinhos, pela vizinhança ou pela
família. Meu pai teve uma infância bacana, cheia de histórias
pra contar, foi escoteiro, mergulhador, mas não aprendeu a
jogar bola nem tem um time que ele carregue no coração, como
eu tenho. Para se ter uma idéia, a única camisa de time que
ele já teve foi a do Boca Juniors, que algum amigo trouxe da
Argentina!
Isso
rende vários casos engraçados, devo admitir! Lembro de quando
ele tomava uma cervejinha e se metia a bater bola com os caras
na praia, me deixando morta de vergonha, ou da vez que eu
perguntei a ele o que era “tabelinha” e ele veio me falar
sobre meu ciclo menstrual. Pô, eu queria entender a “tabelinha”
do futebol e ele veio me falar da “tabelinha” como método
contraceptivo! Tudo bem, preocupação de pai com filha na
adolescência!
Hoje
ele não comete mais essas gafes, claro, mas ainda me mata de
vergonha quando se atreve a discutir futebol com alguém, porque
apesar de ser bem desenrolado, ele fala cada absurdo...!
Dependendo de quem seja o interlocutor, eu peço desculpas,
porque ele não sabe bem o que está falando!
Há
um tempo, ele até se dizia torcedor do Ypiranga. Depois
começou a dizer que era Ipitanga. Na verdade, eu acho que ele
torce pro Bahia, mas tem vergonha de admitir (por que será?).
Ele me esculhamba quando o Vitória perde, esculhamba mais ainda
se o time ganha e eu não fico sabendo.
Às
vezes ligo para casa, numa tarde de domingo, e ele me manda o
placar do jogo que está em andamento. E reclama que eu só uso
a camisa quando o time ganha porque, como ele mesmo diz, “torcedor
tem que se assumir, rapaz, não pode ser secreto não!”. E
não é que ele tem razão a esse respeito?
É
boa essa sensação de saber que ele me incentiva mesmo sendo do
contra, mesmo não gostando de futebol e não aceitando que as
pessoas discutam por causa de times que, na prática, não as
compensam com nada de concreto. É bom ver que ele se preocupa
em me passar os resultados do meu Vitória e que, em alguns
casos, é capaz de gestos bem significativos, como fez ao me
presentear com o bonequinho jogador que tocava o Hino do Clube.
Acho
que não preciso de nada mais além disso!
A
todos os pais rubro negros ou, como o meu, torcedores de time
nenhum, os meus sinceros parabéns pelo dia de hoje!
Carolina
Oliveira
Administradora,
rubro-negra e filha coruja
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