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Vale a pena ler de novo II
Renato
Ribeiro
Caros
rubro negros,
Continuando a saga em resgatar
inesquecíveis momentos do Leão, registrados no formato antigo do
BOL, repasso para vocês um texto meu que fez parte da coluna “O
jogo da minha vida”. Por ali passaram grandes rubro-negros que
deixaram transpor suas emoções em relatos de batalhas que
ficaram na história do Esporte Clube Vitória.
Na época, quando resolvi escrever
o texto (estava novamente morando no interior, dessa vez já como
profissional de saúde) referente a alguma partida que jamais
sairia da minha memória, tive muitas dúvidas, mas acabei optando
por Flamengo x Vitória, válida pelo quadrangular do
Brasileirão/93, que definiria qual seria o adversário do
poderoso Palmeiras/Parmalat nas finais daquele campeonato (a
chave do Palmeiras era completada por São Paulo, Guarani e Remo,
enquanto que o Vitória tinha a companhia de Corinthians, Santos
e Flamengo).
Lembro que, em virtude de meu pai
ter sido transferido do trabalho para Vitória da Conquista,
praticamente acompanhamos a bela campanha do Leão de longe e ao
mesmo tempo tínhamos que lutar dentro do próprio território
baiano contra a maioria esmagadora de torcedores de outros
clubes do país, tamanha a preferência dos irmãos interioranos
pelas agremiações do Sul.
Mas contra tudo e contra todos, o
Vitória foi chegando. Inclusive, foi o único time a bater o
favoritíssimo Corinthians de Mário Sérgio em uma partida
memorável do rubro-negro em plena Fonte Nova, quando vencemos
por 2x1 com direito a gol de placa de Alex Alves (se não me
engano, essa experiência foi relembrada pelo grande rubro-negro
Ayrton Ferreira também no “O jogo da minha vida”).
Enfim, era chegado o momento de
carimbar o passaporte para a final e a partida reservada para
tal privilégio era justamente contra o time de maior
popularidade do país. Devido ao fato do clube carioca, assim
como o Santos, não terem mais condições de classificação (a vaga
era disputada somente por Vitória e Corinthians), o Maracanã
recebeu um pequeno público (lembro da torcida baiana fazendo
festa após o apito final do juiz!), mas, mesmo assim, o jogo não
deixou de ser dramático. Tanto que os minutos finais acabaram
por serem “assistidos” por mim, no banheiro! Isso mesmo! No
banheiro! A seguir vocês descobrirão o porquê.
Boa leitura e Saudações
Rubro-Negras!
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Aquele time da gente era
fantástico (*)
Renato dos Anjos Ribeiro
Na época morávamos em
Vitória da Conquista e como todos sabem, tanto o Vitória
como o nosso rival, somos inferiores em preferência no
interior do estado. Eu chegava no colégio e aí via os
colegas falando sobre quem ganharia o Brasileiro e
sempre ouvia Flamengo, São Paulo, Vasco, enfim, times do
sul. Porém, eu chegava e dizia: "meus amigos, esse ano
vai dar Vitória" e sempre era motivo de riso e gozação.
Mas, pra falar a verdade, eu falava aquilo muito mais
por amor ao meu time do que por achar que o Vitória iria
chegar. Sempre tive uma revolta quanto ao fato de ver os
baianos "pagando pau" para sulistas, enquanto que tinha
um grande clube como o Vitória no nosso estado em
ascendência.
Mas, para desespero dos
nossos conterrâneos, o Vitória foi chegando. Aquele time
da gente era fantástico, pois unia na medida certa a
experiência e a juventude. A prata da casa e jogadores
de fora. E acabou entrando junto com Flamengo, Santos e
Corinthians em uma chave. Isso mesmo. Junto com os dois
maiores times de torcida no Brasil e o Santos que também
dispõe de grande torcida e um passado glorioso. Era uma
missão bem difícil.
Ganhamos do Flamengo de
1x0, empatamos com o Santos em 2x2 e 3x3 e vencemos e
empatamos com o Corinthians por 2x1 e 2x2. E o jogo
crucial veio contra o Flamengo no Maracanã. Se
passássemos, estaríamos na final do Brasileiro. Veio o
jogo, e o Vitória foi fantástico! Encarou de igual para
igual. Alex Alves, Pichetti, Paulo Isidoro e o
artilheiro Claudinho infernizavam a zaga do Flamengo e
Dida garantia lá atrás. Ainda tinha Roberto Cavalo com a
"patada mortal" que nos colocou na frente com um golaço
de falta. Renato Gaúcho, aquele que disse que "a Bahia é
terra de índio", empatou e aí começou o drama.
O relógio não passava e a
cada lance do Flamengo era um martírio. Eu, meu pai,
minha mãe e meus irmãos já estávamos de pé em frente da
Tv. E por volta dos 42 minutos, o centro avante Magno,
do Flamengo, recebeu a bola sozinho, dentro da área e na
saída de Dida chutou rasteiro no canto e a bola saiu
milagrosamente rente à trave. Com certeza, foi o Senhor
do Bonfim que tirou aquela bola. A partir daí eu não
queria ver mais o jogo. Fui pro banheiro e abri o
registro da pia para o barulho da água não me fazer
ouvir o jogo. Até falar qualquer coisa bem alto no
banheiro eu falava. E o maldito relógio parecia que não
saía dos 42 minutos. Foi aí que eu ouvi todos na casa
gritando e saí do banheiro gritando e abraçando a todos.
Minhas mãos, se fossem espremidas, encheriam uma garrafa
litro. Por incrível que pareça, naquele momento, me
senti em outro estado. Só nós ali nos abraçando,
emocionados, mas nos sentíamos como heróis. Era o nosso
Vitória contra tudo e contra todos.
Infelizmente, naquele ano
não levamos o caneco. Perdemos para o Palmeiras/Parmalat
a final. Mas perdemos de cabeça erguida. Mostramos ao
Brasil e ao mundo o que era o Vitória. Hoje colhemos os
frutos, onde somos referência de divisão de base para o
mundo inteiro.
Hoje, novamente estou
morando temporariamente no interior e nove anos depois.
Espero que as coincidências ultrapassem o
vice-campeonato de 1993. Sinto saudades dos amigos, da
família e do Vitória. O meu Vitória. Outro dia estava
sozinho em casa e coloquei o Cd do Centenário e
confesso, me emocionei. É como se estivesse longe de um
ente querido. Estava em Salvador no jogo contra o
Paysandu. Como é bom ver o Vitória ganhando, fazendo
gols. Gritei dobrado. Pelos gols e pela saudade.
Freqüento estádios pelo Vitória desde os 4 anos. E tudo
que é do Vitória é inesquecível pra mim. Fiéis somos
nós, que já enfrentamos épocas difíceis e até hoje e
para sempre seremos Vitória. Hoje tenho 26 anos e me
emociono com o Vitória como se tivesse 12 anos. Ando
aqui em Santana com as camisas do Vitória e fico feliz
quando as pessoas param e olham. Dá uma sensação ímpar.
Sabe aquela expressão, "coisas do Vitória?" Pois é.
Comprei uma camisa dos Imbatíveis de segunda mão, mas e
daí? Tudo que é do Vitória, mesmo sendo de segunda, é de
primeira. Já o nosso rival, tudo que é de segunda, é de
segunda mesmo! "Coisas do Vitória".
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Ficha
Técnica |
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Flamengo
1x1 Vitória |
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Local -
Maracanã |
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Árbitro -
Antônio Pereira (GO) |
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Renda - CR$
1.571.500,00 com 1.507 pagantes |
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Gols -
Roberto Cavalo, aos 18 e Renato Gaúcho, aos
41 minutos do primeiro tempo. |
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Cartão
Vermelho - Marquinhos (Flamengo) |
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Flamengo -
Gilmar, Charles (Jorge Antônio), Gelson,
Rogério e Marcos Adriano; Fabinho,
Marquinhos, Hugo e Sávio; Renato Gaúcho e
Marcelinho (Magno). Técnico: Júnior. |
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Vitória -
Dida, Rodrigo, China, Evandro e Éverton
(Dourado); Gil Sergipano, Roberto Cavalo e
Paulo Isidoro; Alex Alves (Vampeta),
Claudinho e Pichetti. Técnico: Fito Neves. |
(*) Publicado no portal
BOL em 2002. |
Renato
dos Anjos Ribeiro
Rubro
negro
e fisioterapeuta.
E-mail:
tinhojhow@yahoo.com.br
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