|
::
Artigos ::
Responsabilidade extra
José
Raimundo Silveira
Existe uma frase famosa, cujo
autor desconheço, que fala algo do tipo “você é responsável por
aquilo que cativas”. Já vi diversas interpretações para essa
afirmação. A minha é a seguinte: quando mantemos uma relação
saudável com determinado ser, criamos a expectativa de que a
situação sempre permaneça dessa forma.
Assim, se tratamos bem uma pessoa,
ela estranha quando ocorre o contrário. Ao acostumarmos um
animal a receber carinho e alimento, ele cria o reflexo
condicionado de sempre receber essas demonstrações. Creio que
até mesmo as plantas sentem falta quando uma velhinha, por
motivo qualquer, deixa de aguá-las e conversar com elas. Pode
ser viagem minha, mas alguns especialistas em botânicas falam
que ajuda no desenvolvimento dos vegetais.
Essa encheção de lingüiça
introdutória é só para mostrar a responsabilidade do Vitória
nesse Campeonato Brasileiro. O Vitória está nos fazendo sonhar
alto. E isso é algo muito sério. A seqüência de boas atuações
fez explodir um sentimento de otimismo na torcida rubro-negra de
que é possível galgar altos degraus na competição. Não é para
menos: estamos atingindo a regularidade. Uma ótima regularidade,
diga-se de passagem.
Das onze rodadas iniciais, ficamos
dez vezes no grupo dos quatro primeiros, que se qualificam para
a Libertadores 2010. A pior posição, até aqui, foi um quinto
lugar, após a derrota diante do Cruzeiro, lá na terceira rodada.
Aquele jogo, aliás, foi o único ruim do Leão na Série A. Até
mesmo nas derrotas para o Palmeiras e o Flamengo, o time se
portou bem. Postura. Esse é o cerne da questão. O Vitória está
mostrando postura de time grande.
Cativando seu torcedor, o Vitória
está trazendo para seu lado a força da arquibancada. Essa
parceria foi vital para o soerguimento do clube, a partir do
segundo semestre de 2006. Não é mero acaso o rendimento de 100%
em casa nos cinco primeiros jogos. No Barradão, o time parece
arrancar forças de onde não tem. Para decolar de vez, falta a
mesma gana nos jogos fora de casa. Contra o Náutico, por
exemplo, vi ao vivo que faltou um pouco mais desse quesito no
segundo tempo, para sacramentar nossa superioridade técnica
flagrante.
Por outro lado, sabe-se que quanto
maior a altura, maior a queda. Deixando seu torcedor nas nuvens,
o Vitória criou uma sensação de puro otimismo, tendo o dever de
manter esse padrão. Sabe-se que o futebol é volúvel, marcado por
altos e baixos. Virão tropeços, sem dúvida. Entretanto, fica a
obrigação da manutenção da boa média de atuações, pois o Vitória
já mostrou que isso é possível.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
-
|