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Revista Eletrônica BOL - Edição nº 74 - 14 de maio a 20 de junho de 2009

Foto: Arquivo

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Como nasce uma rubro-negra

Carolina Oliveira

Nasci numa família tricolor por parte de pai e mãe, em 1980. Lembro de meus tios chorando em 88 quando o Bahia conquistou seu título nacional e, com muito esforço, lembro da imagem de Bobô sendo carregado. Pulei, comemorei e acho que, justamente naquele momento eu devia ter me firmado como tricolor. Mas aí eu percebo algo, no mínimo, curioso: eu passei a ter raiva do Bahia após o título! Como pode? Eu já era rubro-negra e nem sabia!
 
Passei anos totalmente avessa ao futebol. Não suportava nem ouvir a voz de Ivan Pedro anunciando a resenha esportiva que perdia até o apetite. Reclamava das rádios AM, reclamava das transmissões que atrapalhavam minha programação, reclamava do movimento de torcedores perto da minha casa (porque eu morava perto da Fonte Nova), reclamava de minha avó paterna, que morava conosco e escutava os jogos no seu radinho de pilha. Enfim, reclamava de tudo relacionado ao esporte, principalmente porque a TV baiana não falava em outra coisa a não ser o Ba Vi, os jogos do Galícia, o desempenho da Catuense e do Fluminense de Feira, as crises do técnico "Sapatão" com o Juazeiro e por aí vai!
 
Aí veio o ano de 1993 - e tudo mudou! Entrou em campo o "Vitória da Bahia", com um time que não era o melhor do país, mas conseguiu a proeza de chegar à final do Campeonato Brasileiro numa campanha empolgante, vibrante e quase inacreditável para um time com poucos recursos. A equipe de Fito Neves, com Roberto Cavalo, Pichetti, Alex Alves, Vampeta, Paulo Isidoro, Dida e cia. levantou uma torcida cansada de ouvir as gozações de um Bahia que já estava em processo de declínio e, ainda por cima, despertou a paixão de novos torcedores, que passaram a vestir a camisa vermelha e preta! O que o Vitória fez naquele ano foi lindo, mágico, contagiante! Não tinha como não torcer!
 
Um time no meu coração

Paulo Isidoro "arrasando" diante do Santos, no Parque Antártica (Arquivo)

Foi que aconteceu comigo. Jogo a jogo, a cada ponto ganho, foi nascendo aqui dentro uma torcedora apaixonada - e nojenta - por um time que não fazia parte da sua história, com o qual não possuía a menor ligação até aquele momento. É difícil explicar como isso aconteceu, porque nem minha família inteira me despertou um sentimento parecido pelo tricolor. Eu ficava 

emocionada com os comentários sobre o time, com os elogios de Galvão Bueno (sim, era ele quem narrava naquela época) para o desempenho do rubro-negro baiano! Pedia a minha mãe para assistir aos jogos enquanto eu ia dormir, para me contar no dia seguinte, e acordava com ela contando "Galvão disse que Paulo Isidoro estava arrasando!". Era o Vitória despontando no cenário nacional... Ao final daquele ano, eu já tinha um time no meu coração!
 
Enfim, o resto já se sabe. Não ganhamos aquele campeonato, mas o sangue ficou rubro-negro e isso nunca mais mudou. Ganhei meu bonequinho que cantava o hino, ganhei minha primeira camisa ultra-falsificada, depois uma que era cópia. Passei alguns anos sem acompanhar o rubro-negro porque a pressão tricolor ao meu redor aumentou muito e eu preferi ceder em nome da preservação de certas relações. Mas em 2008 eu pude voltar a torcer plenamente pelo meu time e fui ao Barradão pela primeira vez, num momento único, que só outro texto poderá descrever. Ganhei uma nova camisa, comprei minha bandeira e acompanho todos os jogos - mesmo morando fora de Salvador - pela TV ou internet!
 
O Vitória, mesmo sem um título nacional, cresceu, foi rebaixado, subiu outra vez, e deixou de ser o "Vitória da Bahia" para ser reconhecido apenas como VITÓRIA, onde quer que se fale de futebol. O time dispensa referências. Em 2009 já ganhamos o Baianão, vamos à Sulamericana e estamos começando bem o Brasileiro. Nessa temporada de musas, cheguei a pensar em me candidatar a musa do meu time (surtei?), mas compreendi que isso é desnecessário. Eu sou TORCEDORA!!!! Eu visto a camisa do meu Vitória com paixão, com orgulho, e essa intensidade vale mais que qualquer título, que qualquer gesto!
 
É como diz o nosso hino, "eu sou Vitória com emoção, eu sou Vitória de coração!". 

Carolina Oliveira

Rubro-negra e administradora

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