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Como
nasce uma rubro-negra
Carolina
Oliveira
Nasci
numa família tricolor por parte de pai e mãe, em 1980.
Lembro de meus tios chorando em 88 quando o Bahia conquistou
seu título nacional e, com muito esforço, lembro da
imagem de Bobô sendo carregado. Pulei, comemorei e acho que,
justamente naquele momento eu devia ter me firmado como
tricolor. Mas aí eu percebo algo, no mínimo, curioso: eu
passei a ter raiva do Bahia após o título! Como pode? Eu já
era rubro-negra e nem sabia!
Passei anos totalmente avessa ao futebol. Não suportava nem
ouvir a voz de Ivan Pedro anunciando a resenha esportiva que
perdia até o apetite. Reclamava das rádios AM, reclamava
das transmissões que atrapalhavam minha programação,
reclamava do movimento de torcedores perto da minha casa (porque
eu morava perto da Fonte Nova), reclamava de minha avó paterna,
que morava conosco e escutava os jogos no seu radinho de pilha.
Enfim, reclamava de tudo relacionado ao esporte, principalmente
porque a TV baiana não falava em outra coisa a não ser o Ba
Vi, os jogos do Galícia, o desempenho da Catuense e do
Fluminense de Feira, as crises do técnico "Sapatão"
com o Juazeiro e por aí vai!
Aí veio o ano de 1993 - e tudo mudou! Entrou em campo o
"Vitória da Bahia", com um time que não era o melhor
do país, mas conseguiu a proeza de chegar à final do Campeonato
Brasileiro numa campanha empolgante, vibrante e quase
inacreditável para um time com poucos recursos. A
equipe de Fito
Neves, com Roberto Cavalo, Pichetti, Alex Alves, Vampeta, Paulo
Isidoro, Dida e cia. levantou uma torcida cansada de
ouvir as gozações de um Bahia que já estava em processo de
declínio e, ainda por cima, despertou a paixão de novos
torcedores, que passaram a vestir a camisa vermelha e preta! O
que o Vitória fez naquele ano foi lindo, mágico,
contagiante! Não tinha como não torcer!
Um time no meu coração
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Paulo
Isidoro "arrasando" diante do Santos,
no Parque Antártica (Arquivo) |
Foi que aconteceu comigo. Jogo a jogo, a cada ponto ganho,
foi nascendo aqui dentro uma torcedora apaixonada - e nojenta -
por um time que não fazia parte da sua história, com o qual não
possuía a menor ligação até aquele momento. É difícil
explicar como isso aconteceu, porque nem minha família
inteira me despertou um sentimento parecido pelo tricolor. Eu
ficava |
emocionada com os comentários sobre o time, com os
elogios de Galvão Bueno (sim, era ele quem narrava naquela época)
para o desempenho do rubro-negro baiano! Pedia a minha mãe para
assistir aos jogos enquanto eu ia dormir, para me contar no dia
seguinte, e acordava com ela contando "Galvão disse que
Paulo Isidoro estava arrasando!". Era o Vitória
despontando no cenário nacional... Ao final daquele ano, eu já
tinha um time no meu coração!
Enfim, o resto já se sabe. Não ganhamos aquele campeonato, mas o sangue ficou
rubro-negro e isso nunca mais mudou. Ganhei meu bonequinho que
cantava o hino, ganhei minha primeira camisa ultra-falsificada,
depois uma que era cópia. Passei alguns anos sem
acompanhar o rubro-negro porque a pressão tricolor ao meu
redor aumentou muito e eu preferi ceder em nome da preservação
de certas relações. Mas em 2008 eu pude voltar a torcer
plenamente pelo meu time e fui ao Barradão pela primeira vez,
num momento único, que só outro texto poderá descrever.
Ganhei uma nova camisa, comprei minha bandeira e acompanho todos
os jogos - mesmo morando fora de Salvador - pela TV ou internet!
O Vitória, mesmo sem um título nacional, cresceu, foi
rebaixado, subiu outra vez, e deixou de ser o "Vitória da
Bahia" para ser reconhecido apenas como VITÓRIA, onde quer
que se fale de futebol. O time dispensa referências. Em 2009 já
ganhamos o Baianão, vamos à Sulamericana e estamos
começando bem o Brasileiro.
Nessa temporada de musas, cheguei a pensar em me candidatar a
musa do meu time (surtei?), mas compreendi que isso é
desnecessário. Eu sou TORCEDORA!!!! Eu visto a camisa do meu
Vitória com paixão, com orgulho, e essa
intensidade vale mais que qualquer título, que qualquer gesto!
É como diz o nosso hino, "eu sou Vitória com emoção, eu
sou Vitória de coração!".
Carolina
Oliveira
Rubro-negra
e administradora
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