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Expectativa
como guia
José
Raimundo Silveira
A
vida é movida por expectativas. A confirmação ou não destas
torna a existência mais ou menos prazerosa. Quanto mais as
aspirações são concretizadas, mais doce se torna a passagem
do indivíduo pelo planeta. Acredito que essa teoria também
vale para medir o nível de satisfação de uma torcida com relação
ao seu time de coração.
A
trajetória histórica da torcida do Vitória mostra quanto
mudou nosso nível de exigência. Como passamos a ser um time
vencedor, não nos conformamos com algo menor que as conquistas,
sejam elas materializadas sob a forma de troféus ou com a obtenção
de ganhos simbólicos, como o aumento de prestígio por conta de
uma campanha positiva em alguma competição.
Lembro
que quando comecei a torcer para o Leão, nos idos de 1985, tínhamos
menos títulos estaduais que o Ypiranga (9 nossos, 10 dos canários).
Vivíamos, também, um período no qual empatar ou perder de
pouco do representante baiano da Segunda Divisão era algo a
comemorar.
Nesse
período, deu-se a mudança de paradigma no âmbito estadual.
Hoje, consideramos conquistar o Campeonato Baiano uma obrigação.
Não se trata de pedantismo, mas da auto-crítica em saber que o
time de melhores estrutura e elenco do estado tem que superar
sempre os adversários desafortunados.
Em
termos nacionais, nossa exigência também aumentou.
Especialmente após o advento do Barradão, o Vitória passou a
dar testa nos grandões do futebol nacional. Inúmeras foram as
goleadas sobre as equipes do eixo Rio-São Paulo-Minas-Rio
Grande do Sul, que representam a nata do esporte bretão por
aqui.
Tal
prólogo teve a intenção de fazer uma comparação entre a
expectativa pré-Brasileirões de 2008 e 2009. Ano passado, era
nosso ano de retorno à elite, após três anos fora. Vale
lembrar que o Vitória, além disso, vinha de um estadual
vencido aos trancos e barrancos. A maioria de nós já se
contentava em permanecer na Série A. Por isso, a campanha do 10º
lugar, que seria considerada mediana em uma conjuntura normal,
foi tida como boa por quase todos nós.
Em
2009, passamos a sonhar mais alto. E é natural que desejemos
esse passo à frente. Digo mais: é algo salutar para o próprio
clube ter uma torcida que sempre pense em ver o time galgar
postos mais altos. Do contrário, ficaríamos lembrando do
passado e se conformando com pouco, como ganhar clássicos na
fase classificatória e perder campeonatos para o maior rival na
reta decisiva.
Que
os dirigentes do Leão, em especial, atentem para essa questão.
Eles dirigem uma instituição que provoca sentimentos profundos
em uma legião de torcedores, cheios de expectativa em ver seu
clube subir cada vez mais. Atingir esse objetivo requer
planejamento profissional, sim, mas também a visão daquele
torcedor apaixonado, que toma chuva em arquibancada e deixa,
muitas vezes, a família em segundo plano em nome desse amor.
Nunca se deve perder esse norte.
José
Raimundo Silveira
Militar,
jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky.
E-mail:
tencerqueira@gmail.com
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